MOVE BRT é responsável por pequena elevação de pessoas no transporte público
Publicado em: 2 de julho de 2015

Ônibus do sistema de corredores BRT Move. Segundo BHTrans, aumento no número de passageiros foi pequeno, mas ciclo de queda foi revertido.
BRT de Belo Horizonte é responsável por pequena elevação no número de passageiros nos transportes públicos
Ciclo de queda de quatro anos consecutivos foi interrompido
ADAMO BAZANI
Com agências
Após um ano de operação, o BRT Move, sistema de corredores e estações de ônibus em Belo Horizonte, foi responsável por aumentar em 0,8% o total de passageiros neste tipo de transporte público na capital mineira. Segundo dados da BHTrans – Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte, antes de o BRT começar a operar, em março de 2014, o número de passageiros nos ônibus era de 441 milhões por ano. Passados doze meses de funcionamento, este total subiu para 445 milhões.
Mesmo a diferença sendo pequena, a BHTrans diz comemorar já que foi revertido um ciclo de queda intensificado em 2011. A até 2013 foi de 75 milhões de registros de viagens individuais.
Os dados mostram que vale a pena investir em transporte público mais rápido e moderno, o que é garantido por um sistema de BRT, para que as pessoas deixem o carro em casa, um dos grandes desafios das médias e grandes cidades em todo o mundo.
No entanto, as formas de investimentos ainda recebem críticas da população e de especialistas do setor de transportes. Há ainda falhas no Move BRT como a qualidade das estações e a necessidade de mais espaços segregados para os ônibus.
A expansão do BRT em Belo Horizonte também tem sido lenta, abaixo das necessidades da população. O motivo principal é a falta de verbas.
A previsão é de que até 2020, a capital mineira tenha 160 quilômetros de corredores de ônibus. Até agora, no entanto, foram inaugurados 23 quilômetros.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


O que ocorre em BH é que o MOVE não foi implantado totalmente conforme o projeto. Houve um erro de cálculo de demanda. Um exemplo claro é a Estação São Gabriel. Muitas das linhas diametrais (bairro a bairro passando pelo centro) e semi-expressas/radiais (bairro a centro) da região ainda não se transformaram em alimentadoras da estação, porque a estação JÁ ESTÁ SATURADA. Foram troncalizadas apenas parte das linhas, e essas linhas já geram demanda na estação que impede a inclusão de novas linhas. Isso também ocorre em outras estações, inclusive o corredor central.
O problema piora no chamado MOVE METROPOLITANO, que são as linhas do MOVE gerenciadas pela Secretaria de Transportes do Estado e que interligam as cidades da RMBH. A maioria das estações de integração previstas não está pronta. Ai a troncalização é feita em estações provisórias, em estado precário. A atual rodoviária de BH, que no projeto está prevista se tornar uma estação de integração para linhas do Move metropolitanas, ainda não foi liberada, porque a nova rodoviária ainda sequer foi construída. Ai as linhas metropolitanas precisam dividir espaço no corredor central com as municipais, as saturando e impedindo a expansão de linhas de ambas.
Enfim, o MOVE foi um grande avanço no TC da cidade, e os problemas que estão ocorrendo não são devido ao MOVE em si, e sim ao projeto, não inteiramente implantado. Esses erros e atrasos tem causados esses nós, esses gargalos, que impedem o avanço do sistema. Algo tem de ser feito.