O crime organizado, as cooperativas de transporte e os ataques a ônibus

ônibus queimado

Ônibus queimado em São Paulo. Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo, vai investigar a relação entre os ataques a ônibus a apurar a participação de facções criminosas que teriam ligações com cooperativas.

Ministério Público vai investigar ação de facções criminosas nos incêndios a ônibus
O fato de a maioria dos ataques ser a veículos de empresas e não de cooperativas chama a atenção do Gaeco
ADAMO BAZANI – CBN
Informações G 1- São Paulo
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, acredita que pode haver a atuação de uma facção criminosa do Estado nos mais de cem incêndios a ônibus que ocorreram na Capital desde janeiro de 2013.
Um dos indícios que fazem o Gaeco abrir uma investigação,além das outras promotorias, é que a maioria dos ataques ocorreu contra ônibus de empresas do sistema estrutural e poucos veículos de cooperativas do sistema local foram atingidos.
O método de investigação do Gaeco vai ser mais adequado. Em vez de analisar os ataques isoladamente, como faz a Polícia Civil, que descarta a participação do crime organizado, este braço do Ministério Público vai verificar todos os ataques e ver se há relação entre as ações.
O órgão quer entender porque apenas sete por cento dos veículos incendiados são de cooperativas e o restante das empresas do sistema troncal.
A preocupação do Gaeco se dá pelo fato de várias investigações apontarem a ligação entre o PCC –Primeiro Comando da Capital com cooperativas de transportes na cidade de São Paulo.
De acordo com reportagem de Tahiane Stochero, do G 1 de São Paulo, há procedimentos do Gaeco sobre possível lavagem de dinheiro do crime organizado pelas cooperativas.
“Os procedimentos foram instaurados entre o fim de 2012 e o início de 2014. A suspeita do MP é que o crime organizado não coloque fogo no próprio patrimônio. Ao menos quatro cooperativas são investigadas. Elas são suspeitas de funcionar como uma nova forma de renda da facção e também para lavar o dinheiro do tráfico de drogas – mais de R$ 8 milhões mensais. Segundo promotores, as denúncias tiveram início em 2012. A suspeita é que a quadrilha tenha comprado micro-ônibus e linhas de cooperativas: cada trajeto local vale entre R$ 150 mil e R$ 270 mil. O MP suspeita que o dono da van continua trabalhando na linha, mas agora como funcionário do “crime organizado”. – diz a reportagem.
À repórter, o promotor Everton Zanella, coordenador estadual do Gaeco, acredita que o crime organizado quer mostrar força queimando ônibus.
“Recebemos tudo o que polícia já investigou e vamos tentar uma relação entre os casos. Nos parece que grande parte dos casos vem do crime organizado. São ações com o objetivo de afrontar o estado. Uma demonstração de poder”, afirma Zanella.
Ele também afirmou que uma das possibilidades é de que a população saiba que parte dos micro-ônibus de cooperativas é ligada ao crime organizado e por isso, não ataca estes veículos com medo de retaliação de bandidos.
“É estranho que vans de permissionárias não sejam incendiadas. Tem bem mais ônibus do que micro-ônibus (como alvo) e isso ocorre por algum motivo. Isso que queremos descobrir. Pode ser que a população saiba o que é do crime organizado e o que não é”, diz o promotor à reportagem do G 1.
OPINIÃO DO BLOG PONTO DE ÔNIBUS:
A reportagem do G 1, publicada neste dia 17 de março de 2014, que revela o interesse do Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo, em investigar se os cerca de cem incêndios a ônibus desde 2013 na cidade têm relação com o crime organizado, dá a oportunidade para uma série de reflexões. Estranhamente ou não, apenas sete por cento dos veículos atacados são de cooperativas. A grande maioria dos ônibus destruídos é de empresas.
São várias investigações que mostram indícios de participação de facções criminosas nas cooperativas tanto para suposta lavagem de dinheiro ou mesmo para engordar o caixa dos bandidos.
Tentar ignorar uma possível participação do crime organizado não é a melhor forma de enfrentar o problema. A questão é que a Polícia Civil de São Paulo é formada por profissionais competentes e experientes. Ao longo da cobertura policial pela Rádio CBN, encontramos delegados e investigadores que possuem vontade e condições de esclarecer e ajudar a combater a atuação do crime em São Paulo seja por organizações criminosas ou não.
Mas também verificamos que, mais que em vários estados da federação, a influência política limita o trabalho dos policiais e os impede até mesmo da livre expressão.
E a tática do Governo do Estado de São Paulo é negar problemas.
Não que se deve dar força e promover facções criminosas, mas ocultá-las aos olhos da população é o mesmo que protegê-las.
A sensação de insegurança é perigosa, mas a falsa sensação de segurança é pior ainda.
Algumas informações não devem ser divulgadas para não atrapalhar investigações, mas o que ocorre no Governo de São Paulo é o medo de ficar ruim na mídia.
Isso ocorre até com os níveis das represas. O Governo reduziu o fornecimento para os municípios que dependem do sistema Cantareira, já falta água em dias e horários marcados, mas as autoridades insistem em dizer que não há racionamento.
Cabe ao jornalista ouvir a versão oficial, mas abordar contradições e divulgar as suspeitas quando elas procedem.
Já na cobertura na área de transportes, é possível perceber que estes ataques a ônibus de empresas, não devem, num primeiro momento, se tratar de uma disputa entre viações e cooperativas. O sistema de transportes está bem combinado.
A possibilidade de atuação do crime organizado não deve mesmo ser desconsiderada nos ataques, disfarçados em manifestações populares, pois há lógica no raciocínio do promotor Everton Zanella, coordenador estadual do Gaeco: o crime organizado quer mostrar poder, mas não quer destruir o patrimônio. Além disso, ao saber da possível ligação de algumas cooperativas com facções criminosas, a população tem medo de atacar estes veículos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

6 comentários em O crime organizado, as cooperativas de transporte e os ataques a ônibus

  1. Ewerton Santos Lourenço (PNE Guarulhos) // 17 de março de 2014 às 17:19 // Responder

    Isso já está mais enraizado do que parece; aqui em Guarulhos mesmo a linha que tanto menciono nos seus posts. A Linha Intermunicipal da EMTU a 349TRO – São Paulo (Itaim Paulista) – Guarulhos (Brasília) é um tremendo desaforo aqui na Região do Bairro dos Pimentas. Já tentaram colocar mais ônibus na linha, mas população teme que os Perueiros Clandestinos que saem da Estação do Itaim Paulista da CPTM atearam fogo em um veículo da E.O. Vila Galvão. Na verdade esses caras da RTO infelizmente; alguns deles tem sim tratos com O Crime Organizado; é típico dos Governos do PSDB e PT que há anos tem a atitude de empurrar a “poeira” pra debaixo do tapete.

  2. LEDRAJ SARCE DOPRA // 18 de março de 2014 às 00:15 // Responder

    FORA COOPERATIVAS NOVA CMTC JÁ

  3. Só agora q alguem viu isso, o envolvimento do pcc com cooperativas de transportes é tão atingo que vem desde a epoca dos perueiros (peruas mesmos logo no começo) e se multiplicaram ganhado muito força no governo de dona marta e seu fiel escudeiro tatto.

  4. Só agora quer você ver isto ataque a Ônibus conversa furada ????????

    • Quanta ignorancia alguem pedir a volta da cmtc que foi o simbolo da corrupicao e falcatruas ou jå esqueceram das compras de porcas e arruelas que até hoje estao estocadas no. patio do pari. Quanto as cooperativas tenham certesa de que a tarifa hoje estaria bem maior e os onibus dos baroes do transportes continuariam sendo sucateados

      • A privatização da CMTC que ajudou esses perueiros a se espalharem pela cidade,na época dela nem havia perueiros,o preço das passagens não era caro,empresários não deitavam e rolavam,tinhamos uma Vasta rede de trólebus,símbolo de corrupção?isso foi em algumas épocas.

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