Lava Jato diz que houve esquema de propina em obras do Metrô e também na EMTU

Lava Jato EMTU
Ônibus gerenciado pela EMTU. Esquema de vantagens indevidas, segundo a PF, movimentou R$ 26,6 milhões só na empresa estatal. Governo do Estado nega.

Governo do Estado nega e diz que empresas estão à disposição da Polícia Federal

ADAMO BAZANI

Com informações Época.

Em um dos braços de investigação da Operação Lava Jato, policiais federais identificaram o que consideram pagamento de propina pela construtora Odebrecht em cinco intervenções públicas no Estado de São Paulo, três delas de responsabilidade do governo estadual e duas de prefeituras.

De acordo com o relatório dos policiais, o esquema começou em 2001 e foi até o ano de 2010, englobando as épocas das gestões dos governadores Geraldo Alckmin, Claudio Lembo, José Serra, atual Ministro das Relações Exteriores.

Segundo as investigações, em relação a contratos da Linha 2 do Metrô, receberam pagamentos indevidos de cerca de R$ 2 milhões a pessoas identificadas com os codinomes “Careca” e “Comunicação”. O pagamento teria sido realizado em agosto de 2004 com autorização do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, preso na Lava Jato por envolvimento no Petrolão.

Em relação à EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia ônibus metropolitanos no Estado de São Paulo, a Polícia Federal diz que a propina foi maior. Os policiais dizem que, em 2006, havia um esquema de pagamento de vantagens indevidas que somoui R$ 26,6 milhões. As informações foram levantadas em e-mails trocados entre Marcelo Odebrecht e executivos da empresa. Os pagamentos foram efetuados para três partes identificadas como “Ibirapuera” com três parcelas de R$ 306 mil, para “Campinas” com 2,5% sobre os pagamentos gerais e para “Casa de Doido”, com 0,5% dos valores dos contratos com a empresa.

Em relação à linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, trocas de mensagens em 2007 sugerem mais propina.

O então diretor de contrato da Odebrecht, Márcio Pellegrini, responsável pelo trajeto para as obras da linha 4 pediu a Benedicto Barbosa da Silva Júnior autorização para o pagamento das propinas. A “ajuda de campanha com vistas aos nossos interesses locais”, como diz trecho de um dos e-mails, no valor de R$ 250 mil teria como destino um beneficiário identificado como “Santo”.

Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos nega irregularidades e diz que tanto a EMTU como o Metrô estão à disposição da força-tarefa da Lava Jato.

“A relação do governo do Estado e seus contratados para a realização de obras ou prestação de serviços é baseada nos princípios legais e com aprovação de suas contas pelos órgãos competentes. A EMTU e o Metrô não podem comentar mensagens cifradas obtidas por uma operação que ainda está em curso e que foram divulgadas pela imprensa. As empresas, contudo, estão à disposição para colaborar com a Força Tarefa da Lava Jato e esclarecer toda e qualquer informações”.

SÃO PAULO E MAIRINQUE:

Os contratos com prefeituras identificados por esse desdobramento da força-tarefa da Lava Jato fazem faz referência a serviços na capital paulista e na cidade de Mairinque, no interior do Estado.

O relatório da Polícia Federal faz referência a pagamentos de vantagens indevidas a uma pessoa identificada como codinome “Olho” que, segundo a PF, “provavelmente” se refere a serviços da Odebrecht relacionados ao processamento e tratamento de lixo em São Paulo.

Os policiais mencionam que a definição do codinome o “Olho” foi tratada com Marcelo Bahia Odebrecht. O relatório não diz quando ocorreu a contratação dos serviços e o pagamento da suposta propina.

Já em Mairinque, no interior de São Paulo, as suspeitas de vantagens indevidas envolvem a empresa Foz do Brasil, do Grupo Odebrecht, acionista majoritária da Concessionária Saneaqua Mairinque S.A, de acordo com a Polícia Federal.

Por meio de concessão pública em 2010, a empresa assumiu todos os serviços de saneamento da cidade de Mairinque. Também não há relações de valores.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Novidade? A diferença e que o PSDB amenizam tudo, não e de hoje, piada.

  2. welbi disse:

    No momento que o país vive, tudo merece ser investigado. Todos os envolvidos em corrupção precisam ser punidos pelos crimes que cometeram. No entanto, é necessário cautela para não expor pessoas inocentes. O relato da matéria não traz nenhum elemento que Alckmin ou alguém de seu governo esteja envolvido. São meras ilações sem nenhum fundamento material. É fundamental que as investigações avancem para poder tirar alguma conclusão.

  3. andersamt disse:

    Será que vai para frente? Nada que envolva tucanos avança.

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