TURISMO: Goiânia – o início e o fim de vários caminhos

ônibus

Moradores indo para fazendas de gado leiteiro em Piracanjuba. Um passeio de ônibus entre Goiânia e Caldas Novas é uma gostosa oportunidade de conversar com a população rural que pela simplicidade tem muito a ensinar com uma posa bem à vontade. Foto: Adamo Bazani

Goiânia: o início e o fim de vários caminhos

Capital de Goiás, bem planejada, abriga diversas atrações como parques e outras áreas de convivência. Também permite acesso fácil a outros pontos de diversos tipos de turismo

ADAMO BAZANI – CBN

Você já procurou pedir informação para alguém na rua e as pessoas quase não olharem em sua cara ou responderem com má vontade?

É desagradável, mas se você for a Goiás, isso dificilmente vai acontecer, com exceções, é claro.

A hospitalidade da população de Goiás chama a atenção. E esta característica não é apenas nos lugares onde são recebidos turistas, cujos trabalhadores são mais preparados para lidar com o público.

Nos ônibus urbanos, bairros mais distantes, praças, padarias, shoppings… bastou fazer uma pergunta que haverá uma pessoa disposta a informar (e bem).

O estado de Goiás, que possui pouco mais de 6,5 milhões habitantes segundo estimativa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2014, era até 1744 território pertencente à Capitania de São Paulo. O desmembramento total ocorreu em 1748.

Vaca Brava

Goiânia possui vários espaços com ambientes familiares que são uma excelente pedida para um dia relaxante, como o Parque Vaca Brava. Foto: Adamo Bazani.

Existe mais de uma explicação para o nome Goiás. Uma das mais aceitas é de que a região era habitada por uma tribo desenvolvida que fazia parte dos tupis. Este povo era chamado de Goyá ou Guaiana. O termo Guiaí usado pelos índios para designar a região é a junção de Gua e iá que em tupi significa algo como “indivídua igual”, “pessoa da mesma origem”.

A criação da capitania de Goyaz se deu quase um século depois de a região ganhar importância pela descoberta de ouro.

Os primeiros bandeirantes encontraram ouro na região em 1682.  Esta bandeira era formada por Francisco Bueno e pelo filho Bartolomeu Bueno da Silva, que ficou conhecido na história como Anhanguera, que significa “diabo vermelho”.

Anhanguera, segundo os relatos históricos, teria recebido este apelido dos índios porque ameaçou colocar fogo em rios, fontes e matas usando água ardente. Ele viu as índias com adornos feitos de ouro e queria saber onde ficavam as jazidas. Como não conseguia a informação, provocou fogo com água ardente para convencer os índios de que tinha “poderes sobrenaturais”. Amedrontados, os índios então indicaram onde estava o ouro.

A quantidade de ouro em Goiás era menor que em outras regiões. A partir de 1780, a capitania de Goiás começou a entrar em declínio econômico. As atividades se restringiam à subsistência e a população acabou isolada.

Nesta época já era forte a movimentação para que a sede da capitania, que depois se tornaria estado, mudasse de local.

A sede era Vila Boa de Goyaz hoje a cidade de Goiás, conhecida também como Goiás Velho ou Cidade de Goiás, que atualmente possui cerca de 25 mil habitantes e em 2001 foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Histórico Cultural Mundial pela arquitetura.

Apesar de a movimentação para a transferência ter começado no final do século XVIII, foi apenas em 02 de agosto de 1935 que o governador Pedro Ludovico Teixeira pelo Decreto estadual 327 tornou Goiânia a capital de Goiás. A inauguração oficial só ocorreu em 5 de julho de 1942.

Nacional Expresso

Ônibus da Nacional Expresso que sai de Santos, passa pelo ABC Paulista, Terminal Rodoviário do Tietê até Goiânia. Viagem é de 16 horas, mas o tempo passa rápido na estrada. Foto: Adamo Bazani.

Antes mesmo da criação da capital, o município firmou um plano de urbanização, em 1935, com a formulação de avenidas em forma de eixos.

Uma das grandes vias de Goiânia, a Anhanguera tem 14 quilômetros de extensão e é servida por um corredor de ônibus articulados e biarticulados chamado pelos passageiros de “eixão”.

O transporte coletivo nesta via recebe prioridade com separação dos demais veículos e o embarque é feito em estações acessíveis com os pisos no mesmo nível do assoalho dos ônibus. Por R$ 3,30, é possível andar praticamente por toda a cidade fazendo integrações nos terminais. Pelo mesmo valor, o passageiro ou turista pode ir para outras cidades, como Trindade, chamada pelos goianos de Capital da Fé. É lá que fica o Santuário do Divino Pai Eterno que recebe romarias de todo o País. Mas para conhecer a cidade, que além de ter o santuário, possui painéis com temas religiosos na estrada, não é necessário fazer nenhuma romaria.

ônibus Brasília

Brasília é um dos destinos possíveis a partir de Goiânia. Terminal de ônibus e metrô fica bem perto do eixo monumental. Um passeio a pé é convidativo. Foto: Adamo Bazani.

Catedral de Brasília

Obra de Oscar Niemeyer, Catedral de Brasília é um espaço de contemplação interior e traz uma paz, independentemente de religião. Foto: Adamo Bazani

Juscelino Kubitscheck

Museu do Senado é uma opção interessante de ter acesso a uma parte da história com relíquias como pertences pessoais originais de Juscelino Kubitscheck. Foto: Adamo Bazani

É simples e bem barato. A passagem é R$ 3,30, mas os ônibus não têm cobrador. É necessário comprar um bilhete de papel com tarja magnética. Procure comprar em terminais. Camelôs vendem por R$ 3,50. A partir da rodoviária, na avenida independência, ao lado da Praça do Trabalhador, onde fica a Feira Hippie, basta pegar o ônibus urbano da linha 400 rumo a praça A. Na praça A, se localiza um terminal de integração. O passageiro deve pegar o ônibus BRT eixão até o final da linha no setor Campinas. Neste mesmo terminal, sem pagar nada a mais, o passageiro embarca no ônibus articulado metropolitano da linha 112 rumo a Trindade. O ônibus para a três quadras do Santuário.  A cidade é agradável e a caminhada vale a pena.

A partir de Goiânia também é possível chegar a Brasília e desfrutar da impressionante arquitetura da capital federal. Independentemente de religião, a Catedral de Brasília com os vitrais azuis, os anjos e cor clara das estruturas é um local de contemplação. Obra de Oscar Niemeyer.

Nos finais de semana, há visitas gratuitas guiadas pelo Congresso. É possível conhecer a Praça dos Três Poderes, sentar nas cadeiras dos deputados, ver o plenário do Senado e as obras de arte espalhadas pelo interior do prédio do Congresso.

De Goiânia para a Praça dos Três Poderes também é fácil e barato. A partir da rodoviária, pegue o Viação Goiânia, cuja passagem custa R$ 51,29. A viagem é de cerca de 3 horas com a linha direta. A Viação Araguarina, do mesmo grupo, cobra menos, mas para no meio do caminho e a viagem é mais demorada.

Chegando à rodoviária interestadual de Brasília, o passageiro deve ir até a estação do metrô, que fica ao lado. A passagem custa R$ 2,00. Basta pegar o metrô no sentido Estação Central. É nesta estação que o turista deve descer. Pronto, saindo dela, pela rodoviária do Plano Piloto já é possível ver a Biblioteca Nacional de Brasília, a Catedral e a Praça dos Três Poderes, no chamado Eixo Monumental. Como uma atração é muito próxima da outra, vale a caminhada.

eixão Goiânia

Ônibus do corredor BRT de Goiânia. Transporte é integrado e por R$ 3,30 é possível andar por praticamente toda a cidade. Foto: Adamo Bazani.

ônibus

Ônibus metropolitano integrado vai para municípios vizinhos, como a cidade de Trindade. Foto: Adamo Bazani.

Santuário Divino Pai Eterno

Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade atrai devotos do país inteiro. Cidade é tranquila e inspira um convidativo passeio a pé. Foto: Adamo Bazani

Caldas Novas também é outro ponto fácil de ir a partir de Goiânia. A cidade, famosa pelos parques aquáticos, é bem tranquila. Não é necessário se hospedar nos hotéis e parques que possuem os complexos aquáticos. Há alguns estabelecimentos que cobram apenas o uso dos equipamentos e espaços. Mas antes de ir a um destes lugares, vale a pena dar uma volta pela cidade, com destaque para o clima calmo e relaxante e para a igreja Matriz, de Nossa Senhora das Dores.

Da rodoviária de Goiânia, uma opção é a Viação Paraúna, cuja passagem é de R$ 31,20. A Viação Estrela também faz o trajeto. Dependendo da linha, a viagem dura 3 horas e meia.

Mas chegando a Caldas Novas, prepare-se. A rodoviária é longe do Centro para ir a pé. Não existe ônibus urbano. Os taxistas cobram em torno de R$ 25,00 e prometem a volta por R$ 20,00. Tudo isso para rodar menos de 10 minutos. Mas não é necessário desembolsar esse valor se a pessoa estiver disposta a andar de moto-táxi. Os motociclistas cobram R$ 6,00. Converse com o piloto e explique que você não está habituado andar de moto, se for o caso. Eles vão devagar e com segurança.

O caminho de Goiânia para Caldas Novas também é um espetáculo para quem gosta de estrada. Fazendas como na cidade de Piracanjuba, onde é possível ver o gado leiteiro nos pastos são cenas que tranquilizam quem está cansado da correria das cidades.

ônibus Parauna

Ônibus da Viação Paraúna que liga Goiânia a Caldas Novas. Passeio pela estrada é um espetáculo à parte. Foto: Adamo Bazani

Rodoviária de Caldas Novas

Rodoviária de Caldas Novas possui monumento em homenagem à região. Foto: Adamo Bazani

Matriz de Caldas Novas

Além dos parques aquáticos, Caldas Novas se destaca por ser uma cidade bem calma e com atrações familiares. Simplicidade dá beleza à igreja matriz, de Nossa Senhora das Dores. Foto: Adamo Bazani.

O povo simples que desce do ônibus para as fazendas sempre tem uma conversa boa durante a viagem. São guias turísticos por essência.

Vale passear por Goiânia de ônibus urbano e conhecer a cidade. Uma tarde de domingo pode ser bem curtida no Parque Vaca Brava, que possui lago, pista de caminhada e um ambiente bem familiar.

Para chegar até o Vaca Brava, do terminal de ônibus da Praça A pegue a linha 011.

Vaca Brava era uma fazenda e o território foi um dos escolhidos para sediar a capital.

Passear de ônibus é muito mais que uma viagem de turismo. É conhecer de perto a realidade da população local e não só ver, mas sentir e fazer parte de cada região.

Goiás é um estado com população bem receptiva. Além da história e das atrações turísticas e naturais, é isso que torna a ida ao estado bem agradável.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em TURISMO: Goiânia – o início e o fim de vários caminhos

  1. Gostei. Um texto simples, contando as rotinas de bons lugares.

  2. Amigos, boa noite.

    EEEEeeeeeeeeeeeeeeeee GOIANIA…

    AI Adamo, foi conhcer o paraiso heim.

    Essa primeira foto mostra tudo, quando o buzao de Anapolis para Sampa via Catalao essa paisagem e inigualavel.

    Nas estradas que ligam Goiania a Catalao (alem de ser um tapete), certa vez um tucano deu um razante na frente do meu carro, foi uma das belas e inesqueciveis cenas que vi nesse Brasilzao.

    O futuro do Brasil esta no centro oeste, bom isso JK ja preveu ha mais de meio seculo.

    Faltou uma foto de um buzao da Real Expresso que faz Sampa Rialma e tem um horario que sai de Sampa no Tiete as 19:01 hs, a viagem e show apesar de rodar a noite toda.

    Mas 6:00 da manha o buzao para em Goiatuba para o cafe e logo se ve o sol, o canto dos passaros e o modao.

    CHEGAMOS EM GOIAS.

    Cmo dizem por la e BAO.

    Um dia eu vou e nao volto nunca mais, nem pra andar de buzao cinza cinzento como e Sampa.

    Viva Goias

    Att,

    Paulo Gil

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