Ônibus na cidade de São Paulo. Após reunião com o Movimento Passe Livre, secretário de transportes disse que vai suspender plano de seccionamento de linhas de ônibus na Capital. Jilmar Tatto ganhou o “prêmio” catraca de ouro. Foto: Adamo Bazani.
Seccionamento de linhas é suspenso em São Paulo após reunião com o Passe Livre
Tatto disse que mudanças serão comunicadas aos passageiros e recebe o “prêmio” catraca de ouro
ADAMO BAZANI – CBN
O secretário municipal de transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, disse na noite desta quinta-feira, dia 20 de fevereiro de 2014, que está suspenso provisoriamente o plano de seccionamento de linhas de ônibus da Capital Paulista.
“O seccionamento está congelado e qualquer mudança que venha a ser feita será com ampla divulgação e informação ao cidadão.” – disse o secretário após ato do Movimento Passe Livre – MPL, que ocorreu na noite de ontem em frente à sede da prefeitura de São Paulo, na região central.
A suspensão vale para os novos seccionamentos que estavam para ser realizados e já constavam nos planos da prefeitura e não para os já realizados que inicialmente permanecem. Mas Tatto não descartou a possibilidade de rever algumas mudanças já promovidas.
Ao menos 80 linhas foram reduzidas, sendo que 45 somente na zona Leste de São Paulo, após o descredenciamento da Itaquera-Brasil.
Apesar de descredenciada por várias irregularidades, diretores da Itaquera Brasil continuam operando na região leste com uma empresa que recebeu um novo nome: Express.
Para o MPL, muitas divisões de linhas acabaram complicando a situação dos passageiros que são obrigados a fazer várias baldeações interferindo no tempo de deslocamento e no maior cansaço provocado pelas viagens.
Entre as linhas que receberam mais reclamações por causa do seccionamento estão: 577T Vila Gomes–Jardim Miriam, 3354 Jardim Colonial–Terminal Parque Dom Pedro e 3781 Cidade Tiradentes–Metrô Penha.
Cerca de 200 pessoas participaram do debate promovido pelo movimento.
Moradores das zonas sul, norte e oeste e em especial, os da zona leste de São Paulo, relataram as dificuldades.
Tatto disse que o objetivo das mudanças era racionalizar o sistema e com isso aumentar a eficiência dos transportes.
Mas uma das principais contestações dos manifestantes era o fato de a SPTrans – São Paulo Transporte fazer remodelações nas linhas pensando num sistema tronco-alimentador antes de a prefeitura construir os corredores de ônibus com estações de transferência, que aí sim, dariam maior velocidade ao sistema de ônibus.
Como ironia e para enfatizar que as mudanças promovidas pela SPTrans até agora só serviram para aumentar a lucratividade dos empresários de ônibus e dos donos de veículos de cooperativas, que cobram o mesmo valor de passagem em itinerários menores, o Movimento Passe Livre entregou ao secretário Jilmar Tatto uma catraca de ônibus pintada de ouro.
“Tatto merece o prêmio catraca de ouro” – diziam os integrantes do movimento.
Apesar de aparentemente constrangido com a “premiação”, Tatto disse ser importante as manifestações populares, como de estudantes, e que pretende dialogar com o Movimento Passe Livre
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes