Comil fecha fábrica de Lorena por tempo indeterminado

Planta fazia ônibus urbanos

Funcionários foram demitidos e prefeitura diz não poder fazer mais nada. Outras fabricantes também suspenderam produção

ADAMO BAZANI

Por causa da redução das vendas e produção de ônibus, devido à crise econômica e à restrição de financiamentos, a fabricante de carrocerias Comil anunciou nesta quinta feira, dia 28 de janeiro de 2016, que encerrou a produção de ônibus urbanos na fábrica de Lorena, no interior de São Paulo.

Aproximadamente 200 trabalhadores devem ser demitidos. Cerca de 25 funcionários vão ser mantidos para o momento de transição dos negócios e conservação do patrimônio. Já 20 trabalhadores que eram da sede da empresa em Erechim e estavam em Lorena, voltam para o Rio Grande do Sul.

A Prefeitura de Lorena, em nota, informou que os incentivos fiscais adotados para implantação da empresa, que tem sede Erechim, no Rio Grande do Sul, foram legais e que o poder público fez de tudo para que a empresa se mantivesse no interior paulista.

As operações da encarroçadora continuam na sede gaúcha. A Comil funcionava em Lorena desde dezembro de 2013. Os investimentos foram de R$ 110 milhões.

Segundo representantes da Comil, tão logo a situação da economia do País melhore, aquecendo o mercado novamente, a planta de Lorena pode voltar a produzir. Enquanto isso, a planta em Erechim absorve as encomendas de urbanos. A Comil diz que não haverá atrasos na entrega das encomendas.

A empresa diz que teve crescimento de participação no mercado no ano passado, mas que o volume total de vendas está menor, afetando outras fabricantes.

A Marcopolo Rio, que também faz ônibus urbanos, na antiga planta da Ciferal, adotou o regime de lay off, suspensão temporária de contratos de trabalho, entre os dias 06 de janeiro e 06 de junho deste ano.

Confira a nota da Comil

“A COMIL ÔNIBUS S.A. anunciou hoje a paralisação das atividades de fabricação da sua Planta Industrial de Lorena, necessária devido à crise sem precedentes do mercado do ônibus no país que, associados a outros fatores políticos, sociais e econômicos, reduziram o mercado interno de ônibus em 16% em 2014 e 45% em 2015, somando mais de 50% nos últimos dois anos, agravado por forte redução nos preços praticados no mercado de carrocerias e sem perspectivas de retomada do mercado a médio prazo.

Ao longo dos últimos meses a Companhia, Funcionários e Entidade Sindical adotaram diversas ações na tentativa de superar ou minimizar o forte impacto da instabilidade econômica objetivando manter a atividade industrial. Infelizmente, estas ações, associadas aquelas adotadas na unidade matriz, não foram suficientes para compensar a brutal queda no mercado de ônibus e a consequente redução no volume de produção, tornando insustentável a continuidade das atividades industriais da planta de Lorena.

Ao longo de 2015, a Prefeitura envidou esforços para auxiliar a Comil a buscar soluções para reduzir o impacto desta forte crise que estamos enfrentando. Porém, em virtude de todo o contexto não há mais que possamos fazer e nem o poder público de Lorena.

A Companhia lamenta se somar a outras empresas que, diante deste cenário, também encerraram atividades e fecharam estabelecimentos, especialmente considerando o elevado investimento feito na região.

Embora todas as dificuldades decorrentes, a Companhia está envidando todos os esforços para minimizar os impactos decorrentes da decisão ora comunicada e garantir o cumprimento de todos os deveres trabalhistas e sociais, como sempre o fez. Será mantido alguns funcionários para realizar as atividades de transição e conservação do patrimônio.

A Comil reafirma o seu compromisso com o mercado nestes mais de 30 anos de atividade e reforça que a Planta de Erechim, que conta com capacidade de produção de 4.000 ônibus/ano, segue operando, produzindo todos os modelos de carrocerias e atendendo todas as demandas do mercado interno e externo.

A Companhia desde já expressa o infinito agradecimento pela dedicação de seus funcionários, e apoio da comunidade e administração pública local.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

12 comentários em Comil fecha fábrica de Lorena por tempo indeterminado

  1. Adamo, não houve redução no valor das passagens, não aconteceu redução do numero de passageiros, as empresas não estão renovando suas frotas por pura picaretagem, o passageiro não tem opção ou ele pega ônibus ou vai a pé, tudo e a crise, em SP estão até reduzindo as frotas e aumentando os intervalos, sendo que foi comprovado que aumentou o numero de passageiros, os números não fecham.

  2. JUAREZ REIS FERRI // 28 de Janeiro de 2016 às 15:47 // Responder

    De qualquer maneira , não é nada agradável ver novamente essa noticia, veja à situação ao qual está politica está nos levando . ( Investimentos,empregos,renda e futuro ) , ” incompetentes ao extremo ” dentre muitos outros adjetivos, todos nós sabemos, estou indignado

  3. Sandro R dos Santos // 28 de Janeiro de 2016 às 15:48 // Responder

    Boa Tarde,

    A prova de que a situação econômica do país está péssima está aí, mas uma fechando as portas e aumentando a lista de desempregados que o país tem atualmente, por conta de toda a crise vivida pelo país nos últimos anos.

  4. PARABÉNS DILMA, ALCKMIN E HADDAD! Q NÃO CONSEGUE FAZER UMA LICITAÇÃO Q PRESTE! SE O HADDAD AQUI EM SP FIZESSE LOGO ESSA DESSA LICITAÇÃO AQUI EM SP/SP…OS EMPREGOS DOS FUNCIONÁRIOS DA COMIL ESTARIAM BEM ! MUITA GENTE DAS EX COOPERATIVAS GOSTA DOS “MICRÕES” DA COMIL ! E DOS CONVENCIONAIS DELES!

  5. Investir 110 milhoes e perder esse investimento em apenas 2 anos é complicado não sei até onde isso possa afetar a saúde financeira da Comil….

  6. Sandro, estas empresas de transportes que estão fechando as portas, não são todas pela crise, geralmente e por desvio de dinheiro, falcatrua, tudo e questão de administração, vai ver se estes empresários que fecharam estas empresas estão pobres, nunca estiveram mais ricos, em SP a muitos anos atras teve um empresario que faliu uma empresa de ônibus so para não pagar direitos trabalhistas e depois de alguns anos abriu um empresa aérea em nome de laranjas e até hoje os seus ex funcionários estão a ver navio, não acredite em tudo que você le, a verdade na maioria das vezes e mais sinistra.

    • Sandro R dos Santos // 29 de Janeiro de 2016 às 10:06 // Responder

      Pedro, eu concordo com você e até conheço alguns empresários de empresas de transporte que já se utilizaram desta forma para dizer que estão em crise, e depois retornam com novas empresa usando laranjas a frente do negócio.

      Eu me refiro ao fechamento da Comil, como prova de que o nosso país está parado em todos os sentidos, sei que dentro deste ramo do transporte existe muita coisa não divulgada, pois aqui onde moro tenho contato com bastante gente deste meio e se comentar as histórias que conheço dá até medo, pois isto não é explicíto para todos, mas somente alguns tem acesso a este tipo de informação.

      • Sandro em relação a Comil concordo com você me causa muita tristeza quando uma empresa desta fecha, lamentável, me coloco na pele dos funcionários e muto triste, vamos torcer para que algo novo aconteça e esta situação se reverta.

  7. Fechou e não volta mais.

  8. Caros,

    Sinceramente, é preciso analisar todos os elementos disso. A Comil, embora tenha um ótimo produto, infelizmente é uma empresa administrada por amadores.

    Ela conseguiu perder sua operação no México há alguns anos e, realmente, a empresa acabou dando um passo no qual não estava preparada.

    Por muitas vezes, a empresa se preocupava mais com coisas pequenas do que realmente tinha a visão empreendedora. Uma visão tão míope, mas tão míope, que as principais preocupações era com a limpeza das mesas do escritório e se as pessoas conversavam durante do expediente.

    Enquanto alguns importantes e bem remunerados (amadores) executivos da empresa se preocupavam com isso, a companhia perdeu bons profissionais, perdeu ótimos clientes e, ainda, entregou de bandeja para a concorrência um grande cliente que tinha um projeto de compra de 250 carros.

    É claro que por motivos óbvios, não direi aqui nomes e nem marcas, mas uma parte da culpa do que está acontecendo é da própria diretoria desta brilhante companhia que acabou escolhendo muito mal alguns executivos que conduziram a companhia a este desastre.

    Eu sinto muito pelas pessoas que perderam seus empregos. Mas isso é apenas o reflexo de algo que estava escrito há pelo menos 5 anos.

  9. A próxima será a Neobus do rio.

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