Ônibus é a melhor opção para conhecer os encantos de Campo Grande até o Paraguai

Campo Grande

Uma cidade com boa estrutura urbana, mas com a natureza presente. Assim é Campo Grande. Araras cantam em árvore em frente ao Terminal Rodoviário como se recepcionassem os turistas. Foto: Adamo Bazani

Ônibus é melhor opção para conhecer Campo Grande e Região
Modelo de dois andares faz City Tour com preço convidativo. Veículos rodoviários saem para outras regiões e urbano te leva ao Paraguai
ADAMO BAZANI – CBN
Uma cidade que mostra que é possível integrar natureza com o desenvolvimento urbano.
Imagine estar numa avenida movimentada, inclusive com faixas exclusivas para ônibus, estações de integração, táxis e um trânsito intenso, mas ao mesmo tempo cercado por árvores e vegetação nativas, sentindo um ar mais leve, um vento agradável (por vezes forte).
Ou então, estar numa rodoviária ou num shopping e nas árvores em frente repentinamente ver livres araras e outros animais que não são encontrados em centros urbanos.
É assim Campo Grande.
De acordo com dados de 2013 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a capital do Mato Grosso do Sul possui 832 mil habitantes.
A origem da cidade vem do interesse que a qualidade da terra e o clima despertaram em investidores de Minas Gerais.
O pioneiro a ocupar as terras onde está localizada a cidade de Campo Grande foi José Antônio Pereira, que chegou a então chamada Campo Grande de Vacaria, em 21 de junho de 1872. O local onde se alojou com a família foi a região da Serra do Maracaju, no encontro de dois córregos, posteriormente denominados Prosa e Segredo. Hoje a área corresponde ao Horto Florestal.
José Antônio Pereira era de Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro, para onde retornou até que em 14 de agosto de 1875, com a esposa, oito filhos, parentes e escravos, num total de 62 pessoas se instalaria definitivamente em Campo Grande de Vacaria.
As notícias da boa terra, principalmente para agropecuária se espalhavam, e mais investidores, principalmente mineiros começaram a se instalar, trazendo desenvolvimento para a região.
As oportunidades de ganhos e emprego despertaram também interesse dos moradores de outros estados e anos depois de José Antônio Pereira ter escolhido Campo Grande de Vacaria, a região já recebia grande fluxo de pessoas que moravam em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e parte do Nordeste.
Para cumprir a promessa que fez por ter dado certo sua mudança do Triângulo Mineiro até a região, em 1877, José Antônio Pereira ergueu uma capela, rústica de pau-a-pique e telhas de barro.
José Antônio Pereira demarcava a maior parte das terras e outros fazendeiros, a partir de 1879, sem fixavam no local, não mais chamado Campo Grande de Vacaria, mas Arraial de Santo Antônio de Campo Grande.
Em 26 de agosto de 1899, a região consegue emancipação política depois de diversos pedidos ao Estado do Mato Grosso. Ao que se sabe, o primeiro europeu que chegou a área correspondente ao Estado foi o português Aleixo Garcia, sobrevivente da expedição de Solís, em 1524.
O nome Mato Grosso acredita-se que é originário da palavra guarani Kaagua’zú: Kaa significa campo, bosque e Guazu quer dizer grande, volumoso, grosso, vasto.
O Estado do Mato Grosso do Sul foi criado em 11 de outubro de 1977, por lei complementar assinada pelo presidente militar Ernesto Geisel. Mas desde 1950, já se pleiteava o desmembramento de Mato Grosso.
Campo Grande virou comarca em 1910 e sua atual estrutura remota a esta época. A visão modernizadora dos primeiros administradores desenhou a atual Campo Grande. O traçado da área urbana foi concebido por vias largas e pela preocupação, já naquela época, de manter as árvores nativas.

ônibus Campo Grande

Conhecida como Capital dos Ipês, frase ostentada até mesmo nos ônibus urbanos mais novos, Campo Grande é uma cidade bem arborizada, com várias praças, além de contar com ruas e avenidas largas. Este modelo foi concebido em 1910 por administradores modernos para época que já se preocupavam em conciliar desenvolvimento urbano e respeito ao meio ambiente. Foto: Adamo Bazani.

E isso hoje pode ser visto não só na região central, mas em diversos bairros de Campo Grande.
Ruas e avenidas são amplas e bem arborizadas. Estima-se que a área urbana tenha mais de 30 mil árvores.
Ciclovias e faixas exclusivas para ônibus são exemplos de estrutura de mobilidade urbana.
Desde a licitação de 2012, opera o transporte coletivo o Consórcio Guaicurus formado pelas empresas Jaguar Transporte Urbano, Viação Cidade Morena, Viação São Francisco e Viação Campo Grande. A Viação Cidade Morena é líder do Consórcio.
A frota mescla veículos antigos e mais modernos, como o Viale BRT articulado. De acordo com a Assetur – Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano, são 204 linhas de ônibus, entre convencionais, executivas e noturnas.
Não se embarca nos ônibus com dinheiro. Os veículos não têm cobradores, mas existem catracas e leitores de crédito de cartão eletrônicos. Se o cartão é para uma viagem apenas, ideal para turistas que podem comprar quantas unidades quiserem, devem ser depositados no validador. É necessário comprar os cartões eletrônicos nos terminais, estações de transferência ou em estabelecimentos comerciais.
Para quem nunca foi a Campo Grande, não é difícil circular de ônibus urbano. As linhas são denominadas por números. Na região central, as estações possuem letreiros com a relação das linhas de ônibus e funcionários do sistema PegFácil, da bilhetagem eletrônica, que informam os passageiros.
O site do Consórcio Guaicurus traz a lista das linhas que atendem aos principais pontos turísticos da cidade: http://www.assetur.com.br/conteudo.aspx?id=7

ônibus Campo Grande

ciclovia Campo Grande

Mobilidade Urbana. Além de vias largas, em especial na região central, há faixas exclusivas para ônibus, delimitadas por uma pintura de cor azul no asfalto, que segundo a prefeitura reduzem o tempo de viagem no transporte coletivo em Campo Grande. Ciclovias são integradas às principais ruas e avenidas e trazem mensagens que orientam os motoristas e também advertem sobre as responsabilidades dos ciclistas como: “Seja prudente. Se beber, não pedale” – Fotos: Adamo Bazani.

A tarifa convencional é de R$ 2,70. Com o cartão, por uma hora é possível pegar duas conduções no mesmo sentido de viagem. Mas as integrações, independentemente do tempo de viagem, são gratuitas nos terminais de ônibus.
A reportagem passou pelos terminais Nova Bahia, Moreninha, Guaicurus e General Osório.
Todos estavam bem organizados, com placas informativas que trazem a relação das linhas, limpos e com funcionários para orientar quem está com dúvidas. Pelo menos nestes terminais, havia guias rebaixadas e pisos táteis facilitando o acesso para quem tem deficiência física ou de visão.

ônibus Campo Grande

Sistema de transportes urbanos é integrado. Possui cartão eletrônico que permite o uso de dois ônibus em uma hora com o pagamento de uma tarifa ou integrações atemporais nos terminais espalhados pela cidade. As operações ficam a cargo do Consórcio Guaicurus que reúne as empresas Jaguar Transporte Urbano, Viação Cidade Morena, Viação São Francisco, Viação Campo Grande. Frota nova se mescla a ônibus mais antigos. Foto: Adamo Bazani.

Apenas uma parte da frota é acessível.
Os ônibus que a reportagem utilizou estavam limpos, inclusive os mais antigos.
O problema sempre foi a lotação.
A reportagem realizou mais de 15 viagens urbanas. Só foi possível ir sentado em cinco delas. Na maior parte, a viagem foi em pé, mas com relativo conforto. No entanto, houve apertos, em especial na linha 87 que liga os terminais General Osório e Guaicurus à região da rodoviária.
Quem, no entanto, quer conhecer as principais atrações da cidade sem usar ônibus urbano pode optar por outro ônibus. É um modelo de dois andares que faz o City Tour Campo Grande.

ônibus City Tour Campo Grande

Uma opção que não é cara para conhecer a cultura e a história de Campo Grande é o passeio de 3 horas a bordo de um ônibus de dois andares especial. A viagem dura três horas e passa por 42 pontos de interesse turístico, entre eles uma aldeia indígena urbanizada. Foto: Adamo Bazani.

O modelo Marcopolo Viale Sunny DD tem o segundo andar com o teto aberto, o que ajuda a curtir o ar, o vento no rosto e fotografar os pontos turísticos.
O passeio dura cerca de três horas e custa R$ 25. São visitados 42 atrativos e há duas paradas. Uma no Parque das Nações Indígenas e outra numa aldeia indígena urbanizada em Campo Grande.
Diferentemente de outras cidades, Campo Grande mantém vários traços que ligam o município à história dos índios.
No Parque das Nações Indígenas, é possível com os guias saber de dados importantes da história do povo nativo e ver indumentárias, peças, artigos de guerra e até mesmo de rituais, como da iniciação dos jovens à vida adulta, do casamento, da invocação de espíritos que os índios acreditam existir e de sepultamentos.

Parque das Nações Indígenas

Parque das Nações Indígenas

A cultura indígena é marcante na cidade de Campo Grande. No Parque das Nações Indígenas é possível ver peças antigas e saber costumes das tribos da região. Destaque para os rituais relacionados à morte. Alguns povos enterravam seus mortos em urnas feitas de barro. Para que os corpos coubessem, eles eram esquartejados e tinham os ossos quebrados, como mostra imagem de Raio X. Além disso, havia celebrações com roupas especiais que, segundo os índios, permitiam um maior contato com o mundo espiritual. Foto: Adamo Bazani.

Chamam a atenção os cultos e tradições relacionados à morte.
Parte das tribos enterrava seus mortos em recipientes de barros. Para que os corpos coubessem, eles tinham os ossos quebrados e eram esquartejados.
Uma roupa que cobria os índios da cabeça aos pés e que não permitia a visão era usada nas celebrações fúnebres e depois queimada. Os índios acreditam que a escuridão total permite um maior contato com o mundo espiritual.
A roupa era queimada depois como símbolo da passagem para a outra vida.
Uma grande roda feita de palhas e madeira também era levada por um índio e outra um pouco menor por uma índia nos funerais, principalmente de chefes de tribos. É difícil transportar o objeto, o que significa sinal de respeito e sacrifício pela pessoa que morreu.
Na aldeia urbanizada, quem espera encontrar ocas, caça e pesca ou índios com suas roupas tradicionais vai se decepcionar.
As casas são de alvenaria e a entrada parece de um bairro simples.
Mas há um centro de exposições onde são contadas histórias das tribos regionais pelos próprios índios e é possível comprar artesanato feito por eles.
Os primeiros habitantes indígenas na região do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são de 10 mil anos antes de Cristo, de acordo com estudos sobre povos indígenas ameríndios – nativos americanos.
Entre a população indígena que se destaca estão os Guaranis, Terenas, Caiouás, Caiapós e mais novos os Ofaiés.
Cada um tem costumes diferentes o que se reflete no artesanato que pode ser adquirido na aldeia urbanizada.
Ao longo do passeio também é possível ver outros traços da cultura indígena em Campo Grande. Há a Feira Indígena com uma enorme estátua de uma índia e produtos feitos pelas tribos em diversos estabelecimentos comerciais.
Outro aspecto marcante na cidade é a presença de animais da região e a valorização em símbolos e monumentos.
Há orelhões em forma de araras e onças.

Parque das Araras

animais Campo Grande

Os animais são outros símbolos importantes para Campo Grande e estão presentes no dia a dia da cidade. Além de araras serem vistas sobrevoando até mesmo a região da rodoviária, orelhões em forma de animais e até esculturas valorizam a riqueza da fauna da região. Em algumas áreas da Capital, placas orientam aos motoristas para terem cuidado em relação à travessia de animais na pista. Fotos: Adamo Bazani.

Aliás, às vezes é possível encontrar araras sobrevoando o perímetro urbano.
Numa das ocasiões, a reportagem encontrou quatro aves destas juntas.
Elas estavam cantando numa árvore bem em frente ao Terminal Rodoviário de Campo Grande como se recepcionassem os turistas.
Principalmente no frio, é comum que estes animais se dirijam de áreas do Pantanal para a cidade.
Há placas de trânsito, principalmente perto do Horto Florestal, que conscientizam os motoristas sobre a possibilidade de travessia de animais na pista.
Além de orelhões, artesanatos e até e painéis de prédios, há praças com esculturas enormes dos animais da região, como a Praça das Araras.
Conhecida como Capital dos Ipês, Campo Grande reúne vários exemplares, que também são lembrados nas pinturas de ônibus urbanos (os mais novos) e de rodoviários (Expresso Queiroz).
As praças são abundantes na cidade, até nos bairros mais afastados.
Chamada de praça principal do centro, a Praça Ary Coelho é um espaço onde são realizadas atividades culturais e também para relaxar.

Praça Ary Coelho

Praça Ary Coelho

Praça Ary Coelho

Praça Ary Coelho

A cidade de Campo Grande também possui várias praças. Uma das principais e maiores na região central é a Praça Ary Coelho, nome dado em homenagem a um prefeito que foi assassinado por questões políticas. Bem arborizada, praça tem vários atrativos, como o chafariz com iluminação especial. Uma boa pedida para relaxar entre o final da tarde e início da noite. Fotos: Adamo Bazani.

Bem arborizada, com coreto, pipoqueiros com seus carrinhos de modelo antigo, a Praça Ary Coelho é bem convidativa para apreciar o final da tarde e o início da noite.
Aos finais de semana, há comercialização de artesanatos e apresentações regionais.
A presença de policiais é constante na praça para garantir a segurança, mas vendedores ambulantes e pessoas que pedem esmolas podem abordar os visitantes.
Um chafariz à noite recebe iluminação especial e a água fica com cores diferentes provocando uma sensação agradável para quem vê.
Ary Coelho de Oliveira, que dá nome à praça, foi um médico e político do Mato Grosso do Sul. Ele nasceu em 10 de fevereiro de 1910 e foi morto em 21 de novembro de 1952. Nesta época ele era prefeito de Campo Grande e foi assassinado com um tiro no rosto em Cuiabá, quando participava da convenção do seu partido que o colocaria como candidato ao governo do Mato Grosso.
O acusado pelo crime foi o opositor político Alcy Pereira Lima.
Outro aspecto importante da história de Campo Grande e que visualmente se transforma num bom programa para os turistas é a Vila dos Ferroviários.
Hoje praticamente no abandono, mas sendo responsável pelo escoamento do minério de ferro e combustíveis, a NOB – Estrada de Ferro Noroeste do Brasil teve o primeiro trecho fundado, após disputadas com a Estrada de Ferro Sorocabana, para que não houvesse sobreposições e desvios de trajeto, em 29 de setembro de 1906, entre Bauru, no centro-oeste do Estado de São Paulo até Lauro Muller, hoje Guarantã, também em São Paulo.
Aos poucos, até 1917, iam sendo inaugurados outros trechos em meio às disputas por concessões e mudanças nos trajetos.
É por esta malha ferroviária que passa o famoso Trem do Pantanal, com ramal tendo o primeiro trecho inaugurado em 1914.
No ano de 1915, a ferrovia foi estatizada. Em 1957, a linha da Noroeste era uma das integrantes da RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A.

Estrada de Ferro Noroeste

Vila dos Ferroviários é uma das atrações turísticas na cidade de Campo Grande. É um passeio no tempo ver edificações ainda com as inscrições da Rede Ferroviária Federal S.A.. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil teve o primeiro trecho inaugurado em 1906 e inclui o emblemático Trem do Pantanal. A Noroeste liga São Paulo, a partir de Bauru, a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, conectada às ferrovias bolivianas até Santa Cruz de la Sierra. Foto: Adamo Bazani.

O traçado tem 1662 quilômetros ligando Bauru, em São Paulo, a Corumbá, no Mato Grosso do Sul.
No estado de São Paulo, em Bauru, a Noroeste se integrava ao sistema da Sorocabana e da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Já por Corumbá, no Mato Grosso do Sul, a integração é com a malha ferroviária da Bolívia, indo até Santa Cruz de la Sierra.
Em Campo Grande, há ainda preservados imóveis da vila dos ferroviários.
É um passeio pelo tempo. Destaque para a sede da ferrovia na Capital ainda com o logotipo da Rede Ferroviária Federal S.A. – 10ª Divisão Noroeste, apesar de os ramais terem sido privatizados em 1996, servindo principalmente o transporte de cargas.
O ônibus de dois andares parte de um dos pontos turísticos mais conhecidos de Campo Grande: a Morada dos Baís.
Foi a primeira edificação em alvenaria da cidade, idealizada pelo italiano, natural de Luca, na Toscana, ao norte, Bernardo Franco Baís. As obras começaram em 1914 e só foram concluídas em 1918, pelo seu ineditismo no estado e pelo transporte de alguns materiais de construção vindos de regiões distantes. Muitos destes materiais ainda não eram produzidos no Mato Grosso.
Bernardo Franco iniciou a carreira de comerciante mascateando diversos tipos de mercadorias transportadas em lombos de burro. Aos poucos foi crescendo e fez fortuna.
Bernardo Franco teve criações de gado, fazendas, casas comerciais e chegou a importar um navio a vapor.
A embarcação trouxe equipamentos para a inauguração com requinte de sua casa comercial em Corumbá e depois fazia transporte de cargas por fretamento até Montevidéu e Assunção.
O nome deste navio vapor era Iguatemy.
Os serviços funcionaram até a chegada da ferrovia.
Como era um comerciante muito influente, Bernardo Franco conseguiu que os engenheiros responsáveis pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil mudassem o traçado original para que a ferrovia passasse perto do Solar dos Baís.
Coincidentemente, Bernardo Franco Baís, aos 77 anos de idade e com problemas de audição, não percebeu o trem que se aproximava quando ele atravessava os trilhos. O acidente foi em 19 de agosto de 1938 e Bernardo Franco morreu no dia seguinte.
Casado com Amélia Alexandrina, filha de fazendeiros de Coxim, no Mato Grosso do Sul, teve nove filhos ao longo do matrimônio, sendo que dois morreram no parto.
Os filhos foram Celina, Ida, Lídia, Júlio, Orfeu, Bernardo e Amélio.
Lídia se destacou por ser uma jovem rebelde para os padrões da época. Foi uma das primeiras artistas plásticas e pintoras de Campo Grande.

Morada dos Bais Campo Grande

Outra atração em Campo Grande é a Morada dos Baís. A família italiana atuou no comércio, agropecuária e transportes no Centro-Oeste brasileiro. Vindo da Itália, o patrono, Bernardo Franco Baís começou mascateando diversos produtos em lombos de burro e fez fortuna. A filha dele, Lídia Baís, foi artista plástica e artesã. Suas obras provocavam polêmicas no início do século passado e podem ser conferidas ainda na Morada, a primeira edificação de alvenaria de Campo Grande, que começou a ser construída em 1914 e teve as obras finalizadas em 1918. Foto: Adamo Bazani.

Nascida em 22 de abril de 1900, teve uma vida agitada. Estudou em São Paulo, no Rio de Janeiro, depois foi para a Europa.
Incompreendida às vezes, mas também demonstrando sinais de instabilidade emocional, Lídia chegou a ser internada várias vezes em sanatórios.
Nas obras, ela colocava sua visão de mundo, nem sempre aceita pela sociedade da época.
Dentro da Morada dos Baís, é possível ver alguns trabalhos conservados. Um deles foi sua própria interpretação da Santa Ceia, imagem tradicional nas salas de jantar das famílias.
Lídia se pintou ao lado de Jesus Cristo e ao lado de Judas, considerado o apóstolo traidor, fez uma imagem representando o diabo.
Ao fazer, em suas outras obras, imagens de pessoas imaginárias nuas, também chocava o comportamento tradicional para época.
Ela morreu em 19 de outubro de 1985. Já estava isolada das pessoas, desinteressada pela vida.
Suas companhias eram cães e gatos. Dificilmente recebia visitas.
Já com sinais de esclerose múltipla, doença degenerativa do sistema nervoso central e da medula espinhal, sofreu um tombo.
Ela recusou tratamentos médicos e foi aos poucos definhando até a morte.
O final do passeio com o ônibus do City Tour oficial de Campo Grande também é na Morada dos Baís.
Além dos pontos turísticos, a volta traz um espetáculo natural: o pôr do Sol, que deixa o céu com ondas alaranjadas e vermelhas.
Ao contemplar esta beleza, é possível dar mais valor ainda à preservação ambiental e perceber quanto as pessoas perdem de qualidade de vida e de bem estar por causa da poluição.
Aliás, é devido a este pôr do Sol, ao seu povo e à cor da terra que uma das definições de Campo Grande é Cidade Morena.

Pôr do Sol Campo Grande

Um dos espetáculos que pode ser conferido por qualquer um, sem custos, é o Pôr do Sol em Campo Grande e região. É uma contemplação que faz as pessoas darem valor à preservação ambiental. Graças a este Pôr do Sol que deixa a terra com uma coloração especial, Campo Grande recebeu o apelido de Cidade Morena. De acordo com historiadores, o termo se referindo à Capital do Mato Grosso do Sul foi usado pela primeira vez pelo arcebispo dom Francisco de Aquino Correia. Foto: Adamo Bazani

De acordo com historiadores, termo foi criado pelo arcebispo dom Francisco de Aquino Correia. Nascido em 1885 na região correspondente à Cuiabá, o religioso gostava de denominar as cidades e vilas por suas características.
A cor da terra sob o pôr do Sol inspirou o arcebispo.
Ele também costumava chamar Cuiabá de cidade verde e Corumbá, de Cidade Branca.
UMA VIAGEM INTERNACIONAL USANDO TAMBÉM ÔNIBUS URBANO:

Fronteira Ponta Porã

Um canteiro divide a brasileira Ponta Porã e a paraguaia Pedro Juan Caballero. Travessia pode ser feita a pé, sem nenhuma dificuldade. Foto: Adamo Bazani.

A partir de Campo Grande, de ônibus, é possível fazer diversas viagens, inclusive chegar ao país vizinho, Paraguai.
A rodoviária da cidade é nova.
O Terminal Rodoviário Senador Antônio Mendes Canale foi inaugurado em janeiro de 2010. Ele é administrado pela gigante Socicam, responsável também, por exemplo, pelas operações do Terminal Rodoviário do Tietê, Terminal Rodoviário da Barra Funda e Terminal Rodoviário do Jabaquara.
São seis mil metros quadrados de edificação, 25 plataformas e capacidade para 2 mil partidas diárias.
O Terminal Rodoviário de Campo Grande não fica no centro da cidade.
É necessário pegar ônibus urbano.
A reportagem ficou hospedada no Hotel Paris, a cerca de 300 metros da rodoviária.
Para chegar ao Centro, as linhas usadas foram a 061 – Shopping / Terminal Moreninha ou 087 Terminal Guaicurus – Terminal General Osório.
A reportagem aleatoriamente decidiu na hora fazer uma viagem internacional com baixo custo.
O caminho foi por Ponta Porã.
Para isso, é necessário pegar um ônibus rodoviário da Expresso Queiroz Ltda. A passagem para Ponta Porã custou R$ 67,20, mesmo preço para a volta.
Não houve pesquisa prévia da reportagem pela internet. Todas as informações foram passadas pela atendente da empresa de ônibus no guichê da rodoviária de Campo Grande.
O atendimento foi muito bom. A operadora do guichê deu todas as informações solicitadas, como tempo de viagem, linhas que fazem poucas e muitas paradas e horários da volta.
São quase seis horas de viagem que em si também são um espetáculo.
A estrada é boa e as paisagens são formadas por criações de gado, muita vegetação e canaviais.
Aliás, por horas o ônibus trafega entre os canaviais. Uma visão aparentemente monótona, mas bem relaxante e diferente para quem está acostumado às paisagens urbanas.
No meio do caminho, o ônibus para em Dourados, depois de cerca de três horas de viagem.
Muitas pessoas descem na cidade, vindas de Campo Grande, e outras sobem em Dourados para Ponta Porã.
Chegando a Ponta Porã, é possível perceber que a estrutura da cidade é bem diferente de Campo Grande. Poucas calçadas, asfalto ruim e terminal rodoviário bem simples, mas com bom atendimento.
Nas proximidades fica o Shopping China, já no lado Paraguaio. O espaço é enorme e reúne a venda de diversos produtos importados.
Mas o objetivo não era fazer compras. Era conhecer costumes, cidades, ônibus, história e belezas naturais.
Então, o destino escolhido foi o centro da cidade de Pedro Juan Caballero, onde o comércio de importados é grande também com lojas e barracas nas ruas.
O nome da cidade foi dado em homenagem a capitão Pedro Juan Caballero, um dos líderes da independência paraguaia.
Pela distância, não é possível ir a pé da rodoviária à região central de Pedro Juan, capital do departamento paraguaio de Amambay.

Medianeira Ponta Porã

Terminal de ônibus urbano em Ponta Porã. Estrutura é muito simples, mas fica bem perto da fronteira para o centro de Pedro Juan Caballero. No lado direito da foto é Brasil. Já do lado esquerdo, atrás do ônibus parado com a porta aberta, a travessia para o Paraguai. Foto: Adamo Bazani.

Ao chegar ao terminal rodoviário de Ponta Porã, o turista pode ser abordado por motoristas particulares que oferecem transporte até por R$ 200 ida e volta ou taxistas que cobram preço fixo de R$ 20 só ida.
Mas o objetivo era gastar pouco e conhecer cidades.
Na própria rodoviária, os agentes informam o ônibus urbano que para ao lado da fronteira que dá acesso ao centro da cidade do País vizinho.
Em vez dos R$ 20 ou R$ 200, uma passagem de R$ 2,70 de ônibus urbano da Medianeira Ponta Porã Transportes.
A empresa possui 24 veículos, uma boa parte de idade avançada. São transportadas por mês pela companhia 140 mil pessoas. Ponta Porã tem 79 mil habitantes.
A viagem da rodoviária ao terminal urbano de Ponta Porã é rápida, em média 10 minutos.
O terminal tem uma estrutura bem simples. A cobertura é pequena e o bolsão de estacionamento dos ônibus é de terra.
Mas há funcionários para informar o que o passageiro precisar.
A rua da frente do Terminal é o Brasil. Paralelamente já está o Paraguai. Para quem não conhece, a mudança de país quase passa desapercebida.
E se engana muito que pensa que Paraguai é só compras. É também história de desbravadores. Isso pode ser percebido logo nas primeiras quadras da cidade para quem sai do Brasil.
Há o Parque da Laguna de Punta Porã. O local remota às origens da cidade muito relacionadas aos transportes.
A presença de uma Carreta Campesina restaurada revela que o povoado que depois virou cidade surgiu ao redor da lagoa. Era lá que paravam os carreteiros transportadores de diversos produtos entre os dois países, Brasil e Paraguai, principalmente da erva-mate, motor da economia da região na época.

Pedro Juan Caballero

Pedro Juan Caballero

Se engana muito quem pensa que viajar para o Paraguai é só usufruir de compras. Há história, belezas naturais, cenários diferentes. Em Pedro Juan Caballero, Parque da Laguna Ponta Porã é outra viagem ao passado e revela a importância dos transportes no desenvolvimento da cidade e no relacionamento entre Brasil e Paraguai. Uma carreta campesina restaurada revela as origens da cidade. Fotos: Adamo Bazani.

Em 1893, o carreiro don Pablino Ramirez já tinha se instalado com suas carroças e empregados às margens da lagoa.
No ano seguinte, em 1894, don Jose Tapia Ortiz erguia uma residência no local.
Em 1º de dezembro de 1899 foi construída uma estação de polícia na cidade. A data é considerada a formação do município, porém oficialmente a data de fundação é primeiro de dezembro de 1900, embora alguns historiadores sustentam que o município foi formalizado em 30 de agosto de 1901.
Pedro Juan Caballero hoje mescla a modernidade, com casas de câmbio e um grande centro comercial, à história com igrejas antigas e o passeio pelo tempo que é possível fazer na praça ou parque da Laguna de Punta Porã.
Em comum, Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Pedro Juan Caballero têm em suas histórias a presença forte do setor de transportes, tanto de cargas como de passageiros, como fundamental para o desenvolvimento, como é hoje.

Expresso Queiroz Campo Grande

Ônibus da Expresso Queiroz cujos serviços permitem acesso com baixo custo de Campo Grande à fronteira entre Brasil e Paraguai. Alguns veículos levam a imagem do Ipê, árvore que é um dos símbolos da capital do Mato Grosso do Sul. Foto: Adamo Bazani.

A aventura de mais de três mil quilômetros entre Santo André, no ABC Paulista, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, tudo por via terrestre foi uma prova de que o ônibus pode levar com segurança a qualquer lugar, com a vantagem de apreciar os diferentes cenários que a história, as populações locais e a natureza oferecem aos viajantes.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

9 comentários em Ônibus é a melhor opção para conhecer os encantos de Campo Grande até o Paraguai

  1. Boa noite ADAMO

    MAIS UMA BELÍSSIMA REPORTAGEM.

    PARABÉNS!

    MARIO CUSTÓDIO

  2. De novo. Todo mundo só sabe criticar o Ádamo e o Blog. Quando sai uma matéria bem estruturada, completa e interessante igual essa, aí poucos se manifestam.
    Parabéns querido. Foi muito bem nessa viagem e na reportagem. Devia entrar na rádio com isso.
    Van

  3. Adamo,
    Excelente reportagem. Aguardo outras, pois, precisamos descobrir o enorme Brasil que temos ao nosso alcance, falando nosso idioma e com belezas naturais e históricas de alta relevância.
    Nos temos que dar valor ao nosso Pais, pois, só ouvimos dos nossos irmãos elogios aos países estrangeiros.

  4. Adamo, venho aqui fazer uma crítica construtiva a matéria, especialmente sobre a parte que fala a respeito do transporte coletivo de Campo Grande. Sei que para quem não mora aqui, é difícil fazer uma matéria com panorama real do transporte da cidade, é algo que exige muito tempo e estudo, ou seja, é completamente compreensível que não haja riquezas de detalhes, mas é bom ressaltar que tem diversos pontos falhos apontado.

    Para começar, um turista que deseja andar em Campo Grande, sofre muito e sempre dependerá de ajuda de alguém para se localizar. Pra começar, o site não apresenta o mapa das linhas, somente o itinerário escrito com uma quantidade enorme de erros, tanto no itinerário quanto na tabela de horário. O link sobre as linhas que passam por determinados pontos turísticos tem mais erros que o portugês do Lula. Os ônibus em si não traz muitas informações também sobre o seu destino, fora o nome da linha (e existe linha, por incrível que pareça, que nem denominação tem, somente o código numérico). Os ônibus que fazem trajeto terminal-terminal fica alternando o nome dos terminais no letreiro, um turista só de olhar o letreiro não tem como saber exatamente para qual terminal ele esta se dirigindo.

    A integração temporal é limitada, dependendo da linha, você não consegue fazer integração temporal pelo cartão, em um sistema que nem os mais aficcionados por transporte consegue explicar.

    Já os terminais de ônibus estão um caco, completamente destruídos. Se você se arriscou a entrar no banheiro de um deles, viu que a situação é lamentável. Os terminais são pequenos, no horário de pico vira um caos total, as placas indicativas são confusas, e pior, quando chove, alaga tudo. O Term. General Osório que você teve oportunidade de conhecer possui enormes crateras no asfalto que já deve fazer aniversário de 5 anos.

    Spbre a frota, em geral ela é realmente limpa e com boa manutenção (do chassi, carroceria é bem esquecida), e não é antiga, tem muito ônibus novo. Mas exceto os 13 Viales BRTs, temos os ônibus mais simples e desconfotáveis do mercado, configuração interna completamente inadequada para um cidade do porte de Campo Grande. Em relação aos veículos não adaptados, hoje somente os articulados mais antigos e uns 4 micro ônibus não são. Percentualmente não deve corresponder a 5% da frota, apesar de dia de semana, linha que roda com muito articulados sofre com a falta de veículo adaptado. Mas esta longe de ser uma dos maiores problemas de CG.

    A lotação dos veículos realmente é um grande problema, apesar de isto ser característico da quase todo grande sistema de transporte coletivo, mas a organização do sistema é bem antiga, desatualizada, e deveria ser muito melhorada. Basicamente vivemos numa cidade em que grande parte das linhas ainda atendem trajetos importantes da década passada, dificilmente temos atualizações de itinerário, ciração de novas linhas e etc.

    No mais, bacana a matéria. Espero que tenha curtido esta cidade, que a despeito de ter inúmeros problemas (como todo o Brasil), é linda e muito gostosa de se viver.

    • Muito legal seu relato de quem usa os serviços no dia a dia. Realmente são visões diferentes de quem usa eventualmente e de quem tem o conhecimento diário.
      Isso só vem a enriquecer a matéria.
      Confesso que não tive dificuldades em andar de ônibus por Campo Grande, mas realmente tinha de me informar com os funcionários sobre os destinos. Destaco, no entanto, que todos os funcionários foram muito bem solícitos e passaram informações satisfatórias.
      No mais realmente gostei muito da cidade e havendo oportunidade pretendo voltar.
      Abraços

  5. Adriano teotonio da luz. // 12 de junho de 2014 às 11:18 // Responder

    Muito bom

  6. Olá Jornalista Adamo Bazani, que falta faz uma rádio CBN,aqui em Campo Grande, no fina dos anos 90 e parte do ano ano 2000 e alguma coisa, A CBN era curtida pela Rádio Difusora am 1120. Voçê retratou bem Campo Grande em sua reportagem, digo isto como morador da cidade,e quanto ao deslocamento de ônibus o qual achou fácil, voçê está correto, ocorre que por muitas vezes,turistas que vem de municipios menores se confundir, como voçê é da maior cidade d Brasil,São paulo é achou bem fácil,assim como pessoas de cidades do mesmo porte ou maiores achariam também fácil.Adamo em breve nossa cidade até o final de 2014 se tudo ocorrer em, estará inaugurando o maior áquario de espécies(peixes) de água doce do mundo,com peixes do nosso pantanal brasileiro que fica em Mato grosso do Sul e exemplares também da flora amazônica,ele ficará sediado no parque das nações indigênas e contará com laboratório para estudantes também.Taí a dica para sua visitação se voltar lá pelos meados de 2015.Campo Grande desenvolve e tem muito ainda para crescer,apesar das últimos confrontos politicos pela administração da cidade que foram levadas ao tribunais, depois de uma eleição legitima,disputas que prejudicaram em muito os cuidados om a cidade de campo grande.Grato!

    • Legal Antônio.
      Realmente gostei muito da cidade, do sistema de transprotes, embora vemos que existem aspectos que precisam sim ser melhorados.
      Mas o clima, a integração com a natureza, mesmo em área urbana, é algo sensacional.
      E em 2015 quero ver sim este aquário.
      Grande abraço e obrigado.

  7. Olá novamente ,jornalista Adamo Bazani, tomara que a CBN,volte a transmitir sua programação em Campo Grande,que é excelente,bem gostaria de ressaltar,que realmente nós aqui de Campo Grande,neste 2014 já com pouco mais de 840 mil habitantes(IBGE) somos priiviligiados com a natureza,há 2 anos atrás fomos considerados a capital mais arborizada do país(fonte IBGE),temos vários parques na cidade preservados propósito,daí muitos que veem a campo Grande, acharem que a cidade é pequena por não ter tantos arranha céus,porém a cidade é dada as proporções bem vasta onde se valoriza mais as casas com grandes terrrenos que os prédios-apartamentos,isto é uma lei bem antiga da década de 90 que já previa controle da construções de arranha céus,enquanto Goiânia por ex, se orgulha deles,nós aqui sempre valorizamos o espaço,em casas com quintais e arvores,ha e as araras que viste no centro da cidade,é comum também nos bairros,além de quantidade incontavéis de canários e passáros em parques margeados por avenidas da cidade,aliás muitos paulistas que no passado aqui ieram morar, chamavam a Campo Grande, de cidade dos passsarinhos,pois em toda a parte da cidade,inclusive no centro, se acorda com o canto deles,bem como o entardecer,sobre transporte coletiv,para terminar, pelo projeto da cidade,já se necessita d no minimo 3 novos terminais de transbordo,que por enquanto está no aguardo das autoridades municipais.Para quem utiliza o carro particular,hoje é possivel em Campo Grande,chegar a qualquer ponto extremo da cidade,por avenidas sem que seja necessário passar pelo centro da cidade,por meo de avenidas de rápido trânsito.Grato!

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