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Doria quer fundo federal para congelar tarifa de ônibus e mudar o nome da Secretaria de Transportes

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Ônibus em São Paulo. Subsídios podem chegar a R$ 3 bilhões caso houver mesmo congelamento da tarifa em 2017

Prefeito eleito já havia cogitado a possibilidade de pedir dinheiro de verbas para deputados federais

ADAMO BAZANI

O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, parece estar aflito para conseguir recursos que garantam uma de suas maiores promessas de campanha: o congelamento da tarifa de ônibus pelo menos no ano de 2017.

Depois de afirmar que vai conversar com deputados federais para obter verbas das emendas parlamentares, agora Doria diz que vai conversar, no próximo dia 25, com o presidente Michel Temer, para a criação de um fundo federal que custeie tarifas de ônibus.

O prefeito eleito argumentou que o congelamento da tarifa de ônibus em São Paulo ajudaria a segurar o índice de inflação em todo o País.

João Doria Junior disse que para manter a tarifa congelada no ano que vem, são necessários subsídios entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões, além de R$ 1,7 bilhão, previsto no orçamento para a cidade no ano que vem.

Já técnicos da prefeitura que elaboraram esse orçamento dizem que o congelamento da tarifa necessitaria em 2017 de um aporte de, no mínimo, R$ 1 bilhão.

Sendo assim, os subsídios ultrapassariam R$ 2,7 bilhões no ano que vem. Os R$ 1,79 bilhão que deveriam durar até 31 de dezembro de 2016, foram esgotados na segunda semana de setembro.

Além disso, a promessa de João Doria deixou em situação desconfortável o seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, por causa das integrações que os ônibus municipais em São Paulo fazem com a CPTM e o Metrô.

As companhias de transportes sobre trilhos do Estado de São Paulo sentem a crise econômica e estão em situação financeira mais delicada com a queda de passageiros e, consequentemente, da arrecadação.

O congelamento das tarifas em São Paulo proporcionaria desequilíbrio no financiamento das integrações e também poderia causar um dano à imagem política de Geraldo Alckmin caso só os trens da CPTM e o Metrô aumentem a tarifa e os ônibus municipais continuem cobrando o mesmo valor dos passageiros.

MUDANÇA DE NOME:

Ainda a respeito de transportes, João Doria disse que quer mudar o nome da secretaria.

A declaração foi dada durante encontro com cicloativistas no último domingo em São Paulo. O prefeito eleito disse que a Secretaria Municipal de Transportes deverá mudar de nome para Secretaria de Transportes e Mobilidade.

Com isso, segundo Doria, poderiam ser criados grupos específicos para ciclovias e deslocamentos a pé.

VOLTANDO ATRÁS:

João Doria tem voltado atrás em muitas das promessas e declarações de campanha.

Após prometer aumentar nos primeiros dias de governo as velocidades nas marginais, agora diz que pode manter alguns trechos das pistas local em 50 km/h.

Também voltou atrás em relação à eliminação das ciclovias, segundo ele, pouco movimentadas e disse que fará estudos mais minuciosos caso a caso.

Analistas políticos não descartam a possibilidade de João Doria também voltar atrás na promessa de congelamento da tarifa de ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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