Crédito para metrô no Brasil explode, mas linhas não vão para frente

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Complexidade de obras, problemas de gestão e modelos ultrapassados de licitação explicam a conjuntura

ADAMO BAZANI

Diferentemente do que muitos gestores públicos municipais e estaduais pregam, o principal problema para que as redes de metrô não tenham a expansão necessária não é a falta de recursos.

É fato que a crise econômica brasileira atrapalha a liberação dos recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, reduz a arrecadação e, consequentemente, a condição de investimentos dos governos locais.

No entanto, a crise econômica é pontual. Há problemas crônicos que ainda não são equacionados e nem mesmo pode-se dizer que existe total falta de recursos.

De acordo com a ANPTrilhos – Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos,  em 2015, o volume de recursos do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para obras de metrô, trens urbanos e VLT no Brasil subiu quase 50% em 2015 chegando a R$ 7,6 bilhões, a maior parte para São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

O total de recursos tem aumentado a cada ano

– 2011: R$ 703 milhões

– 2012: R$ 1,03 bilhão

– 2013: R$ 2,89 bilhão

– 2014: R$ 5,12 bilhão

– 2015: R$ 7,6 bilhão.

Diferentemente do que ocorreu com os ônibus que, segundo a NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos , tiveram perda de 4,2% em 2015 em relação ao ano de 2014, os sistemas metroviários registram aumentos de demanda, mesmo com a crise econômica. Segundo a ANPTrilhos, em 2015, o número de passageiros subiu 1,7% chegando a 2,9 bilhões de registros de passagens nos sistemas de todo o País.

Mas a malha continua estagnada. Em 2011, quando foram transportados 2,3 bilhões de passageiros por ano, os trilhos urbanos e metropolitanos no Brasil somavam 999 quilômetros. Em 2015, quando a demanda chegou a 2,9 bilhões de pessoas, a malha era de 1002 quilômetros.

A entidade diz que o problema da falta de expansão das linhas de Metrô e trens no país não é unicamente falta de recursos.

Entre os problemas crônicos que vêm muito antes de crises estão falta de prioridade ao transporte coletivo nas políticas públicas, ausência de capacitação técnica para a elaboração dos editais de licitação e modelos ultrapassados que concentram nos estados e municípios toda a implantação do sistemas.

O modelo que tem sido considerado mais próximo do considerado ideal é o de PPP – Parceria Público Privado adotado aos poucos pelos governos locais.

Pelas PPPs investimentos e responsabilidades são divididos entre poder público e iniciativa privada que tem o interesse de investir.

O importante é ver a mobilidade além da crise.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    O Brasil e “amarrado”, nao sei por quem, pois temos tudo para dar certo, mas tudo mesmo.

    Maria da Fe, uma cidade a 1200 m de altitude aproximadamente ja teve trem e olha que com certeza foi construida no lombo do burro.

    A estimada Estrada de Ferro Sorocabana – EFS, foi exemplo em todos os sentidos.

    Precisamo e de proclamar uma segunda independencia, so que com outra frase.

    “INDEPENDENCIA OU FALENCIA MULTIPLA DOS ORGAOS”

    Pena que os grandes nomes nao existem mais.

    Pelo visto estamos mais para falencia do que independencia.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Paulo Gil disse:

    Complementando:

    Maria da Fe e uma cidade do sul de minas proximo a Itajuba.

    Att,

    Paulo Gil

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