Modelo da RIT com mesmo valor das passagens em 14 cidades está mais próximo do fim

ônibus

Ônibus metropolitano. Modelo da RIT pelo qual passageiros pagavam o mesmo valor de tarifa em 13 cidades da região metropolitana e Curitiba deve chegar ao fim. Passagens metropolitanas devem ter valores diferentes, de acordo com a distância em relação à Capital. Motivo para o fim é a briga política entre estado e prefeitura. Foto: Adamo Bazani.

Passagens das cidades da região metropolitana serão diferentes da praticada na Capital
O motivo é a briga política entre estado e prefeitura que inviabiliza a continuação da RIT com as integrações gratuitas e mesmas tarifas entre as 14 cidades da região metropolitana
ADAMO BAZANI – CBN
A briga entre estado do Paraná e prefeitura de Curitiba em relação aos transportes é política. Nas esferas do poder não há vencedores e quem perde na prática são os passageiros do transporte coletivo, as empresas prestadoras de serviço e um dos sistemas de mobilidade urbana mais consagrados no País.
Após várias tentativas de acordo, com propostas apresentadas pela Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (governo estadual) e rejeitadas pela Urbs – Urbanização de Curitiba S.A. (prefeitura de Curitiba), está prestes a chegar ao fim o modelo pelo qual com o mesmo valor de tarifa e com integrações gratuitas os passageiros podiam ter acesso às 14 cidades da região metropolitana. Trata-se da RIT – Rede Integrada de Transporte.
Assim, os valores das passagens dos ônibus metropolitanos que ligam as cidades vizinhas à Capital devem ser diferentes dos praticados em Curitiba. A partir desta sexta-feira, dia 06 de fevereiro de 2015, a passagem municipal passa de R$ 2,85 para R$ 3,15 para os passageiros que pagam com o cartão transporte e de R$ 2,85 para R$ 3,30 no caso de pagamentos em dinheiro.
Já as tarifas metropolitanas ainda vão ser definidas. O preço deve ser estipulado de acordo com a distância até Curitiba.
A estimativa é de que o passageiro no sentido Capital pague a tarifa metropolitana, que deve ser mais alta. Na volta, o passageiro deve pagar o valor da tarifa municipal, mais baixo. Além disso, há estudos para algumas alterações operacionais. As transferências entre as linhas metropolitanas e municipais vão ser realizadas nos pontos de integração mais próximos dos limites entre as cidades vizinhas e Curitiba. Assim, os serviços metropolitanos devem ter os trajetos encurtados, mas sem prejuízo ao passageiro, já que o deslocamento integrado continua sendo feito em ônibus municipais. Isso tudo, no entanto, é apenas objeto de estudo até o momento.
O presidente da Comec, Omar Akel, admitiu que devem ser criados espécies de “anéis tarifários”, de acordo com o trajeto percorrido pelos ônibus.
Após pesquisa de Origem e Destino feita pela Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP – Universidade de São Paulo, a pedido do governo do estado e em concordância formal através de convênio com a Urbs., constatou-se uma distorção quanto ao financiamento das integrações no transporte metropolitano. A Urbs, sem um levantamento aprofundado como da Fipe, dizia que as linhas metropolitanas davam prejuízo e por isso eram necessários altos subsídios. Mas o estudo provou o contrário: o custo das linhas metropolitanas dentro da RIT é de 27,82%, mas a receita é de 31,2%. Ou seja, na prática os serviços metropolitanos dão lucro e não prejuízo.
Quando o prefeito de Curitiba era Luciano Ducci, do PSDB, mesmo partido do governador Beto Richa , tanto poder municipal como estadual já sabiam da distorção, mas ficavam quietos. As linhas metropolitanas bancavam o prejuízo das municipais.
No entanto, Ducci não conseguiu um segundo mandato, assumindo o adversário político de Richa, o atual prefeito Gustavo Fruet, do PDT.
Aí Beto Richa quis “colocar ordem na casa”, corrigindo uma desordem que ele mesmo contribuiu para se manter quando seu aliado estava na prefeitura.
Foi feita a pesquisa em 2014 e a Comec propôs neste ano reduzir os subsídios para as integrações municipais/metropolitanas de R$ 7,5 milhões para R$ 2,3 milhões. Diante da recusa da prefeitura, nova proposta foi feita pelo governo do estado, desta vez de dividir em meio a meio o subsídio da tarifa técnica, que é o excedente entre o que o passageiro paga e o custo real para o transporte, que é maior. A prefeitura negou também.
A Urbs está irredutível porque na verdade sabe que sem o subsídio que tanto quer do governo do estado, as finanças das linhas municipais podem entrar em colapso. Mas o governo do estado não têm obrigações de bancar as linhas de Curitiba.
Frutos desta irredutibilidade podem ser vistos até pelo cidadão menos atento: as empresas de ônibus estão sem receber os repasses atrasados desde o ano passado, as integrações da RIT chegam ao fim, greves marcam o cotidiano dos transportes.
Segundo as empresas metropolitanas, as mesmas sequer receberam o reembolso de todas as passagens pagas em Cartão Vale Transporte. As vendas destes Vales-Transportes ainda são realizadas pela Urbs que usa este dinheiro para pagar seus compromissos e não repassa os direitos das empresas metropolitanas. O governo do estado acusa a Urbs de evasão de recursos e apropriação indébita. Por outro lado a Urbs está retendo este dinheiro das empresas metropolitanas por conta das dívidas do Estado. As empresas sem esse dinheiro não tem como pagar os salários dos funcionários.
Nesta briga ( impasse já deixou de ser o termo apropriado por ser brando demais), município e prefeitura têm culpas históricas e atuais. Não há razão, ao contrário, há uma irracionalidade política que não leva em conta passageiros/contribuintes,trabalhadores que movimentam a economia e empresas de ônibus que investem.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. vagligeirinho disse:

    A se pensar: não conheço regiões metropolitanas onde a tarifa é “unificada”. Em grande parte das RMs, os serviços municipais no máximo tem desconto tarifário em integrações com serviços intermunicipais metropolitanos.

    O exemplo mais óbvio é o de São Paulo: Existe a possibilidade de desconto em tarifa em algumas linhas e pontos de transferência entre os serviços da EMTU e da SPTrans.

    Salvo engano, em outras regiões metropolitanas, serviços do município são segregados em relação ao serviços metropolitanos, e muitas vezes sem desconto.

    Bazani, fica a sugestão de estudo :)

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Parafraseando o personagem do genio Chico Anisio.

    ” O POBRE QUE SE ECPLOOOOOOOOOOOODA”

    Att,

    Paulo Gil

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