Ônibus elétrico híbrido comemora 15 anos no Brasil

ônibus elétrico híbrido

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Ônibus elétrico-híbrido comemora 15 anos no Brasil. Primeiro modelo foi este Marcopolo Viale sobre chassi Volvo com sistema fabricado pela Eletra. Hoje os ônibus deste tipo evoluíram e modelos podem reduzir ainda mais as emissões de poluentes no ar. Fotos: Adamo Bazani.

Ônibus Elétrico Híbrido comemora 15 anos no Brasil A empresa pioneira a introduzir este veículo menos poluente no País é a Eletra, que já produziu 45 híbridos. Veículos operam no Brasil, Argentina e Nova Zelândia ADAMO BAZANI – CBN

Opções para um transporte coletivo mais limpo e que precisa de maior flexibilidade para percorrer algumas linhas, os ônibus elétricos-híbridos são comuns nos Estados Unidos e em parte da Europa.
No Brasil, hoje há mais opções destes modelos que possuem dois motores: um elétrico e outro a combustão, normalmente movido a diesel.
Apesar de estarem presentes em capitais como São Paulo e Curitiba e já serem soluções adotadas há um bom tempo em diversos países, a história dos ônibus elétricos híbridos no País é recente.
Neste ano de 2014, o ônibus elétrico híbrido comemora 15 anos no Brasil, com perspectivas de crescimento em cidades que, além de buscarem melhoria nos transportes, também precisam se preocupar com a redução da poluição.
A primeira empresa a produzir um ônibus elétrico-híbrido no Brasil foi a Eletra, com sede em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e que faz parte do grupo de empreendimentos da família Setti & Braga.
A Eletra já possui 30 anos de existência, boa parte deles ainda dedicados aos trólebus, solução considerada de baixo custo, viável em diversos sistemas e que tem ainda como uma das principais vantagens a emissão zero de gases poluentes nas operações.
Mas a empresa, atenta às necessidades do mercado de transportes, começou a investir em outras alternativas totalmente limpas ou menos poluentes.
No ano de 1999, a Eletra colocava pela primeira vez no Brasil em operação comercial um ônibus elétrico-híbrido. Os equipamentos de integração elétrica e os dois motores, o elétrico e o movido a diesel, foram implantados num veículo articulado, Marcopolo Viale, com chassi Volvo B 10 M.
Em 2003, a empresa recebeu o primeiro reconhecimento internacional ao estar entre os cinco finalistas do prêmio World Technology Award, dos EUA.
A Eletra, com o passar do tempo, atualizou a tecnologia de ônibus elétricos-híbridos.
São 45 ônibus deste tipo que circulam no Brasil, Argentina e Nova Zelândia. Também circulam na cidade de São Paulo e pela região do ABC Paulista aproximadamente 300 trólebus da Eletra. Em parceria com a Mitsubishi, a empresa testa na ligação entre o município de Diadema, na região do ABC, a estação Berrini, na zona Sul da cidade de São Paulo, um ônibus cem por cento elétrico que depende apenas de baterias para se movimentar. O E-bus, como é chamado pela companhia, tem autonomia de 200 quilômetros e é recarregado na garagem, recebendo também recargas rápidas numa estação no Terminal Diadema.
Sobre o ônibus elétrico-híbrido, a empresa disse ter aumentado o nível de sofisticação e eficiência do veículo, reduzindo, entretanto, os custos de aquisição e de operação.
Hoje ela apresenta ao mercado o Híbrido BR, ônibus com tecnologia nacional, que conta com equipamentos da Eletra, motor elétrico da WEG e motor diesel e chassi da Mercedes-Benz.
De acordo com Eletra, os modelos atuais de ônibus elétricos híbridos podem reduzir em até 95% a emissão local de materiais particulados
Em nota, a Eletra destaca algumas características do modelo atual:
“ O veículo produzido pela Eletra tem um motor elétrico e é caracterizando pela tecnologia “híbrido série”. Ele foi desenvolvido pela WEG, que já fabricou mais de 200 unidades com essa tecnologia para ônibus elétrico. A energia para o motor elétrico vem de um grupo motor gerador formado por um motor veicular Mercedes-Benz – EURO V – movido a diesel comum, biodiesel ou mesmo diesel de cana-de-açúcar, e um gerador também fabricado pela WEG. Um banco de baterias, desenvolvido pela Moura, complementa a energia disponível para o motor elétrico, quando necessário. Em cada parada para entrada de passageiros ou semáforos, o grupo motor gerador recarrega as baterias. As baterias são de chumbo ácido, fabricadas no Brasil e 100% recicladas em um dos centros mais modernos de reciclagem da América Latina, de propriedade e com tecnologia desenvolvida pela Moura. O motor diesel aplicado nesta tecnologia do ônibus elétrico, além de ser menor que o aplicado a um ônibus diesel similar, opera em rotação constante, o que reduz muito a emissão de poluentes, pois nas acelerações é o motor elétrico que atua. O motor diesel permanece em rotação constante (calibrada para o ponto ideal de baixa emissão e de baixo consumo) ou em marcha lenta. É fácil perceber a diferença. No híbrido com tecnologia série apenas o motor elétrico traciona o ônibus. Além de reduzir as emissões, a tecnologia desenvolvida pela Eletra permite a recuperação de energia nas frenagens, conceito conhecido como “frenagem regenerativa” ou como ficou conhecido na Fórmula 1: “KERS – Kinetic Energy Recovery System (Sistema de Recuperação de Energia Cinética). Simplificando: quando o freio é acionado, o motor elétrico vira um gerador e a energia que seria desperdiçada na frenagem é reaproveitada e armazenada no banco de baterias.”

EM 2012, MAIS UMA OPÇÃO:

No ano de 2012, a indústria no Brasil começou a oferecer mais uma opção de ônibus elétrico-híbrido. No mês de junho, na planta de Curitiba, a Volvo começou a fabricar veículos deste tipo, como já faz na Suécia.
O modelo foi testado na cidade de São Paulo e há unidades já em operação comercial no sistema de ônibus de Curitiba, no Paraná.
Diferentemente da Eletra, a opção de funcionamento dos motores elétrico e a combustão foi a tecnologia híbrida-paralela, pela qual o motor a diesel também é usado para movimentar o ônibus. Na tecnologia híbrida em série ou seriada, como da Eletra, o motor a diesel serve apenas para gerar energia ao propulsor a diesel.
Não há como dizer qual o tipo de tecnologia é melhor. O que determina, neste caso, é o tipo de operação e das linhas realizadas pela empresa transportadora.
Em nota técnica, a Volvo explica o funcionamento do modelo de ônibus elétrico-híbrido da marca:
“São dois motores, um a diesel e outro elétrico, que funcionam em paralelo ou de forma independente. O motor elétrico é utilizado para arrancar o ônibus e acelerá-lo até 20 km/h e o motor a diesel entra em funcionamento em velocidades mais altas. O motor a diesel fica desligado quando o veículo está parado para embarque e desembarque e a energia das frenagens é usada para carregar as baterias do motor elétrico. A bateria desenvolvida pela Volvo para os ônibus híbridos é a mais avançada do mercado. Com apenas 200 quilos, permite que o veículo transporte a mesma quantidade de passageiros que os ônibus tipo padron (até 90 passageiros).”

OUTRAS TECNOLOGIAS LIMPAS:

Além dos ônibus elétricos híbridos, há diversas opções de veículos de transportes coletivos sobre pneus que não poluem ou que incorporam tecnologias que reduzem a emissão dos poluentes.
Em relação aos veículos elétricos, há os trólebus, que evoluíram e possuem baterias que dão autonomia para que circulem por alguns quilômetros sem dependência da rede aérea, e os ônibus elétricos-puros, que se movimentam com baterias, como o E-Bus da Eletra e o modelo da chinesa BYD que vai ser produzido no Brasil. Já o Biobus, veículo testado pela Viação São José, entre São José dos Pinhas e Curitiba, no Paraná, possui um motor movido a diesel, mas a maior parte das operações se dá por energia elétrica, através de supercapacitores em vez de baterias.
No entanto, também existem opções além da energia elétrica.
Já circulam ônibus com diesel de cana-de-açúcar, etanol, biocumbustível e modelos mais modernos a gás natural.
Qual é a melhor solução entre ônibus elétricos-híbridos, trólebus, ônibus elétricos com baterias, ônibus elétricos com supercapacitores, ônibus a biodiesel, ônibus movido a diesel de cana-de-açúcar, ônibus a gás natural e ônibus a etanol?
Todas! Depende da aplicação, das linhas, da demanda e das condições dadas às empresas de ônibus para os investimentos nestes veículos, que possuem custos de aquisição maiores. O que importa é ter várias opções para oferecer à população o que ela merece: transporte de qualidade e que respeite o meio-ambiente.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

4 comentários em Ônibus elétrico híbrido comemora 15 anos no Brasil

  1. Uma grande solução, que vem sendo oferecida cada vez mais pelos principais fabricantes.
    Longa vida aos híbridos!

  2. Para a emissão ser ZERO bastaria que o motor/gerador fosse de combustivel não poluente.
    Tão logico. Não entendo porque não adotam GLP ou Alcool.
    abraços

  3. Amigos, boa noite.

    Adamo bela materia, eu desconhecia a idade do hibrido.

    Mas eu voto no e-bus, muito mais pratico.

    Pena que as coisas boas nao decolam no Brasil.

    Quem sera que atravanca o “pogressio” do buzao ?????

    Att,

    Paulo Hil

  4. Paulo Gil, quem atravanca são as produtoras de combustíveis a base de petróleo, através de lob econômico e suborno, quantos teste já ocorreram so em SP com vários modelos de ônibus com energia limpa, e nenhum deu prosseguimento, como ocorreu na década de 40 e 50 no Brasil, quando empresas como a GM e Ford patrocinaram o fim da malha ferroviária Brasileira, so para vender caminhões, veja ainda hoje como temos dificuldade de terminar obras ferroviárias, por que você acha que a China já possui mais de 1 milhão e meio de carros movido por energia elétricos e o Brasil so tem 70 unidades, a verdade e que todo processo e barrado por interesses de multinacionais que se utilizam de politicos corruptos para perpetuarem suas riquezas mesmo que vá contra o progresso e o bem estar de toda uma população.

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