ESPECIAL: Investir em transporte público é responsabilidade fiscal: 80% dos gastos com deslocamentos vão para o transporte individual, causando prejuízos
Publicado em: 3 de setembro de 2016
Transporte individual faz País gastar até seis vezes mais para reparar impactos associados a acidentes, diz estudo. Já o custo para reparar os impactos ambientais por causa do transporte individual é duas vezes maior em comparação ao transporte coletivo. Mesmo assim, viagens de ônibus e por trilhos caem e ficam mais demoradas
ADAMO BAZANI
O Brasil ainda vive um tremendo contrassenso em relação às prioridades na área de mobilidade e as políticas públicas ainda privilegiam o que causa prejuízos e não incentivam o que pode melhorar a qualidade de vida e reduzir gastos públicos.
É o que mostram os resultados do mais recente Sistema de Informações da Mobilidade Urbana, estudo promovido pela ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, com dados de até 2014.
Segundo levantamento, divulgado nesta semana, com base em dados oficiais do poder público, do sistema de saúde e dos operadores de transportes, por causa do incentivo ao transporte individual, os automóveis realizam mais deslocamentos nos principais centros urbanos, porém transportam menos pessoas, percorrem distâncias menores, custam mais e causam mais gastos para a reparação de danos ambientais e relacionados a acidentes, além de poluírem muito mais.
Os carros foram responsáveis por 31% das 64,1 bilhões de viagens realizadas em um ano numa amostra de 468 cidades com realidades diferentes. O transporte coletivo respondeu por 29 % e o transporte não motorizado por 40%. Os deslocamentos a pé e de bicicleta também sofrem com o descaso nas políticas públicas, apesar de responderem pela maior parte dos trajetos.
Os transportes públicos foram responsáveis por 57% e o transporte individual por 31% dos 440 bilhões de quilômetros percorridos em um ano.
BRASIL GASTA MAIS E FICA MAIS DOENTE PELO TRANSPORTE INDIVIDUAL:
O incentivo exacerbado ao transporte individual, em detrimento do transporte público e dos deslocamentos não motorizados, que, por exemplo, fez com que o total de trajetos de motos dobrasse e alcançasse 2,6 bilhões de viagens, tem pesado cada vez mais no bolso e na saúde do brasileiro.
O estudo mostra que o transporte individual responde por 80% dos gastos com deslocamentos no Brasil, contando gastos públicos diretos, pessoais e de impactos.
Para reparar os impactos associados a acidentes, o transporte individual causa gastos de R$ 16,3 bilhões por ano, seis vezes mais que o transporte coletivo, cujos os custos para os impactos são de R$ 2,7 bilhões.
Já para reparar os danos relacionados à poluição, o transporte individual requer R$ 4,6 bilhões por ano e o coletivo R$ 2,5 bilhões. Se houvesse mais investimentos em corredores de ônibus, que aumentam a eficiência dos coletivos, em ônibus elétricos ou com fontes menos poluentes e no sistema de trilhos, essa diferença seria ainda maior.
O crescimento de viagens de moto está nestes dois contextos. O total de acidentes de motos representou em 2015, 497.009 indenizações do DPVAT (Seguro Obrigatório), contra 124.267 usuários de automóveis e 17.973 usuários de caminhões e picapes.
Levando em conta a capacidade de transporte e a motorização, cada moto polui proporcionalmente 38 vezes mais que um ônibus diesel padrão Euro 5.
As famílias e o poder público gastam muito mais em transporte individual que no transporte coletivo, aponta o levantamento.
Os gastos pessoais dos brasileiros no transporte individual foram de R$ 164,1 bilhões e, no transporte coletivo, de R$ 39,8 bilhões.
Já o poder público, dedicou três vezes mais recursos para manter a política em prol do transporte individual que para oferecer transporte público.
Os gastos públicos foram de R$ 19,3 bilhões para carros e motos continuarem congestionando as vias e poluindo o ar e de R$ 2,7 bilhões para os sistemas de ônibus trens e metrô.

Recebendo prioridade no espaço urbano e com soluções ambientalmente corretas, ônibus tendem a atrair mais passageiros e ampliarem benefícios ao cidadão.
Os automóveis de longe são os que mais poluem no Brasil, aponta o mesmo levantamento, criando uma pressão sobre os custos na saúde pública.
Os carros e motos respondem por 66% das emissões dos gases de efeito estufa nos transportes (60% – carros e 6% – motos) e os ônibus por 35% (25% – ônibus municipais e 5% – ônibus metropolitanos).
Em relação aos poluentes locais, carros e motos respondem por 65% das emissões (59% – carros e 6% motos) e os ônibus, por 35% (20% – ônibus municipais e 15% – ônibus metropolitanos)
Foram consideradas as emissões de CO (monóxido de carbono), HC (hidrocarbonetos), NOx (Óxidos de Nitrogênio), MP (material particulado) e SOx (Óxidos de Enxofre),
NÚMEROS MOSTRAM QUE TRANSPORTES PÚBLICOS NÃO RECEBEM O TRATAMENTO ADEQUADO:
Ao mesmo tempo que os números claramente mostram que o transporte individual causa prejuízos e que o transporte público é parte da solução não apenas para a mobilidade urbana, mas também para a saúde e as finanças do país, o levantamento revela que o transporte coletivo perde passageiros e não recebe os investimentos adequados.
Por causa da crise econômica, o total de viagens feitas pelos brasileiros em um ano caiu de 64,2 bilhões para 64,1 bilhões.
No entanto, a principal queda foi no uso do transporte público: houve 3,8% menos deslocamentos nos ônibus municipais e 2,5 % menos nos sistemas de trilhos – trens e metrô.
A falta de prioridade ao transporte coletivo é medida também pelo tempo de deslocamento.
Das 22,8 bilhões de horas gastas nas viagens em um ano, 48% foram transporte coletivo, 30% nos deslocamentos não motorizados e 22% nos meios individuais.
Em cidades menores, o tempo médio de deslocamento é de 19 minutos, enquanto que nos municípios com mais de um milhão de habitantes, o tempo passou para 55 minutos.
Apesar de transportarem menos pessoas, os carros e motos ocupam a maior parte dos espaços e se beneficiam mais deles, por isso que o tempo de deslocamento no transporte individual é menor, porque é priorizado.

Sistemas de corredores de ônibus bem elaborados priorizam o pedestre, organizam o tráfego e incorporam soluções que agilizam o embarque e desembarque.
As autoridades devem estar atentas em relação à melhoria das condições dos serviços de ônibus e também para expansão dos sistemas de trilhos.
Dos 64,1 bilhões de deslocamentos nas 468 cidades analisadas, 29% foram de transportes coletivos, sendo que desse total, 20% por ônibus municipais, 5% por ônibus metropolitanos e 4% por metrô ou trem.
Os números são claros. Os ônibus são responsáveis pela maior parte do transporte coletivo no Brasil e devem receber atenção.
Assim os sistemas devem ser priorizados nos investimentos e os serviços modernizados, com a implantação de mais corredores que permitam deslocamentos mais rápidos, ao mesmo tempo que o transporte por trilhos, ainda tímido no Brasil, deve ser ampliado.
É importante destacar que o investimento em ônibus não anula o investimento em trilhos. Na verdade, o que deve haver é a criação de políticas que considerem a formação de redes com os dois modais integrados. Os trilhos atendem a demanda que já não é mais suportada pelo ônibus e o ônibus atende onde não é possível tecnicamente e viável financeiramente implantar trem ou metrô, por apresentar custo menor e mais flexibilidade.
A principal forma de deslocamento no Brasil é por meio não motorizado, o que também é deixado de lado pelas políticas de mobilidade.
De acordo com levantamento, dos 40% dos deslocamentos não motorizados: 36% são a pé e 4% de bicicleta.

Falta de políticas para a conservação e padronização das calçadas são grandes problemas nos deslocamentos. Cada vez mais os ônibus têm se tornado acessíveis, mas para quem tem alguma limitação, é quase impossível chegar até eles.
Os deslocamentos a pé no Brasil são desconfortáveis, inseguros.
As calçadas apresentam verdadeiros riscos e são inacessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. São altos também os custos com saúde pública por causa de acidentes com pessoas que caem em buracos e desníveis em calçadas.
As políticas para a conservação do calçamento são quase inexistentes em cidades dos mais diversos portes.
Além disso, o pedestre não tem prioridade em cruzamentos. O ciclo de semáforo para o verde ao pedestre demora e ainda não há educação suficiente do motorista em dar passagem para quem estar a pé.
A falta de prioridade ao pedestre é tão grande que não há sequer padronização das calçadas, quando elas existem.
Cada um faz sua calçada da maneira que quiser e com desníveis, inclusive para priorizar a entrada do carro na garagem, não se importando se a maneira como foi feita a calçada pode provocar acidentes.
Os dados são claros: Pensar no Pedestre e Investir no Transporte Público é Responsabilidade Fiscal e o que se espera de agentes públicos que devem, sobretudo, pensar no Ser Humano.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Adamo Bazani, antes de mais nada, que Bom que Você está de volta e espero que esteja muito bem na Sua Saúde e eu e todos nós, internautas, queremos te Parabenizá-lo pela Excelente matéria sobre a realidade do Transporte Público que infelizmente vem sendo tratada com descaso pelas autoridades públicas e que neste período de eleições municipais é muito Oportuno Abordar a situação para que os nossos candidatos, novos e reeleitos Prefeitos e Vereadores, possam ver a agir com força para a melhoria. Aproveitando a questão da falta de educação dos motoristas que não respeitam os pedestres, seria ótimo endurecer as punições aos irresponsáveis que por estarem num carrão cheios de serem os “Grandes do Asfalto”, podem fazer o que querem, com câmeras nos cruzamentos para multarem essa turma. Adamo, valeu, Gratidão pela Atenção e os nossos Parabéns pelo Trabalho, siga forte sempre !
Obrigado, amigo. Estou ainda voltando aos poucos. Meu pai ainda tem de me ajudar a fazer muitas coisas ainda, como digitações maiores. A cirurgia foi bem mais complexa que o previsto. Mas seguimos na luta.
Abraços
Sobre as calçadas poderiam colocar os presidiários para construir, hoje com aquele modelo paiver, se brincar da pra serem produzidos até nas penitenciárias. Um absurdo esses presos ficarem sem fazer nada, quando poderiam trabalhar para reparar danos cometidos à sociedade. Acho que poderiam fazer muita coisa na área de mobilidade utilizando esse tipo de mão de obra
Uma Excelente Ideia, meu caro, Daniel Duarte, além de melhorar as condições das calçadas a gente vai contribuir para ressocializar os detentos que, como a nossa cultura determina, “Não Presta para a Sociedade” e assim como Você disse, meu Amigo, servirá para repararem o prejuízo que nos causaram com os seus crimes e ainda reduzir os gastos com Presídios que nos arranca grande parte do nosso rico dinheirinho suado que ganhamos. Um Grande Abraço pra Você, ao Adamo Bazani e à todos os nossos Amigos internautas do Blog Ponto de Ônibus !
Só no Brasil que preso tem um custo alto ao estado, e não trabalha, esse país e uma piada, e os investimentos no transportes, sempre serão assim, porque a indústria do automóvel e que move o país, e pastes na economia, triste.