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Prefeitura de São Paulo deixa para trás maioria das obras de transportes em várias gestões

Passam gestões e mais gestões e obras de corredores de ônibus ficam emperradas. Muitas destas estruturas não passam de faixas pintadas à esquerda.

Prefeitura de São Paulo deixa para trás maioria das obras de transporte público
Intervenções começaram em 2003 e deveriam ter sido entregues até 2013, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo
ADAMO BAZANI – CBN
Em 2003, quando já era secretário de transportes na cidade de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy, o atual titular da pasta novamente, Jilmar Tatto, na apresentação do sistema interligado de transportes, não só apresentou na época a licitação dos serviços de ônibus como lançou uma série de projetos de construção de corredores de ônibus, terminais e estações de transferência.
Passados 12 anos, dois prefeitos (José Serra e Gilberto Kassab), muito pouco das promessas de intervenções para melhorar a mobilidade urbana saiu do papel.
O levantamento é do jornal Folha de São Paulo, em matéria assinada pelo repórter Giba Bergamin Júnior.
De 300 quilômetros de corredores de ônibus prometidos, só 83 quilômetros foram entregues. Dos 30 terminais de ônibus, apenas 15 foram erguidos e a situação das estações de transferência, que oferecem maior conforto ao passageiro nas integrações, é pior: das 315 apresentadas à população como projeto, apenas 3 podem ser usadas.
A falta de comprometimento para cumprir promessas e a descontinuidade política, isto é, “se a promessa foi do meu opositor então não vou fazer” pesaram muito mais que questões financeiras.
Dos 300 quilômetros de corredores de ônibus, Marta Suplicy entregou 71 quilômetros. Dos 30 terminais, sua gestão deixou prontos apenas seis.
Já nas gestões de José Serra e Gilberto Kassab, o ritmo foi reduzido mais ainda em relação aos corredores: 11,8 quilômetros de corredores e nove terminais de ônibus construídos.
Na licitação dos transportes em 2003, era previsto no edital que as empresas de ônibus teriam de assumir os custos destas obras. Mas quando o contrato foi assinado, a obrigatoriedade foi excluída.
Agora Haddad prevê as construções de terminais e corredores com verbas públicas, boa parte do Governo Federal. Mesmo assim, por erros de projetos e dificuldades de relação com o TCM – Tribunal de Contas do Município, que barra quase todos estes projetos, a meta dos 150 quilômetros de corredores até 2016, entre continuação de obras antigas e a criação de outras, corre risco de não ser cumprida.
Ao jornal Folha de São Paulo, o secretário municipal de transportes culpa a descontinuidade dos sucessores de Marta e diz que depois de 10 anos, quando assumiu a pasta de novo, não encontrou nenhum novo projeto significativo de transportes e ainda se deparou com o sistema de Bilhete Único desatualizado.
Já pela assessoria, José Serra criticou veemente a gestão de Marta, ao dizer que “teve como marca a implementação de um transporte público eficiente em contraposição ao sistema deficitário, irracional, caótico e anárquico deixado pela gestão anterior”
Bem mais ponderado que nas outras vezes, já que agora faz parte da equipe petista do governo federal, frente ao Ministério das Cidades, Kassab diz que implantou 11,8 quilômetros de corredores de ônibus, 100 quilômetros de faixas exclusivas (foram 92 quilômetros na verdade), renovou 89% da frota de ônibus (quem faz a renovação são as empresas e não a prefeitura, que pode estipular as metas) e que consolidou a integração do Bilhete Único com a CPTM e o Metrô
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Com informações de Giba Bergamim Júnior, repórter da Folha de São Paulo

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