Prefeitura e Cobradores travam na justiça permanência dos postos de trabalho em linhas de corredores
RENATO LOBO
A nova proposta de João Doria para os corredores de ônibus é o chamado Rapidão: O novo projeto do prefeito eleito é instalar nas estruturas atuais, equipamentos que os torne mais próximo de Bus Rapid Transit – BRT.
Basicamente as vias do transporte coletivo terão o embarque da passagem na parada, ao invés de no coletivo. A medida deve dar agilidade as partidas, uma vez que os usuários podem embarcar em qualquer uma das portas, e não precisam mais se apresentar ao cobrador.
Por falar nos cobradores, talvez esta seja uma das primeiras dores de cabeça que Doria tenha no assunto da Mobilidade Urbana. A ideia de transformar corredores em serviços de BRT não é nova. A gestão do prefeito Fernando Haddad já havia sinalizado a intenção, o que causou temor à classe de trabalhadores.
Em entrevista recente, João Doria ao apresentar o projeto já tratou de dizer que estes profissionais não seriam demitidos, mas sim realocados em outras funções, como a de motorista. A pergunta que fica no ar é: existem tantos postos ao ponto de abrigar estes profissionais?
Se o edital dos transportes seguir a tendência de como foi constituído, onde é prevista até uma racionalização na frota, é possivel que o número de veículos seja reduzido. Vamos lembrar que redução do número de ônibus não é a mesma coisa que redução de lugares disponíveis.
Caso de Justiça
Conforme noticiou o Diário do Transporte em novembro de 2015, a prefeitura de São Paulo travou disputa na justiça para poder retirar os cobradores em linhas de corredores. (relembre aqui).
Mais de 90% das passagens são pagas com Bilhete Único e a presença dos cobradores gerava um impacto de R$ 0,60 na tarifa à época de R$ 3,50 e um custo de R$ 1,2 bilhão por ano, o que correspondia a 17% dos gastos do sistema, de acordo com dados da prefeitura.
Na época, o presidente do Sindimotoristas, Valdevan Noventa, disse que apesar de a bilhetagem eletrônica, o cobrador era indispensável porque poria auxiliar o motorista no atendimento a pessoas com deficiência, idosos, em manobras mais difíceis cuja visibilidade é restrita por causa dos “pontos cegos” dos ônibus devido ao tamanho e a retirada do cobrador significaria excesso de carga de trabalho para o motorista, além de desvios e acúmulos de funções.
O sindicato, até então, tinha ganhado na Justiça parcialmente a permanência destes profissionais.
Renato Lobo, técnico em Transportes Sobre Pneus e Trânsito Urbano
