Ônibus em circulação. Fabricantes dizem que frota no País poderia ter maior índice de renovação se juros de financiamentos fossem menores.
Hoje, na prática, juros giram em torno de 17%. Em entrevista ao Blog Ponto de Ônibus, presidente da entidade, José Antônio Fernandes Martins, diz que foi entregue uma carta ao BNDES com as sugestões do setor
ADAMO BAZANI
A produção para o mercado interno de ônibus no Brasil registrou no acumulado entre janeiro e novembro de 2015, queda de 44% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram produzidos 12 mil 498 ônibus neste ano apenas para o mercado interno. Os números são da FABUS – Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus.
A produção geral acumula neste ano entre janeiro e novembro queda de 37,4%, com 15 mil 970 unidades.
O que explica uma queda menor na produção total é o desempenho das exportações, segundo os relatórios da FABUS, aos quais o Blog Ponto de Ônibus teve acesso. As exportações subiram 8,3% também de janeiro a novembro de 2015 com volume de 3 mil 472 ônibus.
O presidente da FABUS, José Antônio Fernandes Martins, conversou por telefone com o Blog Ponto de Ônibus, nesta terça-feira 15 de dezembro de 2015.
Ele disse que o cenário do setor é preocupante tanto em relação à produção como ao nível de empregos. Segundo Martins, a expectativa é de que sejam produzidos em todo o ano de 2015 “algo em torno de 17 mil ônibus”. Se a previsão se concretizar, o número vai significar uma queda de cerca de 50% em relação ao nível de produção dos anos anteriores cujos números ficaram entre 32 mil e 34 mil ônibus fabricados.
Os números da FABUS passam a real situação do mercado de ônibus já que refletem não apenas a produção de chassis, mas o total de ônibus já encarroçados que vão para as ruas.
“A crise econômica é um fator preocupante, mas o principal problema do setor é o alto custo de financiamento. O Finame está muito pesado para os frotistas, o que está impedindo a renovação. Financiamento é fundamental.”– disse
Martins contou ao Blog Ponto de Ônibus que a FABUS e a ANFIR – Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários entregaram na semana passada uma carta ao BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social propondo novas taxas de juros para o Finame atreladas à TJLP -Taxa de Juros de Longo Prazo. Pela proposta, uma cobertura de quase o total do valor do ônibus poderia ter uma taxa de 11% a 12%. Hoje, na prática, os juros podem chegar a 17,5% ao ano.
VEJA A DIFERENÇA:
Hoje Finame Ônibus: Para pequenas e médias empresas, há cobertura de 90% do valor do ônibus, sendo que 70% têm juros de 9,5% ao ano e sobre os outros 20% incidem 17%. O prazo de pagamento é de seis anos. Para as grandes empresas, o financiamento também é de 90%, sendo que sobre 50% incidem 10% de juros e sobre os outros 40% do valor do ônibus, os juros são de 17,5%. O prazo também é de seis anos.
Proposta Finame TJLP- Ônibus e Caminhões:
Pela proposta dos fabricantes de ônibus Finame TJLP cobriria 90 % do valor do veículo tanto para micro, pequena, média ou grande empresa. O prazo de pagamento seria de até 180 meses com carência de um ano.
A composição dos juros seria da seguinte maneira: 70% do valor financiado teriam a TJLP, mais 0,9% de taxa do BNDES e mais a taxa do banco agente de crédito. Hoje a TJLP é de 7% ao ano. Os outros 30% do valor financiado teriam a TJLP, 1,9% do BNDES e mais o Spreed do banco que opera o financiamento.
“Acreditamos que esta proposta é compatível com a realidade econômica brasileira, não pressionando os cofres públicos e ao mesmo tempo vai estimular a produção de ônibus e renovação de frota, o que é um ganho para a indústria, para os trabalhadores e também para cidades com melhor serviços de mobilidade” – disse Martins
O BNDES ainda não deu ainda retorno aos fabricantes, mas estuda a proposta.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes