Licitação dos Transportes em São Paulo: Edital prevê ônibus a Gás Natural

Publicado em: 20 de julho de 2015

biogás

Ônibus que pode ser movido a gás natural ou a biometano da Scania em testes na cidade de Sorocaba. Veículo agora é avaliado na cidade de São Paulo que prevê a tecnologia na licitação dos transportes.

Modelo internacional é testado na cidade de São Paulo

ADAMO BAZANI

Uma das críticas em relação ao processo de licitação dos transportes municipais em São Paulo é em relação à ausência de um cronograma para a implantação de ônibus não poluentes ou que reduzem as emissões de poluição.

A Lei de Mudanças Climáticas, que prevê que toda a frota de ônibus da capital paulista não dependa de combustíveis fósseis a partir de 2018, dificilmente será cumprida. O próprio secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, admitiu que nesta data ainda a maior parte dos veículos continuará sendo movida a óleo diesel. O não cumprimento da lei é alvo de insatisfação de entidades de defesa do meio ambiente. Confira neste link: https://diariodotransporte.com.br/2015/07/15/frota-limpa-lei-de-mudancas-climaticas-nao-foi-levada-a-serio/

No entanto, além da permanência dos trólebus e da possibilidade da colocação no sistema de ônibus elétricos a bateria, a minuta do edital prevê, mas não obriga,  a circulação de ônibus a gás natural, combustível também obtido pelo petróleo, mas que é menos poluente que o óleo diesel atual que já traz ganhos de redução de emissões em comparação ao diesel usado nas tecnologias anteriores.

Segundo a minuta, os ônibus a gás natural não podem demorar muito tempo para serem abastecidos nas garagens:

“No caso do motor a gás, os cilindros de armazenagem e seus suportes de sustentação devem estar dispostos de modo a proporcionar fácil acesso à manutenção. Devem ser atendidas as normas de segurança específicas para cilindros de armazenagem de combustível, válvulas de segurança e tubulações integrantes do sistema, além dos aspectos envolvidos no abastecimento dos veículos. O tempo máximo de abastecimento do veículo movido a Gás Natural deve ser de 4 minutos.” – diz o texto.

O edital, no entanto, não estipula uma frota mínima deste tipo de veículo.

SCANIA TESTA ÔNIBUS INTERNACIONAL EM SÃO PAULO:

Uma das fabricantes de ônibus a gás natural no mundo é a sueca Scania.

A empresa no Brasil sediada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, testa na cidade de São Paulo um modelo produzido na Suécia, onde o uso deste tipo de ônibus já é comum. Trata-se de um Scania Citiwide, de 15 metros de comprimento e três eixos, K 280 – 6X2 *4 – DC 09 280, com chassi e motor feitos na Suécia e a carroceria na Polônia pela própria Scania.

É o mesmo ônibus que foi testado entre outubro e novembro no Parque Tecnológico da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, no Paraná, e entre dezembro e janeiro no complexo industrial da Braskem, em Triunfo, no Rio Grande do Sul. Nestes dois locais, no entanto, o modelo que foi fabricado para circular com gás natural, foi movido por biometano, obtido pela decomposição do lixo.

Em São Paulo, os testes, segundo a SPTrans, são com o gás natural, a exemplo do que ocorreu na cidade de Sorocaba, no interior paulista, entre os dias 25 e 27 de fevereiro. No mês de maio, o mesmo veículo foi exposto em Florianópolis, Santa Catarina, com gás natural.

O veículo circulou na cidade de São Paulo sem passageiros em regiões como a Zona Leste da capital. A SPTrans não divulgou os resultados.

A estimativa é de que um ônibus a gás natural pode reduzir entre 25% e 40% o nível de poluição.

A cidade de São Paulo já contou com ônibus a gás natural, entre os anos de 1980 e 1990, principalmente pela CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Os veículos não tiveram boa fama por causa do nível de ruído alto e do desempenho que deixava a desejar.

Mas as fabricantes garantem que hoje a realidade é diferente pelo sistema de injeção eletrônica com sensores que determinam a injeção correta de biometano para otimizar a queima do combustível e garantir eficiência no funcionamento. Além disso, o tempo de abastecimento era maior no passado porque o combustível era armazenado em carretas que realizam a operação.

A Scania pretende produzir ônibus a gás natural no Brasil e os testes em São Paulo são fundamentais para a visibilidade do veículo em todo o País, além de ser uma exigência nas minutas do edital em relação à potência e torque dos motores:

“Os valores de velocidade em função do tempo, em pavimentos planos e em aclives a partir do repouso, serão definidos pela SPTrans com base em dados reais de linhas de operação na cidade de São Paulo. Para os veículos que utilizem combustíveis alternativos ao óleo diesel, será necessária a avaliação técnica para aprovação da SPTrans.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Até O 362 movido a gás metano nós já tivemos por aqui.

    http://onibusbrasil.com/blog/2010/05/04/onibus-movido-a-lixo-completa-16-anos-mas-tecnologia-nao-recebeu-aprimoramentos-necessarios/

    Passados 35 anos ainda estão falando que isso é novidade.

    Tem vídeo no youtube onde recentemente governantes falam que esse buzão é novidade; para né.

    Novidade é a roda que funciona até hoje.

    Edital prevê mas não exige.

    Será que não há um engenheiro no Brasil capacitado para falar se o Buzogás funciona ou não funciona.

    A matéria não é tratada com seriedade; ou esse Buzogás funciona ou não funciona pois é sempre o mesmo “fogo de palha”.

    E o E-bus da Eletra é ficção ou é realidade, então porque não privilegia a indústria nacional anti poluente e coloca e-bus para rodar, iniciando pelas áreas onde o ar tem a pior qualidade na metrópole.

    Será que não dá para trabalhar direito e tecnicamente ??

    Só uma coisa é certa; no Brasil o que não vai faltar é matéria prima para produção do gás natural ou biometano, de tanta “caca” que aqui se faz diuturnamente.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Pedro disse:

    O que eu já ouvi de estão em teste e brincadeira, se juntassem todos os ônibus que fizeram teste em Sp daria uma frota, existe muito interesse econômico em jogo, principalmente das montadoras de motores a diesel, e são eles que patrocinam a manutenção desta tecnologia, e como nossos governantes gostam de uma propina, vamos ficar testando novas tecnologia eternamente, até mesmo os nossos trólebus foram renovados com tecnologia obsoleta de 100 anos atras.

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