Ônibus em São Paulo. Frota de veículos de transportes públicos cai,mas número de lugares aumenta com articulados, segundo SPTrans. Especialista defende mais corredores de ônibus para “socorrer” metrô. Foto: Adamo Bazani
Só o Metrô não dá conta mais em São Paulo
Especialista em transportes afirma em artigo em O Estado de São Paulo que por mais que o Metrô se expanda, mais ele vai atrair demanda e operar no limite. Ônibus devem complementar. Frota de ônibus Capital Paulista caiu e ciclovias não somam 1% dos espaços nas capitais.
ADAMO BAZANI – CBN
São Paulo precisa de mais metrô. A frase que quase virou um mantra é verdadeira e mostra uma necessidade nos transportes da cidade.
Mas em artigo no jornal O Estado de São Paulo, o arquiteto e consultor especializado em Transportes, Flamínio Fichmann, reforça o que já outros estudiosos dos transportes já afirmaram. Só o metrô não basta para São Paulo. E a questão não é somente expandir a malha, já que se a extensão da rede for ampliada, mais pessoas vão usá-la e o metrô vai continuar operando no limite, na visão de Flamínio Fichmann.
A questão é lógica e mostra que além do metrô, deve haver outras opções, em alguns casos até sobreposições bem planejadas, para diminuir a densidade nas composições metroferroviárias. E os corredores de ônibus de maior capacidade e velocidade, do tipo BRT – Bus Rapid Transit, fazem parte desta solução para que as expansões do metrô já não nasçam saturadas.
Acompanhe o artigo do professor na íntegra em O Estado de São Paulo.
“Desconfio que o aumento das falhas esteja relacionado ao incremento da demanda no período. Não houve uma oferta maior em termos de expansão, mas em função da integração da bilhetagem entre os diferentes sistemas, a partir de meados da década passada, criou-se uma sobrecarga. Ela faz com que haja maior pressão sobre a frequência dos trens, especialmente nos horários de pico. Um sistema que trabalha no limite de carga o tempo todo é mais suscetível a falhas e ocorrências. Para que este cenário se reverta ou estabilize, ou aumentam a extensão do metrô ou diminuem a população. Como é muito difícil que a população caia, é preciso fazer o metrô crescer. Porém, o fato de ampliar a rede não garante que haja uma densidade menor de passageiros, proporcionalmente ao que se verifica hoje. Porque há uma ampliação da área geográfica de atendimento, consequentemente, trazendo gente nova para o metrô. Por isso, o sistema metroviário precisa ser socorrido em parte por um eficiente sistema de ônibus, por meio de corredores BRT (sigla em inglês para transporte rápido de ônibus). Sozinho, o metrô não vai dar conta nunca de toda a demanda, basta pensar na que existe e está reprimida. Enfim, se não tiver uma eficiência maior no sistema de ônibus, não imagino uma diminuição de uma densidade do sistema de metrô. Nem sempre as pessoas precisam estar no grande sistema estruturante, como corredores de ônibus, metrô e trem. É preciso melhor atendimento da rede complementar de ônibus, com conforto e eficiência. Além de tudo, é complicado operar o sistema no limite da capacidade. Apesar de o Metrô ser uma das empresas que mais primam pela questão da segurança, as falhas acontecem.”
BICICLETAS:
Além dos ônibus, outros meios de transportes podem ajudar na redução do excesso de lotação de trens e metrôs, como a bicicleta.
No entanto, em média, apenas 1% (isso mesmo – 1%) das vias nas capitais brasileiras tem algum espaço para os ciclistas. Em diversas cidades, o total de ciclovias é de 1 mil 118 quilômetros.
A convivência entre veículos motorizados e bicicletas nem sempre é fácil. Mas o conhecimento da limitação de cada um dos condutores é fundamental para que haja respeito.
Na reportagem deste link, você confere, com mais de dez imagens, os pontos-cegos de um ônibus em relação a ciclistas e pedestres, orientando os locais que os condutores de bicicletas devem evitar ou redobrar a atenção ao passarem perto de um ônibus e onde os motoristas devem ter mais cuidado. Acesse:
Acidentes com bicicletas e ônibus: respeito, bom senso e informação podem evitar tragédias
FROTA DE ÔNIBUS NA CAPITAL:
Enquanto especialistas defendem que os ônibus são soluções para melhorar a mobilidade em São Paulo e aliviar a lotação dos trens e metrô, a cidade registrou em janeiro e fevereiro de 2014, a menor frota de ônibus municipais desde 2009. Foram 14 mil 764 ônibus. Em janeiro e fevereiro do ano passado, foram 14 mil 972 ônibus. Em 2009, a média mensal, era de 14 mil 748 ônibus.
Segundo a SPTrans, isso no entanto não significa mais lotação. A oferta de lugares, segundo o órgão, cresceu, já que o número de ônibus articulados, que possuem capacidade para 128 lugares, subiu de 914 para 1 mil 324 coletivos deste tipo.
Ainda de acordo com a SPTrans, 111 ônibus foram destruídos em incêndios do ano passado para cá, o que influenciou na frota cadastrada.
Além disso, o órgão diz que houve uma racionalização no uso da frota com as faixas de ônibus. Isso na prática significa que linhas foram substituídas ou encurtadas e algumas em vez de servirem de opção ao metrô, como defendem os especialistas, acabaram colocando com estes seccionamentos mais passageiros no metrô e no trem.
A SPTrans diz que 141 linhas foram substituídas e 31 seccionadas desde o ano passado. A gerenciadora ainda fala em 73 linhas criadas.
Se a frota teve uma redução de 1,5% de janeiro e fevereiro de 2013 para o mesmo período de 2014,o número de passageiros aumentou 5,4%, com uma média de 230 milhões de passagens registradas.
A maior redução da frota ocorreu nas empresas concessionárias, que no primeiro bimestre de 2013 tinham 8 mil 988 veículos e agora possuem 8 mil 776 ônibus. A frota dos veículos de cooperativas ficou praticamente estável
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes