OPINIÃO: Problemas nas alturas

monotrilho

Sistemas urbanos de transporte têm deixado de lado o monotrilho, de acordo com engenheiro especializado em segurança. Atualmente, a maior parte das estruturas de monotrilho é usada em pequenos deslocamentos e para demandas específicas, como em aeroportos e parque de diversões. Foto: Divulgação.

OPINIÃO: PROBLEMAS NAS ALTURAS
Vitor Seravalli (*)

O sistema de transporte público é um dos gargalos dos municípios brasileiros, principalmente nas capitais. Para enfrentar os problemas causados pelos congestionamentos cada vez mais frequentes, a solução está na implantação de um sistema de transporte público eficiente, que estimule o cidadão a deixar o carro em casa. Os custos de implantação e operacionais de cada modal, além do quesito segurança, devem pesar nas decisões governamentais.

Analisando as diversas variantes, fica difícil entender a crescente opção pelos monotrilhos em detrimento de outros modais com vantagens substanciais. Com custos de infraestrutura altos, que variam de US$ 50 milhões a US$ 150 milhões por quilômetro, o modal enfrenta ainda dificuldade de acessibilidade e operações de emergência, além do alto impacto urbanístico. Por outro lado, o BRT (Bus Rapid Transit) tem custos muito inferiores, que variam de US$ 0,5 milhão a US$ 15 milhões por quilômetro e pode servir muito bem como opção em vários projetos.

Enquanto o sistema de BRT vem se expandindo em várias cidades do mundo, o monotrilho é um projeto considerado de custo elevado, com necessidade de altos subsídios. A expansão do modal em Las Vegas e Seattle (EUA) foi abandonada. A questão de segurança pesou na decisão de abandonar o monotrilho e optar pelo BRT em vários lugares.

Nos últimos meses, temos acompanhado problemas frequentes no sistema metroviário paulistano, com passageiros abandonando vagões no meio do percurso, causando grande estresse no sistema. Imagine problema semelhante em um monotrilho, com o vagão numa altura de aproximadamente 15 metros do chão. Ao contrário do Metrô, que tem área de escape no túnel, a retirada de passageiros de um monotrilho é muito mais difícil e perigosa. O sistema não conta com saídas de emergência e a retirada de passageiros só poderá ser feita por meio de escadas magirus. Os sistemas de monotrilho em várias partes do mundo enfrentam ainda problemas com pneus que “estouram” com frequência.

Por isso, o sistema é usado em lugares menores como aeroportos e parques de diversão, mas não em ambiente metropolitano, que necessidade atender um grande número de viagens e passageiros. Além das cidades americanas já citadas anteriormente, o monotrilho também foi abandonado em Kuala Lumpur (Malásia) e Dubai (Emirados Árabes).

O monotrilho colabora ainda para aumentar impacto urbano na vizinhança com sistema elevado que, em muitos lugares, vão passar próximo às janelas dos moradores, provocando os mesmos problemas que o Minhocão provoca para os moradores vizinhos ao local. São dificuldades como essas que fazem do modal um fonte muito maior de problemas do que de soluções para o transporte público.

(*) Vitor Seravalli, engenheiro especializado em segurança e membro da Rede de Mobilidade Urbana Sustentável

14 comentários em OPINIÃO: Problemas nas alturas

  1. De fato é mais difícil evacuar um monotrilho, mas diversas atualizações tecnológicas justificam aplicações como as de São Paulo.

    Estamos prestes a vê-los em operação com passageiros e se justifica uma atitude positiva e otimista.

    Comparação com BRTs é ridícula, serve apenas para alimentar polêmicas.
    BRTs são ótimas soluções, mas não para qualquer local e/ou situação, bem como monotrilhos. Ambos têm seus limites. Exemplos:
    – Implantar BRTs em áreas densamente urbanizadas exigirá excesso de desapropriações, viadutos e túneis e priorização nos semáforos, pressionando o tráfego nas transversais.
    – Implantar monotrilhos em locais de interesse histórico terá impacto urbano inaceitável

  2. O monotrilho até Cidade Tiradentes já vai chegar saturado. E aí quando começar a acontecer as panes que são frequentes e diárias, iguais as da linha 3 vermelha do metrô, no monotrilho??? Aí eu quero ver. Corredores BRT já. Os moradores da zona leste não aguentam mais o trânsito da Radial Leste. Vamos seus vereadores vag…, incompetentes trabalhar e votar logo a lei que autoriza as desapropriações para a construção do corredor da Radial leste e os demais. O interesse de milhões de pessoas deve prevalecer sempre em detrimento de alguns. E tenho dito.

  3. Paulo Roberto Mariano Silva // 2 de Abril de 2014 às 13:25 // Responder

    Concordo plenamente com a reportagem, haja visto que sinceramente acho uma grande loucura ter uma linha de monotrlho para uma região bem adensada como Cidade Tiradentes ou como uma cidade como São Bernardo do Campo e São Caetano que mereciam um transporte sobre trilhos decente, se o governo do Estado não tem dinheiro para investir em METRÔ PESADO que se invista em sistema de BRTs que atende de forma mais confortavel e com menor custo, nem todo corredor precisa desapropriar, a estrutura já existe o problema é que o Governo do Estado só trabalha quando acontece algo errado. Lamentável.
    Ah sim Adamo Bazani, não se esqueça, em Poços de Caldas, há um monotrilho que se encontra abandonado, se tiver a oportunidade, verifica como ficaram as estruturas, o interessante é que este monotrilho foi gerido por iniciativa privada ( que é como o GESP quer para a linha 18), ou seja as pessoas do ABC estão fadadas a terem um GRANDE ELEFANTE BRANCO ainda mais por ter uma tecnologia que nem foi testada, é nova para São Paulo e quem poderá me afirmar que não existirão mais problemas??? Isso o Governo do Estado, Jurandir Fernandes e companhia esconderão e não abrirão para a grande imprensa para não causar um caos geral e para o Ministério Público não cair matando,

    • Especificações técnicas da Cia. do Metrô de São Paulo atendidas e executadas pela Bombardier, um dos lideres mundiais em trens e aviões.
      Não dá pra comparar com a aventura de Poços de Caldas

    • A grande imprensa é aliada dos tucanos em SP e está escondendo da população as contradições dos projetos das linhas 15 e 17. Quando acontecer uma tragédia, a Globo sempre dá um jeito de colocar a culpa no PT.

  4. Lembrando que linha 15 prata do metro (monotrilho) derivou de projeto de Corredor de Onibus, cuja construção parcial ocorreu com o nome de Expresso Tiradentes, tendo chegado até Vila Prudente (embora o trecho concluido se dirija ao Ipiranga), cujo custo orçado para o trecho em direção a Cidade Tiradentes foi muito alto e estaria ultrapassado em capacidade de transporte em curto espaço de tempo.
    Alternativa encontrada (monotrilho)foi intermediária entre BRT e Trem de Metro, e esperamos que traga bons resultados coroando de exito o planejamento dos técnicos envolvidos.

  5. MONOTRILHO foi abandonado em 4 cidades do Mundo e uma delas eu conheço bem pois estive lá e segundo os americanos dizem: é uma porcaria! Imagine em um sistema de grande carregamento de passageiros como o que se pretende para a cidade de São Paulo! O Monotrilho do ABC é um delírio tucano que adora TORRAR o dinheiro suado do contribuindo paulista e paulistano que tem um sistema de saúde doente e na UTI. Se o dinheiro fosse usado para tirar a saúde da UTI (e esse governador não é médico por acaso ?) o Estado de SP hoje seria orgulho para o Brasil pelo menos em matérias relacionadas à saúde e certamente o ninho tucano teria conseguido a presidência nas eleições de 2010 (considerando que no caso de SP este ninho desde janeiro de 1995 manda em SP e 15 anos seriam mais do que suficientes para dotar o Estado de SP com o melhor sistema de saúde do Brasil para as pessoas de baixa e média renda (pois as de alta renda só usam os planos particulares que cobrem quase tudo) mas ifnfelizmente não foi isso que fizeram e preferiram TORRAR o dinheiro em obras caras, inúteis, feias e SUPERFATURADAS como quase todas as grandes obras deste ninho que um dia será desmanchado! o MONOTRILHO DO ABC é uma reedição do ridículo fura-fila da dupla Maluf & Pitta e que foi rebatizado de Paulistão pela ex-prefeita petralha Martaxa que transformou o sistema de transportes da cidade de SÃO PAULO numa verdadeira zona tirando o grupo Constantino e seus amigos mineiros Ronan e Baltazar e colocando a máfia das cooperativas no lugar que só tem basicamente micros & micrões! Melhorou o transporte ? Que na licitação da cidade em 2016 ( Haddad não fará licitação em 2014 e nem em 2015 podem esquecer!) sejam exigidos apenas e tão somente ÕNIBUS e em um ou outro caso microônibus para as linhas mais dificeis! Quero ver se não vai melhorar o transporte pois o que falta também são mais ônibus e mais linhas e opções de deslocamento entre os bairros nesta cidade!

    • Concordo que as prefeituras de São Paulo só fazem – se tanto – trocar as máfias.
      Sim, há projetos de monotrilhos fracassados, por diversos motivos.

      Mais opções de deslocamento implica em mais linhas de média e alta capacidade. Estes monotrilhos de última geração parecem ser ótima opção, se cumprirem as velocidades, acelerações, frenagens e sinalização-controle especificados pelo Metrô. A experiência de entrar e sair destes trens sugere ser quase igual a Linha Amarela: com portas de passarela e sem condutores, muito rápida, segura e confortável.

    • Os micros resolvem o problema de mobilidade das “quebradas” (extrema periferia) pois lá as empresas de ônibus não querem transportar (bairros “dormitório”, com lotação na saída e desembarques apenas nos pontos finais (terminais)). O monotrilho da linha 15 é uma alternativa porca a uma antiga reivindicação dos distritos populosos de Sapopemba e São Mateus: a extensão da linha Verde do Metrô até São Mateus. O grande problema do Metrô de SP, além da corrupção, é o abandono de linhas que desafogariam a linha Vermelha. O chamado Expresso SP (transformar o ramal da CPTM paralelo a linha Vermelha em Metrô) não passou de promessa de campanha e a linha Vila Maria-São Judas, que cruzaria as linhas Vermelha, Verde e Azul foi abandonada. A linha Amarela teve a sua extensão até o Metrô Bresser cancelada. Por incrível que possa parecer, muitos em SP já têm saudade do Maluf, o chamado “rouba mais faz” pois os tucanos roubam e não fazem nada.

  6. É verdade, mas cadê que o Alckmin fascista estuda nada? Cadê ele escutando as opiniões contrárias?
    Ele só faz as coisas por conta própria sem escutar a opinião de ninguém.
    Essa porcaria desse monotrilho vai ser um baita problema.
    O cartel deve estar lucrando pra ele.

    • Acho que ele não estuda e escuta as oportunidades e necessidades da CPTM e menos ainda da EMTU/ônibus (porque no VLT de Santos ele fica babando).

      Mas para o Metrô, ainda que tenha demorado pra encarar e quase não mexa com as enroladas Zona Sul e Zona Leste, vem mandando bem.

      • Sim, mas há anos existe a discussão (não começou hoje com esta reportagem) da viabilidade do monotrilho. Desde quando o Alckmin falou pela primeira vez a palavra monotrilho, milhões de reportagens como essas bombaram. Imagina o perigo: se o monotrilho para, só escada magirus para resgatar as pessoas. O monotrilho tem uma capacidade bastante reduzida em relação ao metrô comum. Seria a mesma coisa que colocar um microônibus em uma linha, no lugar do ônibus. Qual a vantagem de colocar um sistema de capacidade reduzida numa cidade como São Paulo, onde nascem pessoas em árvores? Daqui a pouco tempo o monotrilho vai ficar saturado e vai dar muitos problemas e vai precisar ser derrubado.
        Será que o governador pensou em tudo isso?

      • Luiz Vilela // 4 de Abril de 2014 às 12:24 //

        Iago,
        Os monotrilhos terão passarelas para saída de passageiros. Na Vila Prudente e Oratório já estão instaladas. E também uma rede de tela metálica logo abaixo (exigência dos bombeiros), se der tumulto e o cara cair por cima do corrimão lateral.
        A capacidade do Zona Leste é violenta: igual a capacidade atual da CPTM da Marginal do Pinheiros. Só que a sinalização é igual a da Linha Amarela: sem falhas e sem condutor.

  7. Alguém se lembrou que antes de implantar BRT”s é preciso primeiro acabar com os pontos de alagamento e enchentes ? De que adianta uma via super rápida para os ônibus se tem pontos de alagamento em que não podem passar? É… Um dia São Paulo vai parar mesmo. Não por causa dos moradores e nem dos meios de transporte. É por inércia política mesmo que anda de helicóptero e não tem problemas de deslocamento.

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