Biocombustíveis representam 17% da matriz energética dos transportes, diz governo

ônibus biodiesel

Ônibus em São Paulo que foi testado com mistura de 20% de biodiesel ao diesel convencional. A matriz energética dos transportes no País ainda é dependente dos derivados de petróleo, mas números têm mudado aos poucos. Foto: Ubrabio.

Número contabiliza biodiesel e etanol. Média dos países da OCDE é de 3,6%. Petróleo ainda é a maior matriz no segmento de transportes. Gás natural e energia elétrica são minoria

ADAMO BAZANI

O Ministério de Minas e Energia divulgou um balanço sobre a participação dos biocombustíveis na matriz energética dos transportes, tanto os de carga como os de passageiros.

Segundo o governo federal, no ano passado, 7,6% do que ônibus, carros, caminhões e locomotivas a combustão consumniram são biocombustíveis.

Este percentual incluiu etanol, que forma a maioria desta classe de combustível, e biodiesel, usado com proporção maior na mistura ao diesel convencional para abastecer ônibus e caminhões.

Apesar de o número ser aproximadamente em torno de cinco vezes maior que dos 34 países membros da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, tomado como referência e cuja média dos biocombustíveis na matriz é de 3,6%, ainda no Brasil a supremacia é de derivados de petróleo, em especial gasolina e óleo diesel.

A participação dos derivados de petróleo na matriz energética dos transportes é de 80,3%. Em 1973, quando o Governo Federal fez a primeira apuração, a participação era de 98,9%.

Os dados mostram uma mudança, ainda que lenta, no comportamento da indústria de transportes.

Vale ressaltar também que muitos dos países membros da OCDE têm usado mais a energia elétrica como matriz dos transportes, em especial no segmento de urbanos de passageiros.

Enquanto que nos países membros da OCDE, a eletricidade responde por 0,8% da matriz dos transportes, no Brasil, este número é de apenas 0,2%.

Os valores baixos, tanto no Brasil como na OCDE, se explicam pelo fato de a eletricidade ainda estar mais restrita ao segmento de transportes coletivos urbanos e metropolitanos de passageiros. Nos dois casos, no entanto, mostram que há espaço para a expansão da eletricidade para os transportes.

O Gás Natural também responde por uma parcela pequena da matriz dos transportes no Brasil e na OCDE com 1,8% e 2,1%.

Segundo a Resenha Energética Brasileira, onde estão estes números, “a redução da participação do gás natural na matriz de transportes dos países da OCDE pode ser um sinal da inconveniência de se adotar políticas favoráveis ao seu uso em veículos. De fato, sendo o gás um combustível nobre não-renovável e menos poluente, é contraditório promover a sua utilização em veículos com eficiências em torno de 30%, quando o seu uso na indústria chega a eficiências acima de 80%. Mesmo na geração elétrica, as eficiências são bem maiores. Em processos de cogeração, por exemplo, as eficiências podem ultrapassar 70%, como já verificado no Brasil.”

BiodieselaB20Ubrabio2

Segundo nota do Ministério de Minas e Energia, a mistura maior de biodiesel no diesel convencional (B 7, sendo 7% de biodiesel na composição geral do combustível dos ônibus e caminhões), aumentou a demanda pelo biocombustível. Até novembro do ano passado, a mistura era a B 5 – 5%. A estimativa é de que até 2018, o diesel tenha mistura B 10. Alguns ônibus urbanos foram testados com o B 20.

Acompanhe nota sobre o biodiesel e o etanol:

“A produção de biodiesel, no acumulado do ano até maio, atingiu 1.609 mil m³, um acréscimo de 28,4% em relação ao mesmo período de 2014. Apenas em maio, a produção foi de 339 mil m³. O crescimento é estimulado com a adoção de maior percentual de biodiesel no diesel convencional, a mistura B7 (7% de biodiesel), iniciada em novembro de 2014. A capacidade instalada de produção de biodiesel foi de 7.349 mil m³/ano. Dessa capacidade, 94% dos produtores são empresas detentoras do selo Combustível Social, criado para estimular a inclusão social na agricultura dentro da cadeia produtiva do biodiesel.  Quanto ao etanol (hidratado), a produção em maio (safra 2015/2016) foi de 1,9 bilhão de litros. Foram consumidos no mês 1,4 bilhões de litros de etanol.

Até maio deste ano foram realizados três leilões para a compra de biodiesel pelas distribuidoras de combustível, totalizando 43 desde o início do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. No último realizado, o 43º Leilão de Biodiesel, foram arrematados 661,5 milhões de litros, sendo 99,8% deste volume oriundo de produtores detentores do selo Combustível Social. O preço médio foi de R$ 2,171/L, sem considerar a margem Petrobras, e o valor total negociado atingiu o patamar de R$ 1,44 bilhão, refletindo um deságio médio de 11,35% quando comparado com o preço máximo de referência médio (R$ 2,449/L).  Ainda neste ano serão realizados mais três leilões – o L44 (entrega em setembro e outubro), o L45 (entrega em novembro e dezembro) e o L46 (que é realizado no final do ano para entrega de biodiesel em janeiro e fevereiro de 2016).”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: