Ônibus com motor dianteiro: é hora de humanizar o transporte de verdade

ônibus

Ônibus com motor dianteiro em Santo André. Temperatura para o motorista chega a 54 graus. Foto: Adamo Bazani

Motor dianteiro e calor: é hora de humanizar o transporte de verdade
Em alguns veículos temperatura real chega a 54 graus e sensação de 65 graus. Barulho ultrapassa o limite do tolerável
ADAMO BAZANI – CBN
Muito se fala em humanização do transporte: até mexer com o bolso.
Nesta época de calor intenso se para quem trabalha e dirige o próprio carro ao conforto do ar-condicionado a situação já não é a das melhores, a exposição de várias classes de trabalhadores a altas temperaturas faz com que seja necessário rever alguns ambientes do exercício da profissão.
É o caso de motoristas de ônibus, em especial os que trabalham com os modelos de motor dianteiro.
Com um termômetro digital de precisão, foi possível verificar que no posto de motoristas a temperatura varia entre 42 graus e 54 graus enquanto a temperatura externa marcava 31 graus.
“É a pior época do ano para trabalhar. Levo uma toalha para secar o suor, dá cansaço demais, dores no corpo. Tento levantar um pouco a calça porque a empresa não deixa vir com bermuda. E por cima, tenho de dirigir e cobrar. Chego em casa acabado” – diz o motorista de uma linha de Santo André, no ABC Paulista, que pediu para não se identificar.
“Não agüento. Falam para tomar água toda a hora. Eu compro água gelada, depois de 15 minutos está quente. Não dá pra beber. Nessa linha dá para colocar ônibus [com motor] traseiro. O patrão põe esses de motor dianteiro porque são mais baratos” – reclama o motorista de outra linha também de Santo André.
O que o condutor falou é um fato. Ônibus com motor dianteiro pode custar até 20% menos que um veículo de porte semelhante com motor atrás. Além disso, a manutenção destes modelos é mais barata também.
É fato que nas cidades brasileiras, as vias em má estado de conservação, a topografia irregular, com verdadeiros morros a serem desafiados pelos coletivos, o crescimento desorganizado dos municípios que faz com que vários bairros sejam compostos por vielas, se pensar em extinguir os ônibus de motor dianteiro é algo impossível no momento.
É importante destacar também que os modelos de ônibus mais novos têm um melhor isolamento acústico e térmico, mesmo sendo com motor dianteiro.
Mas não há como negar que por maior que seja a tecnologia, motor na frente é sempre mais quente e barulhento.
Outro ponto importante de se frisar é que muitas linhas necessitam de veículos com esta configuração por causa das más condições de tráfego. No entanto, grande parte dos trajetos hoje atendidos por ônibus deste tipo poderia ter sim veículos mais confortáveis para o motorista que sempre extrapola a jornada de trabalho e não fica menos de 8 horas por dia ao volante.
Na Capital Paulista, grande parte dos ônibus é de motor traseiro.
Na vizinha região do ABC, a realidade é diferente. Em Santo André, há poucos veículos assim, a exemplo de São Bernardo do Campo. Em São Caetano do Sul, só os modelos maiores, em Mauá, todos os ônibus têm motor na frente. A cidade já teve modelos articulados com motor central, mas a prefeitura trocou de empresa e em vez de articulados, a atual operadora Suzantur optou por veículos menores que os articulados, de três eixos, também com o propulsor na frente.
Em Diadema e Rio Grande da Serra, os municipais também só contam com ônibus de motor dianteiro.
Com exceção de Rio Grande da Serra, em todas as cidades da região, há mais linhas que poderiam ter os veículos com motorização traseira ou central que são melhores tanto para passageiros como para motoristas. O corredor Metropolitano ABD, entre São Mateus (zona Leste da Capital) e Jabaquara (zona Sul), com extensão entre Diadema e estação Berrini da CPTM (zona Sul de São Paulo) parece ser outra realidade. Além de parte dos veículos ser composta por trólebus ou por ônibus diesel com ar-condicionado, não há motor dianteiro na frota. Por ser uma estrutura de corredor segregado, mais largo para manobras, com piso rígido e poucas interferências como lombadas e valetas, o tráfego destes ônibus melhores é possível.
BARULHENTOS:
Outra característica dos ônibus de motor dianteiro é que eles são mais barulhentos em especial para quem está ao volante, passando mais de um terço do dia ao lado do propulsor.
Levantamento divulgado pelo Conselho Regional de Engenharia do Rio Grande do Sul, feito pelo engenheiro Adriano Colusi, em ônibus com motor dianteiro de marcas, modelos e anos diferentes mostra que trabalhar em coletivos deste tipo significa estar exposto ao limite ou até mesmo ultrapassar o tolerável de ruído de acordo com o Ministério do Trabalho. Enquanto o organismo pode tolerar 85 decibéis por oito horas (praticamente a jornada de um motorista), há modelos que em movimento chegam a emitir 87,1 decibéis. Todos os ônibus mais barulhentos são de motor dianteiro:
Modelo: VW/MPOLO TORINO U (ano 2010): Decibéis em Marcha Lenta: 75,3 dB – Decibéis em Movimento: 85,2 dB
VW/15.190 EOD (ano 2011) :Decibéis em marcha lenta: 65,8 dB – Decibéis em Movimento: 76,4 dB
VW/MAXIBUS URB16210 (ano 2000): Decibéis em marcha lenta: 71,5 dB – Decibéis em Movimento: 83,4 dB
M.BENZ/OF 1721 (ano 1998): Decibéis em Marcha Lenta: 80,3 dB – Decibéis em Movimento: 88,4 dB
M.BENZ/OF 1620 (ano 1996): Decibéis em Marcha Lenta: 79,5 dB – Decibéis em Movimento 86,7 dB
VW/COMIL SVELTO 17210 (ano 2002): Decibéis em Marcha Lenta: 78,7 dB – Decibéis em Movimento: 87,1 dB
M.BENZ/ OF1722 CAIO APACHE (ano 2007): Decibéis em Marcha Lenta: 75,2 dB – Decibéis em Movimento: 82,3 dB

DECIBÉIS MÁXIMOS – TEMPO DE EXPOSIÇÃO MÁXIMA TOLERADA
Recomendação do Ministério do Trabalho

85 dB – 8 horas
86 dB – 7 horas
87 dB – 6 horas
88 dB – 5 horas
89 dB – 4 horas e 30 minutos
90 dB – 4 horas
91 dB – 3 horas e 30 minutos
92 dB – 3 horas
93 dB- 2 horas e 40 minutos
94 dB – 2 horas e 15 minutos
95 dB – 2 horas
96 dB – 1 hora e 45 minutos
98 dB – 1 hora e 15 minutos
100 dB – 1 hora
102 dB – 45 minutos
104 dB – 35 minutos
105 dB 30 minutos
106 dB – 25 minutos
108 dB 20 minutos
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. paulo roberto disse:

    Se o municipio quer ter a mesma tarifa que a cidade de Sao Paulo, tem que ter a mesma qualidade.Vale para Maua e municipios do ABC que reajustaram tarifas.

  2. Júlio César disse:

    Muito boa materia acho que seria uma ganho pra todos mas não funcionaria 100% uma frota de onibus de motor traseiro mas seria uma boa estudar pra cada vez manter o conforto do motorista, cobrador e dos passageiros.

  3. Marcs disse:

    E quem disse que motor traseiro não ferve…….os de motores traseiros são insuportáveis no calor, fora que se não faz barulho dentro faz fora……isso é papo furado…….as empresas estão certas de ter dianteiro, os traseiros quebram muito e são de manutenção cara……pois se os onibus fosse tudo traseiro a tarifa seria R$10,00

    1. Luis Fernando disse:

      Parece que vc não anda de ônibus e não conhece transporte público. Ridícula e pueril sua resposta.

      1. vagligeirinho disse:

        Ande em alguns ônibus antigos que tem motor traseiro ou no meio (ônibus tri-articulado). Sim, esquentam e muito também.

    2. Doug disse:

      Tá de sacanagem, né? Ninguém disse que traseiro é perfeito, TODO chassi quebra se a empresa for mão de vaca e porca. Dianteiro é pra ser usado em roça ou estrada de terra, não em cidade grande. Pra fazer um comentário desse com certeza deve ser empresário..

    3. Zé Tros disse:

      Luis Fernando e Doug, não vale nem a pena a gente perder tempo respondendo a um comentário desse.

  4. claudio disse:

    A legislação nacional deveria mudar ,pois até 95/96 motoristas se aposenta vão com 25 anos de contribuição .Após essa data o motorista tem que trabalhar 35 anos com esses tipos de carros barulhentos e quentes.E os patroes e o inss não estão nem ai pro trabalhador.

  5. Emerson disse:

    Tem de ser muito sem noção para achar melhor os de motor dianteiro, verdadeiras carroças. Provavelmente quem pensa assim jamais se colocou no lugar de um motorista. Valha-me

  6. Ismael Junior disse:

    Creio eu que isso é um panorama nacional. Não só em Jundiaí, cidade onde moro, mas em várias cidades que acompanhei com o passar do tempo tanto empresas municipais quanto intermunicipais acabaram substituindo veículos traseiros (alguns com Ar Condicionado) pelos famosos cabritos. Claro que tem e sempre teve empresário picareta que compra o mais barato ônibus possível, mas um caso que deve ser estudado detalhadamente é quais as razões que levam os empresários que no passado compravam veículos decentes a nos dias de hoje comprar veículos sem o grau desejável de conforto para os usuários e para quem trabalha nele…

    1. Zé Tros disse:

      E é nacional mesmo Ismael. Pq aqui onde eu moro, aconteceu o mesmo fato, antigamente rodavam OH-1313, OH-1517, monoblocos, O-371 UP, B-58, K-112, 17.240 OT, 17.260 EOT, B-10M e ao longo dos anos, esses chassis de motor traseiro e central foram cedendo lugar para os atuais chassis de motor dianteiro. Os cabritos sempre existiram em maior quantidade, mas haviam os ônibus de motor traseiro e central tbm.

      Eu acredito que além de uma legislaão que coíba o uso dos cabritos indicrimidamente, seja tbm o fato das empresas quererm aumentar seus lucros, ou seja, investe-se menos e lucra-se mais. Como não tem ninguém pra cobrar e/ou fiscalizar fica tudo por isso mesmo.

  7. Zé Tros disse:

    Não sei pq os responsáveis pelos órgãos gestores fingem não saber a solução para esses problemas. Vou fazer duas sugestões:

    1)Exigir através da ABNT, que as fabricantes de chassis reduzam a emissão de vibração, calor e ruído de seus motores, que atingiria também os chassis de motor traseiro e central, melhorando como um todo a qualidade dos ônibus;

    2)Regulamentar, através do órgãos gestores, a aplicação dos chassis com motor dianteiro a linhas rodoviárias e urbanas onde o viário é precário e de difícil acesso até X km.

    Mas cadê que tem homem nesses órgãos gestores pra fazer isso?.

  8. Ismael Junior disse:

    Ah, e já que a matéria abordou os limites de ruído que o motorista pode aguentar, outro problema que merece ser resolvido (mesmo que drasticamente) são os DJs dos ônibus, principalmente os funkeiros. Esses sim nem o motorista e nem os passageiros merecem. Se fossem músicas de qualidade, seria um pouquinho relevante (mesmo assim desrespeita a convivência coletiva), mas são músicas tremendamente desclassificadas e quem as ouve parece que tem as nádegas no lugar da cabeça…

  9. Ewerton Santos Lourenço (PNE Guarulhos) disse:

    Realmente temos que levar em consideração a Qualidade dos serviços prestados à população, com os PADRONS iria melhorar o embarque e desembarque de passageiros. Todos os chassis de ônibus depois de um tempo quebra, dependendo de como o motorista do ônibus dirigi também, sabe aqueles bração que pensa que está tirando a mãe da forca? !?!?? É bem desse jeito que dirige, quanto a esses funkeiros que dirige o coletivo, mantém o veiculo parado e se indivíduo não parar toca pra Delegacia e leva os usuários no momento. Afinal para que existe uma Lei que é proibido o uso de aparelhos sonoros, senão um dos requisitos de trabalho de motorista vai ser lutar artes marciais pra por esses funkeiros pra correr.

  10. Julio Cesar disse:

    Brasileiro é uma mistura de gado com burro de carga. Paga caro, é mal tratado e se acha um povo feliz.

    Fui agora mesmo comprar uma passagem pela empresa Catarinense, um horror aliás, e mais uma vez o sistema fora do ar por dias. Pelo telefone, ninguém ajuda. Orientam enfrentar a distância, o trânsito e o calor para enfrentar uma fila de um guichê para ver se talvez haja bilhetes. Não havia. Tempo e dinheiro perdido. Opção pelo leito, duas pessoas ida e volta: 950 reais. De avião, se tivesse comprado com antecedência, pouco mais de 500, quase igual a ônibus convencional. De carro, com pedágio, cerca de 400 reais, menos da metade do preço do leito, com umas 3 horas a menos de viagem.

    Aplica-se esta regra ao transporte coletivo urbano e o resultado é o mesmo. Vamos de casa para a escola do filho e trabalho com um conforto maior e com tempo e preços menores.

    Agora fica a dúvida. Por qual motivo um transporte que deveria ser barato é caro e ruim? Talvez porque o povo gado não faça valer sua vontade, e os governantes pisoteiam sobre nós, roubando praticamente tudo o que é arrecadado na maior carga tributária do mundo.

    Como dizia Zé Ramalho, “povo marcado, povo feliz!”.

    1. Paulo Gil disse:

      Julio Cezar, boa noite.

      De pleno acordo.

      O maior problema e que o Brasil e muito novinho, so tem 514 anos, temos muito a aprender.

      Ja evoluimos um pouco em alguns pontos, mas em gestao nao, pois administrar casa, alem das acoes serem somente para o periodo do mandato, ai e um erro grave pois nao e considerado o interesse publico.

      Outra questao e a pizza, por leis ultrapassadas e pela imensa demora na solucso de problemas.

      E a velha tecnica, criar dificuldade para vender facilidade.

      Que as novas geracoes mais evoluidas tecnologicamente e espiritualmente, facam a “Fazedoria” acontecer.

      Abcs,

      Paulo Gil

  11. Vinicius B. Oliveira disse:

    Essa história de má conservação é conversa fiada, pois senão as empresas de fretamento não comprariam ônibus traseiro. Acontece é que as empresas são obrigadas, por contrato, a colocarem esses ônibus nas ruas. Por que o poder público não cobra das empresas, definindo nas licitações as regras e exigindo que elas sejam cumpridas?

  12. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Mais uma previsivelllllllllllllllllllllllllllllll.

    O samba do cabritinho e o seguinte:

    1) Tarifas congeladas;

    2) Diminuicao dos pagantes;

    3) Custos de aquisicao e operacional;

    4) Vista grossa das gestoras publicas do buzao;

    5) A topografia no Brasil e heterogenia e em muitas ruas e avenidas por onde o buzao de motor trazeiro passa e um absurdo;

    Eu ja envie foto de 2 buzoes motores traseiro cruzando numa rua na Vila Madalena, e do publicar para conferir.

    Sem contar que em especial a topografia da Vila Madalena, somado a ruas apertadas e valetas funda, permitir buzao de motor trazeiro e lamentavel.

    Exceto em linhas Vip’s e planas, o buzao com motor trazeiro nao tem torque, e lento e baixo.

    6) Enquanyo a politica e o estado interferir na gestso do buzao, a lenga lenga vai continuar.

    7) O cliente de todo dia do buzao, nao cobra quakidade, deixando que o desrespeito ao cliente e ao contribuinte se mantenha por decadas.

    8) E como o modus operandi se mantem igual, o futuro sera preto, afinal os contratos aditivos continuam e a licitacao 2015 ou 2099 nao acontecem.

    Ja postri no blog um link com um filme antigo da decada de 40 que mostra que os problemas de hoje se repetem.

    E isso sem novidades.

    “Errar e humano, persistir no erro e burrisse”

    Att,

    Paulo Gil

  13. vagligeirinho disse:

    Tendo a discordar um pouco e vou tentar explicar.

    De fato, concordo que os veículos com motores dianteiros são mais problemáticos no quesito conforto. Porém, ainda temos a questão da economia.

    Ônibus com motores dianteiros, como muitos sabem, nada mais é que um chassi com algumas adaptações, que tem grande parte das peças oriundas de um caminhão de projeto comum de uma fabricante. Com isso, qualquer peça a ser comprada, é mais barata e fácil a manutenção.

    Outro ponto, como colocado pelo Paulo Gil, é o fator que alguns técnicos chamam de “FR”: Motor na FRENTE e tração na RETAGUARDA, TRASEIRA (Front – Rear, em inglês).

    Esta configuração de veículo permite que o mesmo possa transpassar obstáculos com certa facilidade. Normalmente motores à frente ficam no entre-eixo dianteiro, permitindo uma frente curta. E a traseira pode ter o chamado “Ângulo de ataque” o suficiente para começar a subir ruas íngremes, ou enfrentar os famosos “chapéus chineses”, que é a configuração comum da pavimentação das ruas paulistas, nisso criando valetas e desníveis péssimos para veículos de piso baixo e tração traseira.

    Com isso um veículo FR pode passar por vias de grande ângulo com maior facilidade. Novamente citando Paulo Gil, para cidades com configurações de vias montanhosas, é uma grande vantagem.

    Outro ponto é que é difícil achar veículos de menor porte com tração e motorização traseira no Brasil. Normalmente, é mais fácil achar ônibus de pequeno e médio porte com motor dianteiro e tração traseira, e apenas ônibus de grande porte com tração e motorização traseira.

    Bem, para corrobar um pouco isso, tempos atrás peguem um ônibus de itinerário Campinas – Rod. Anhanguera – Jordanésia – Francisco Morato sendo articulado e tração traseira (Rápido Campinas). Falo uma coisa: nunca vi um veículo articulado em toda a minha vida que fizesse um caminho tão “tortuoso” quanto este. Parecendo uma cobra se esgueirando pelas vielas :p

  14. Leonardo disse:

    Carro com motor dianteiro é uma jamanta bóia-fria vestida de ônibus. Tem que estatizar essas empresas e fazer ônibus de qualidade, como a SETUSA que só tinha Mobobloco O 371 e colocar sob controle dos trabalhadores. Não conheço nenhum país desenvolvido onde no transporte púbco o passageiro e motora é tratado igual gado dividindo lugar com um capô fervendo lá denrtro. Tem que expropriar essa cambada de empresário salafrario.

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