Ônibus Elétricos Fantasmas: Governo chinês confirma punição a fabricantes por fraude em subsídios

Publicado em: 21 de setembro de 2016

Montadoras inflaram número de produção e ganharam US$ 149,1 milhões de maneira fraudulenta do poder público

ADAMO BAZANI

Com agências internacionais

O Ministério das Finanças da China confirmou a punição a cinco fabricantes de Veículos Elétricos que, segundo o poder público, obtiveram de forma ilegal subsídios governamentais que somam mais de 1 bilhão de yuans ou US$ 149,2 milhões.

Além de terem de devolver o dinheiro público, as empresas serão obrigadas a pagar multas de até 50% sobre o valor que obtiveram do governo chinês.

As fábricas foram acusadas de inflar o número de produção para conseguirem os benefícios financeiros. O caso mais grave foi chamado de “ônibus elétricos fantasmas” e envolve a Empresa de Manufatura de Ônibus Gemsea de Suzhou, que recebeu mais de 261 milhões de yuans, mas não produziu nenhum veículo de transporte coletivo. A empresa também teve autorização de produção cassada.

As outras quatro empresas, do Grupo Higer, também fabricante de ônibus, e o Grupo de Motores Wuzhoulong de Shenzhen, também foram excluídas de subsídios.

Por causa dos incentivos fiscais e subsídios diretos, o número de veículos movidos com a  chamada “nova energia”, vendidos em 2015 mais que triplicou em relação a 2014, passando para 331,1 unidades, de acordo com Associação de Fabricantes de Automóveis da China.

Entre 2009 e 2015, Pequim desembolsou 33,4 bilhões de yuans, ou US$ 5 bilhões, em subsídios para veículos elétricos. Já Shanghai e outras cidades renunciaram a taxa de licenciamento destes veículos de até 100 mil yuan ou US$ 15 mil.

Os fabricantes recebem descontos tributários de até 500 mil yuan (US$ 76 mil) por ônibus e de até 50 mil yuan (US$ 7.500) por carro de passeio.

Mesmo com o escândalo, o governo chinês deve continuar com os subsídios com o objetivo de reduzir os níveis de poluição. A China é o país onde mais morrem pessoas em decorrência da poluição: são em média 1,6 milhão de óbitos por ano, segundo o mais recente estudo do Banco Mundial e pelo Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde – IHME.

Até 2020, a China quer disponibilizar mais de 12 mil novos pontos públicos de recarga de baterias de automóveis e ter uma frota de 5 milhões de veículos elétricos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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