Relatório da AIE estima que 36 mil pessoas podem morrer no Brasil em 2040 por causa da poluição

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Número, entretanto, pode ser reduzido para 13 mil no mesmo ano, se houver mais investimentos em transporte público e energia limpa. Diesel menos poluente não resolve problema, diz estudo, que pode ser baixado na íntegra no Blog Ponto de Ônibus

ADAMO BAZANI

Investir em transporte coletivo e nos meios de tração alternativos ao petróleo poderá poupar no ano de 2040 até 23 mil vidas humanas somente no Brasil.

É o que mostra relatório publicado nesta segunda-feira , 27 de junho de 2016, pela AIE – Agência Internacional de Energia.

A estimativa é que atualmente 22 mil pessoas perdem a vida prematuramente por ano, em média no Brasil, por exposição a poluentes fora de casa, em especial no ambiente urbano. Em 2040, 36 mil pessoas podem morrer no Brasil por causa da má qualidade do ar, considerando apenas a expansão da economia, sem contar novas formas de uso de combustíveis fósseis, como em carros a diesel, hoje em debate no Congresso.

Se as medidas adequadas forem tomadas agora, como ampliação das redes de transportes públicos e a redução da dependência do petróleo, o número de mortes em 2040 pode ser reduzido para 13 mil ao ano, que é considerado ainda muito alto, mas não deixando de ser um patamar bem inferior ao projetado sem as ações indicadas.

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Intitulado Energy and Air Pollution  -Energia e Poluição do Ar, o estudo mostra que 6,5 milhões de pessoas morrem por ano em todo o mundo devido à poluição do ar. O setor de transportes está entre os principais culpados.

O problema reside principalmente nos meios individuais de deslocamento.

Os transportes coletivos são apontados como a principal solução do problema junto com a mudança da matriz energética, ou seja, carros, caminhões e ônibus não devem depender majoritariamente dos combustíveis derivados do petróleo.

O caminho passa pelos trilhos e pelos o ônibus elétricos (bateria, híbridos ou trólebus) ou a biocombustíveis.

SÓ DIESEL MAIS LIMPO NÃO ADIANTA, DIZ AIE:

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Picape a diesel. Liberação dos carros pequenos com o combustível é polêmica no Brasil

Outro dado importante é que o diesel mais limpo pode ter efeitos positivos, mas insuficientes.

De acordo com o estudo, onde houve a mudança dos padrões do diesel Euro 5, em 2009, para Euro 6, em 2014, havia uma previsão de queda de 55% nas emissões de óxido de nitrogênio – NOx,  substância que pode ser cancerígena e até matar animais e vegetais. No entanto, a queda real foi de menos de 25%. Além disso, as emissões reais podem ser de cinco a sete vezes mais altas do que os testes realizados nos laboratórios. Já os carros movidos a gasolina poluíram 20% mais, mesmo com o combustível mais limpo.

No Brasil, é ainda adotado o padrão Euro 5 e, no setor de transportes, o diesel é utilizado somente em algumas picapes importadas, caminhões,  ônibus.  Locomotivas de carga usam diesel menos limpo ainda, mas são poucas unidades em comparação com o número de automóveis.

A liberação do diesel em carros de passeio é polêmica e é discutida por parlamentares.

O relatório ainda mostra que a queima de gasolina, diesel, gás natural, etanol e outras biomassas são a principal fonte dos poluentes que ceifam 6,5 milhões de vidas anualmente.

Entre os materiais lançados no ar mais nocivos estão:

-PM 2,5 : Materiais particulados finos que, por terem esta caraterística  penetram facilmente no organismo e atingem o sistema sanguíneo, o coração e o cérebro. O corpo quase não tem filtros naturais para estes poluentes.

– NOx – Óxidos de Nitrogênio: Estão entre os principais causadores de diversos tipos de câncer. Na atmosfera geram outro elemento químico extremamente tóxico para animais e plantas, o ozônio troposférico – O3.

– SO4 – sulfatos: Altamente tóxicos também, acabam sendo um dos geradores da chuva ácida.

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Excesso de carros de passeio e falta de estímulo a ônibus e ao metrô é o maior problema relacionado às emissões pelos transportes.

Se nenhuma medida adicional no mundo for tomada para restringir a poluição, o setor de energia deve consumir US$ 71 trilhões. Já com os investimentos para redução das emissões,  os custos seriam de US$ 76 trilhões, mas haveria compensação na redução dos gastos com saúde pública e infraestrutura só parar automóveis particulares.

O Energy and Air Pollution  -Energia e Poluição do Ar é um estudo que integra o World Energy Outlook, panorama mundial do setor de energia, eé divulgado uma vez por ano pela AIE – Agência Internacional de Energia.

Confira o estudo clicando no link:

Relatório da Agência Internacional de Energia

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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