Etanol para gerar energia elétrica pode ser a resposta para aumentar autonomia de carros e ônibus com bateria

Nissan Van Elétrica Etanol

Sistema também pode mover caminhões e ônibus elétricos e estrutura de abastecimento é mais barata que os postos para hidrogênio. Foto: Divulgação Nissan. Matéria: Adamo Bazani

Nissan testa no Brasil uma van que possui pilha alimentada com etanol, água e ar. Autonomia pula de 200 quilômetros para 600 quilômetros com o sistema

ADAMO BAZANI

Atualmente, estão entre os principais entraves para a ampliação de frotas de carros e ônibus totalmente elétricos com baterias a baixa autonomia e os custos em relação aos veículos que se movem com combustíveis considerados mais tradicionais, como gasolina e diesel.

Dependendo do conjunto de baterias e do trajeto, um ônibus totalmente elétrico hoje pode circular como autonomia entre 200 e 300 quilômetros, o que é pouco para um veículo que precisa operar até 20 horas por dia.

Mas o etanol, um combustível abundante no Brasil, pode ser a resposta para a questão da autonomia e também dos custos.

É o que estuda, por exemplo, a Nissan, que apresentou no Brasil uma van movida com uma Célula de Combustível de Óxido Sólido –SOFC,  na sigla em inglês.

Esse sistema gera energia elétrica usando etanol, água e ar.

O abastecimento pode ser feito aproveitando qualquer rede de combustível, com uma mistura de 55% de água e 45 % de etanol.

Não há nenhum tipo de combustão e o veículo não é considerado híbrido.

De uma maneira geral, o álcool e a água são depositados no sistema para produzir hidrogênio por meio de quebra de partículas. O hidrogênio é o gás que será responsável por abastecer a pilha de combustível, gerando eletricidade.

O caminho de toda a essa reação, em linhas gerais, já o sistema é complexo, se dá da seguinte maneira:

  • O álcool puro, ou misturado com até 55% de água, é depositado no tanque de combustível ligado a um reformador catalítico.
  • É neste reformador que o álcool puro ou com água é aquecido, havendo quebra das moléculas.
  • Esta quebra resulta em hidrogénio, oxigênio e carbono.
  • Estes elementos são enviados para uma célula de combustível.
  • O hidrogênio e o oxigênio são transformados em água.
  • A movimentação destas partículas gera a energia elétrica.
  • A energia elétrica então é armazenada em uma bateria.
  • A bateria então vai distribuir a energia para a tração do veículo
  • O gás carbônico volta para aquecer o reformador
  • O restante do gás sai pelo escapamento com água na forma de vapor

Segundo a Nissan, o processo resulta em ciclo de carbono neutro, ou seja, o gás que é liberado está na mesma condição e proporção que encontrado na atmosfera, retornando aos níveis da primeira fase do processo produtivo do etanol, que é a renovação da safra de cana-de-açúcar.

PILHA MAIS BARATA:

Os estudos,  garante a montadora, mostram também que a produção e a operação deste tipo de veículo são mais baratas.

Isso porque ,ao contrário de outras pilhas a combustível, o sistema de Célula de Combustível de Óxido Sólido –SOFC, usa materiais mais baratos, tornando o valor do veículo mais em conta.

Hoje, por exemplo, outras pilhas a combustível usam até mesmo platina.

CUSTO POR QUILÔMETRO E AUTONOMIA:

Levando em conta, por exemplo, o carro a gasolina, que faz uma média de 8 quilômetros por litro, com o preço da gasolina em torno de R$ 4 o litro, as comparações dos custos por quilômetro são as seguintes, segundo a Nissan:

Carro à gasolina: R$ 0,30 por quilômetro

Veículo elétrico carregado em fonte externa: R$ 0,09 por quilômetro

Sistema de Célula de Combustível de Óxido Sólido –SOFC : R$ 0,10 por quilômetro, mas com maior autonomia.

Ainda de acordo com a montadora, a van com 30 litros de álcool puro ou misturado à água, pode rodar 600 quilômetros, é como se pudesse percorrer 20 quilômetros por litro.

Hoje a autonomia de um carro ou ônibus elétrico varia entre 200 e 300 quilômetros.

A van é um protótipo baseado no furgão elétrico da marca, NV200.

A Nissan garante que com baterias e tanques maiores, é possível fazer com que o sistema que move a van também seja suficiente para caminhões e ônibus.

Em relação aos transportes de carga, por exemplo, o sistema também pode fornecer energia para refrigeradores de caminhões frigoríficos ou mesmo ar condicionado de ônibus, no caso de passageiros.

ESTRUTURA E PREVISÃO:

A estrutura de abastecimento também tende a ser bem mais barata que, por exemplo, os postos para hidrogênio. Atualmente três ônibus a hidrogênio são testados no Corredor Metropolitano ABD ,operado pela Metra entre a cidade de São Paulo e o ABC Paulista.

A Nissan garante que podem ser utilizados os atuais postos de combustíveis, no entanto, não basta apenas misturar o álcool com a água de forma manual.

É necessário criar uma estrutura para realizar essa mistura.

A companhia garante, porém, que essa estrutura tem também o preço inferior.

Os testes com a van Nissan e-Bio Fuel-Cell devem inicialmente ocorrer em parceria com empresas de transporte no Brasil, Ásia, EUA e Europa.

A empresa acredita que o modelo esteja no mercado global em 2020.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Parabens Nissam.

    Produzam tambem essa van no Brasil, mesmo sendo flex.

    Att,

    Paulo Gil

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