ViaQuatro cobra R$ 500 milhões de  Alckmin por atraso nas obras do Metrô

ViaQuatro diz que há mais trens que o necessário para a demanda atual porque consórcio fez encomendas das composições seguindo o contrato e estimando entrega das estações no prazo. Foto: Digna Imagem/Clóvis Ferreira

Discussões estão sendo realizadas entre concessionária e o governo do estado. Há trens sobrando na linha 4

ADAMO BAZANI

Com informações Folha de São Paulo

Primeira PPP – Parceria Público-Privada para transportes metroviários no Estado de São Paulo, a Linha 4 Amarela do Metrô esconde uma disputa entre a concessionária ViaQuatro, da iniciativa privada, e o Governo do Estado.

A Via Quatro cobra da gestão Alckmin em torno de R$ 500 milhões por causa de atrasos para entregar as estações.

A concessão é por 30 anos.

O Consórcio ViaQuatro é formado pelas seguintes empresas: 30% Montgomary (Odebrecht TransPort  e Grupo Ruas – o mesmo dos ônibus de São Paulo), 10% (Mitsui & Co. Ltda .), 60% (Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Soares Penido).

Segundo o presidente do consórcio, Harald Zwetkoff, em entrevista à Folha de São Paulo, os investimentos da iniciativa privada foram feitos projetando um demanda para que todas as estações tivessem sido entregues nos prazos prometidos pela gestão. No entanto, com os atrasos, a demanda prevista não se confirmou e não foi compatível com os investimentos realizados, diz a empresa.

A primeira etapa da linha deveria ter sido entregue em 2008, mas seis estações foram inauguradas aos poucos somente entre junho de 2010 e setembro de 2011. Em setembro de 2013, as negociações entre o Governo do Estado e o consórcio, segundo presidente da ViaQuatro, então definiram uma indenização de R$ 428 milhões, que não foi paga. O valor hoje corrigido pela inflação passa dos R$ 500 milhões.

“Fomos prejudicados porque, uma vez que não recebo esse dinheiro, tenho que procurar outros financiamentos para comprar os trens novos, ou seja, há um efeito cascata. A nossa urgência de resolver é porque esse dinheiro afeta diretamente a equação econômico-financeira do contrato … Se fosse simplesmente um contrato, a gente pedia o pagamento até dia tal, sob pena de executar a dívida. A gente vai trabalhar juntos 30 anos. Temos que achar a forma de fazer. ” – disse ao jornal.

Harald Zwetkoff  ainda acrescentou que tem dúvidas sobre se o governo do estado vai cumprir o prazo prometido para entregar as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, intermediárias do trecho Luz – Butantã e a extensão entre Vila Sônia e São Paulo Morumbi prometida para 2018, incluindo um terminal de ônibus.

“Nós sabemos hoje que 28 de março de 2018 [data acordada entre as partes] é um desafio enorme de ser cumprido com as estações que faltam … Acho muito difícil, pelo que a gente conhece de obra 2018 é um desafio monstruoso, eu não acredito.”

A estimativa é que a entrega parcelada das estações ocorra entre 2017 e 2019.

Seguindo o contrato, a empresa já comprou 15 trens novos que deveriam estar operando se a segunda fase da linha 4 estivesse pronta: 10 composições já foram entregues pela fabricante. O executivo afirmou que na linha 4 sobram trens e para que não haja composições que fiquem muito tempo paradas, é feito uma espécie de rodízio.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos respondeu que as questões relacionadas à primeira etapa da Linha 4 do Metrô estão sendo discutidas e avaliadas sem interferência na prestação dos serviços. Informou também que nas parcerias público-privadas, solicitações de reequilíbrio econômico-financeiro são processos previstos tanto pela contratada como pela contratante, mas descarta prorrogação do prazo de concessão para servir como compensação às dívidas.

Adamo Bazani,  jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Relembrando um comentário que eu já fiz; Parceria NÃO existe, o que existe são Negócios [ NPP – Negócios Público Privado ].

    Lembrando a matemática básica da Tia Cotinha, Negócios têm de dar lucro; portanto…

    Não deu lucro pela via contratual, face não ter atingido a demanda de passageiros pelo fato das estações não terem sido terminadas no prazo; agora o lucro virá pela via judicial, o que sairá mais caro ainda aos CONTRIBUINTES; afinal não há poupança melhor.

    Lembrando que Política sem Contabilidade NÃO se compatibiliza mais faz tempo.

    E se congelar as tarifas, em breve, vem mais uma açãozinha e mais DESPESA PARA O CONTRIBUINTE PAGAR..

    Att,

    Paulo Gil

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