Paulistano está migrando para ônibus, diz pesquisa

mobilidade urbana

Ônibus em São Paulo. Pesquisa mostra que maior parte das pessoas que deixam o carro em casa migra para o ônibus. Se o transporte coletivo recebesse investimentos mais rápidos e adequados, mudança de comportamento na cidade seria maior ainda. Foto: Adamo Bazani

Paulistano está migrando do carro para o ônibus, diz pesquisa
Levantamento ouviu 600 pessoas, mas mostra uma tendência que pode se estabelecer em são Paulo e espalhar para outras cidades
ADAMO BAZANI – CBN
Quando o transporte público ganha agilidade e qualidade, com ônibus limpos, pontuais, novos e, principalmente, contanto com prioridade no espaço urbano, é natural que mais pessoas considerem o fato de deixar o carro em casa. Com esta decisão todos ganham com a diminuição dos congestionamentos e poluição.
Esta tendência é revelada por uma pesquisa do “Ipespe – Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas”, que entre os dias 3 e 4 de julho ouviu 600 pessoas que moram na cidade de São Paulo por telefone.
Segundo o levantamento, 6% deste total disseram ter migrado do carro de passeio para outros meios de transporte.
O meio que atrai mais pessoas em São Paulo tem sido o ônibus, seguido pelo metrô. Confira.
MEIOS DE DESLOCAMENTO QUE MAIS ATRAÍRAM PESSOAS QUE SÓ USAVAM O CARRO DE ACORDO COM O IPESPE:
– Ônibus – 67% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
– Metrô- 65% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
– Ônibus + Metrô: 18% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
– Caminhada: 16% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
– Bicicleta: 5% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
– Táxis: 4% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
– Caronas: 3% das pessoas que declararam ter deixado o carro em casa.
TRANSPORTE PÚBLICO DEIXA DE SER DESLOCAMENTO DESTINADO SOMENTE A PESSOAS DE BAIXA RENDA:
A pesquisa encomendada para a terceira edição do guia “Como Viver em São Paulo sem Carro”, do empresário Alexandre Lafer Frankel e editada pelo jornalista Leão Serva revela também que os hábitos de deslocamento quanto à renda também estão mudando, mesmo que aos poucos.
Do total de pessoas entrevistadas que declararam deixar o carro em casa, 17% têm renda de um salário-mínimo e 8% possuem renda superior a dez salários-mínimos.
Isso mostra que o estigma de que “transporte público é só coisa de pobre” tem caído.
Os transportes coletivos devem ter custo acessível e qualidade suficiente que possam ser interessantes para qualquer tipo de público.
Nos países desenvolvidos, pessoas de baixa renda e pessoas com ganhos maiores compartilham o mesmo espaço nos ônibus e metrô. Isso é a concepção de cidade democrática, com o mesmo espaço para todos, e não dividia em nichos.
PARTE DA POPULAÇÃO ESTÁ SE DESFAZENDO DO CARRO:
A pesquisa revelou também que parte da população não só está deixando o carro em casa, mas se desfazendo do veículo.
De acordo com o levantamento, do total das pessoas que disseram que migraram para o transporte público ou para os meios não motorizados de deslocamento, 30% depois de dois anos da opção decidiram vender os automóveis e literalmente ter uma vida independente do carro. Nenhuma delas se disse arrependida.
De acordo com os organizadores da pesquisa, o hábito de mudança do paulistano se intensificou após a criação das faixas exclusivas para ônibus e, mais recentemente, das ciclovias.
No entanto, se os investimentos em transportes coletivos fossem mais adequados para a realidade de São Paulo, com a construção de corredores de ônibus de alta capacidade e ampliação da rede de metrô, a migração do transporte individual seria maior ainda.
Sistemas de corredores de ônibus hoje são os que apresentam maior aprovação por parte dos passageiros, como a rede de Curitiba, no Paraná, que passa por processo de modernização, e o Corredor Metropolitano ABD, entre São Mateus, na zona Leste de São Paulo, e Jabaquara, na zona Sul, passando pelos municípios do ABC Paulista. Por várias vezes, de acordo com o ranking de qualidade de transporte da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, a avaliação positiva do Corredor ABD foi superior à do Metrô.
Prova de que o transporte público deveria ter investimentos em estruturas mais adequadas, como o Metrô e os corredores de ônibus de alta capacidade é a própria pesquisa: 45% dos entrevistados disseram que o trânsito é a principal razão de estresse na cidade e para 64% das pessoas, o transporte público “não melhorou nada” após as manifestações de junho de 2013, mas que deveria ter mudanças positivas.
A maior parte das pessoas migrou para o ônibus, mas no caso da pesquisa, é o metrô que recebe a melhor nota.
De toda a forma, todas as avaliações mostram que tanto o sistema de trilhos como os ônibus precisam de mais investimentos em qualidade.
Circulação com bicicletas: nota 6,9
Serviços de táxis: nota 6,9
Metrô: nota 6,5
Ônibus: nota 5,2.
Com mais corredores que ofereçam velocidade aos ônibus, embarque com acessibilidade e comodidade em estações para os passageiros, e veículos maiores e mais confortáveis, a nota dos serviços de ônibus poderia crescer.
O mesmo ocorre se o metrô recebesse mais investimentos com o objetivo de reduzir as panes e criar ramais alternativos para que a expansão da rede não represente mais lotação em pontos já saturados, como estação Sé, estação Brás, estação Luz e estação Tamanduateí.
Vale ressaltar que a pesquisa é limitada quanto ao número de pessoas ouvidas, mas de acordo com o instituto, o índice de confiança é de 95,5% com margem de erro de 4,1% para mais ou para menos.
O importante é que levantamentos como este mostram algo que não era visto há uma década: mudança de comportamento. Por mais que o carro hoje ainda seja símbolo de status ainda, mais pessoas estão conscientes de que o uso do transporte público e do transporte não motorizado é a solução para o problema não só da mobilidade, mas para a melhoria da qualidade de vida, como mostra a percepção do trânsito em relação ao estresse.
As pessoas estão mais dispostas a mudar de hábitos. Basta agora que as autoridades envolvidas na administração dos transportes estejam atentas e correspondam de forma mais adequada e rápida a este anseio da população.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

13 comentários em Paulistano está migrando para ônibus, diz pesquisa

  1. Amigos, boa noite.

    Permitam-me algumas observacoes:

    1) Buzao limpo em Sampa e utopia.

    2) Quem migrou para o buzao, foi por falta de opcao, pois ou e o buzao ou e o buzao mesmo, longe de uma Rede de Aerotrem.

    3) BRT em Sampa so implodindo tudo para fazer um “X” na cidade pra rodar o BRT.

    4) Com a alta da inflacao, com o aumento dos combustiveis pos eleicao (PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLL – Alguem duvida), alto indice de roubos e furtos, custo do seguro e pagar IPVA pra entortar roda, quebrar bandeija ou cortar pneus, so tem um saida mesmo se livrar do carro.

    De livre espontanea vontade so casamento e olha la, pois buzao so POR OBRIGACAO.

    Att,

    Paulo Gil

    • É isto, Paulo Gil.
      Uma minoria de linhas de ônibus pode ser boa opção para uma minoria de usuários que trabalham/moram/estudam em locais favoráveis. E nos horários de pico muitas vezes nem assim.
      Não é o ônibus que está errado; é Sampa e a RMSP, que insistem em botar ônibus em rotas ineficazes. Vejam o exemplo recente dos BRTs do Rio, bem aplicados.
      De resto, é óbvio no mundo todo que aglomerações urbanas enormes não podem depender só de ônibus. Cias de ônibus não deveriam oferecer linhas para “atravessar” cidades enormes.

  2. Paulo Gil, perfeito comentario, quem le esta materia vai ter uma ideia utopi ca, a verdade e que nosso transporte continua, lento sujo e abarroado, quem vem entra numa fria, ou numa fervendo dependendo do horario, continuamos a andar na sua maioria em ônibus velhos, ou semi velho, ou semi novos, como queiram, e sujos e mal conservados, intervalos inadequados, e até as pista preferenciais, que hoje deixaram de ser, por pura falta de fiscalização e descaso deste governo morto vivo do Haddad, e seu secretário que não passa a menor confiança a população, quem quiser ter uma real ideia do transporte publico de SP, va até o terminal Pq. Dom. PedroII de segunda a sexta nos horarios entre as 6:00hs eas 9:00hs ou das 17:00hs as 20:00hs, ônibus so por pura falta de opção o resto e mentira.

  3. Saio de São Bernardo e vou para a Paulista trabalhar. O custo é quase igual de combustível e se considerar IPVA e Seguro ai o carro fica o dobro! Quanto ao tempo, ir de carro para quem entra as 7h é a metade do transporte público, cada caso é um caso, enquanto o tempo do transporte público não diminuir irei de carro! Vamos ver quando o monotrilho da linha 18 chegar ao ABC, como será esta questão de tempo!!!

  4. Quem encomendou a pesquisa? Feita por telefone ainda? Será que foram respeitados os critérios estatísticos para se ter confiança nos dados apresentados? Andar de onibus no centro expandido é moleza. Quero ver entrevistar o cidadão que vem dos extremos da cidade ou mesmo quem vem de outros municípios para trabalhar em SP se eles estão contentes com o transporte oferecido nestas regiões.

  5. buzão novos chegando viasul kkkkkk chupa eu vou te falar verdade aqui para cid tiradentes agora vc fica 1 minuto no ponto ja tem ônibus passando melhorou bastante pelo menos aqui na tiradente na vista do que era antes quem reclamar vou te fala melhorou 100% tds nós sabemos que tds empresas tem ônibus velhos aqui vip tens uns carros velhos tb como epress tb mais na vista do que era antes mudou bastante vc vai para pq dom pedro 1 hora e meia no maximo antigamnte era 2 e meia a 3 horas os ônibus velhos so´quebrava no meio do caminho não é querendo defender niinguem aqui não mas estamos vendo resultado temos que falar

  6. Ricardo Farias Rossaka // 10 de outubro de 2014 às 16:22 // Responder

    Aqui neste Estado de São Paulo o único que apresenta um trabalho muito bem feito é o Adamo com o seu Blog, pois são eleitos sempre os mesmos políticos e nada muda na qualidade do transporte (vide a recente eleição).

  7. Acho que a migração depende muito da região onde a pessoa reside.por exemplo aqui em Itaquera com a criação da Linha 4310/10 somente nos horários de pico quem tem fiscalização a Radial Leste funciona muito bem para os ônibus,nesses horários ate compensa usar a Linha,tirando a super lotação mais muito compensatória devido a rapidez que leva praticamente o mesmo tempo do Metrô da Linha 3,já outras regiões caóticas como a Celso Garcia,Av 23 de Maio dependente muito dos horários,por isso não iremos acobertar a falta de investimentos no transporte em SP ha décadas,falta de vontade de criar mais corredores uteis ligando as regiões onde não chegam os Trens da CPTM,criar maneiras mais eficientes para um transporte com qualidade e rapidez sem tanta demora das linhas,e por ai vai minha opinião é essa.

  8. Sou a favor das faixas e corredores exclusivos pois o tempo de viagem diminuiu muito, a qualidade dos ônibus tem aumentado (projeto piloto com ônibus com ar condicionado de fábrica, GPS, câmeras nas portas e nas castração, além de contadores, evitando fraudes de BU especiais e de entrar pela porta, câmera na frente para pegar infratores nessas vias, Wi Fi, etc), a precisão no tempo de passagem por AFP nos pontos tem sido ótima (1 min. de erro), fora as ciclovias. Temos sempre que pensar que esses tipos de transporte beneficiam a maioria da população, cerca de 80% diretamente e indiretamente todos, devido a redução de poluentes e de automóveis nas vias (menor trânsito), aumento da qualidade de vida,…

  9. Só não entendi uma coisa. A conta de porcentagem não fecha: 67+65+18+16+5+4+3? Alguém pode me esclarecer?

  10. Raphael,
    A conta fechará quando:
    – Acabar pagamento em R$ dentro do ônibus
    – Fizerem “check out”: usuários validarem bilhetes na saída dos ônibus e das estações metroferroviárias.
    Falta coragem política e determinação pra implantar.

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