Crescimento da frota de veículos e desafios para o transporte público
Publicado em: 15 de fevereiro de 2014

Congestionamento na cidade de São Paulo. Crescimento da frota de veículos foi recorde nos últimos três anos. O problema, no entanto, não é a quantidade em si de carros e motos, mas o uso que se faz dos transportes individuais. Há cidades cuja relação do número de carros/motos e população é mais expressiva que em São Paulo, mas há uma rede de transportes coletivos confiável, rápida, confortável e com custos acessíveis. Foto: J.F.Dório.
Frota de veículos em São Paulo bate recorde de crescimento em 2013 nos últimos três anos
Apesar de avanços para a mobilidade urbana, as políticas públicas em diversos níveis ainda favorecem e muito o transporte individual. Será que o número de veículos em si é o principal problema?
ADAMO BAZANI – CBN
Mobilidade urbana e transporte público se tornaram as palavras-chaves da vez. Seja em discussões nas ruas, na imprensa e obviamente nos discursos políticos e promessas em tom eleitoreiro.
Mas, na prática, apesar de incontestáveis avanços, é o transporte individual que ainda recebe a prioridade nas políticas públicas e tributárias de diversas esferas de poder e em diversos níveis: municipais, estaduais e federal.
O que num primeiro momento pode representar um bom sinal de prosperidade dos cidadãos, elevação de classes e crescimento econômico, o aumento da frota de veículos nas principais cidades, também traz problemas que são velhos conhecidos, como os congestionamentos que geram prejuízos econômicos, poluição e perda de qualidade de vida.
Mas enquanto os discursos em prol do transporte público são acompanhados de ações insuficientes, na prática, o que ocorre é ainda a migração das pessoas para as formas individuais de deslocamento.
Dados do Dentran – Departamento Nacional de Trânsito, em levantamento obtido pela equipe de jornalismo do G 1, portal de notícias da Rede Globo, mostram que em 2013, número de veículos emplacados na cidade de São Paulo bateu recorde crescimento nos últimos três anos.
A cidade de São Paulo recebeu nada mais nada menos que 130 mil novos carros e motos. Isso sem contar os veículos registrados em outras cidades e que circulam na Capital Paulista.
Com isso, em 2013, a frota de carros de passeio na cidade de São Paulo chegou a 5 milhões 445 mil 562. A população na cidade é de 11,8 milhões, o que significa média de um carro para cada duas pessoas. É muito, levando em conta que o número de habitantes também considera crianças, adolescentes e outras pessoas que não podem dirigir, o que significa dizer que boa parte das pessoas habilitadas já possui mais de um veículo próprio.
Outro dado que revela preocupação é que o número de carros de passeio e motos cresceu em ritmos mais acelerados que de outros veículos. No início deste ano, a frota de motos registrada na Capital Paulista chegou a um milhão.
Se for considerado o fato que ao menos 50% dos atendimentos médicos por acidentes no trânsito envolvem motociclistas, este número é preocupante.
Somando os principais tipos de veículos: motos, carros, comerciais leves, caminhões, micro-ônibus e ônibus, São Paulo em 2013 registrou 7,6 milhões de automóveis. A média em relação à população de 11,8 milhões de habitantes é de 1,5 veículo para cada pessoa na cidade.
O número interrompe uma sequencia de quedas: Em 2011, foram emplacados na cidade 120 mil veículos e em 2012, foram 102 mil.
Os grandes incentivos dados à indústria de automóveis ao mesmo tempo que os transportes coletivos não recebem investimentos adequados explicam em boa parte estes dados.
Entre os incentivos estão as sucessivas reduções do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados para carros de passeio feitas pela equipe econômica do Governo Federal.
Analisando de uma maneira mais abrangente, o problema não é o número de carros em si e a quantidade de pessoas que compraram seus veículos próprios. Todos deveriam ter este direito. A questão está no uso que se faz dos veículos em São Paulo.
Há cidades que as taxas de carros de passeio por habitantes são até mais expressivas que na Capital Paulista, mas o comportamento da população é diferente.
Boa parte usa o carro apenas nos fins-de-semana ou para deslocamentos esporádicos.
Isso porque a população pode contar com uma rede eficiente de transporte público composta por diversos modais integrados, principalmente metrô, trens e ônibus em corredores e faixas.
Para convencer a população a deixar o carro em casa, não há necessidade de grandes discursos ou obras megalomaníacas que mais chamam a atenção por serem novidades do que por terem resultados práticos. Basta fazer com que o transporte coletivo ofereça rapidez, confiabilidade, conforto e custo convidativo para o passageiro.
A rapidez é garantida por espaços exclusivos e prioridade ao transporte público na cidade. A confiabilidade vem pelas boas gestões, manutenções e operações nestes espaços. Não adianta ter um bom corredor de ônibus ou uma extensa rede de metrô com má operação ou que apresenta panes constantemente. O conforto é garantido pela rapidez, confiabilidade e pela exigência do uso de veículos modernos e seguros, além de fácil acesso e boas estruturas nas estações, terminais e paradas.
O custo convidativo se dá através de tarifas que não pesem demasiadamente no bolso do passageiro. Muitos migraram para o transporte individual porque o custo mensal acaba sendo o mesmo ou menor que o valor das passagens do mês. Isso ocorre principalmente com quem migrou para as motocicletas.
Quando para se deslocar num veículo sozinho tem custo semelhante ao deslocamento onde se compartilha o mesmo veículo com 100 ou 200 pessoas, muita coisa está errada e distorções precisam ser corrigidas.
No entanto, falar em reduzir as tarifas sem apresentar soluções para isso é criar outro oportunismo político.
Operar transporte, seja rodoviário ou ferroviário, é caro. É inevitável que o Estado participe do financiamento dos transportes, pelos benefícios econômicos e sociais que eles trazem.
Se pode parecer um absurdo, num primeiro momento, pensar que o Estado deve assumir parte do valor das tarifas, o que falar então dos R$ 11 bilhões que as montadoras ganharam no ano passado só pela redução do IPI dos carros de passeio?
Aliás, o Estado nem precisaria pagar pelos pagantes. É só assumir gratuidades e benefícios, hoje custeados pelos passageiros que rodam as catracas, que uma tarifa hoje de R$ 3,00 pode cair para R$ 2,00.
Não é de maneira nenhuma taxar as gratuidades como vilãs dos transportes. Mas é questão de Justiça Social. O passageiro não deve assumir todos os custos. Os idosos contribuíram e muito para o crescimento do País, nada mais justo que o País de uma maneira global, através do Estado, retribua agora. Ao oferecer meia tarifa ou isenção para estudantes, os serviços de transportes não se limitam ao deslocamento destes estudantes, mas fazem parte da política de acesso à educação, por isso, esta área deveria incluir o financiamento dos transportes em suas políticas públicas. O mesmo ocorre com os policias e categorias específicas como carteiros e oficiais de Justiça. Ninguém é contra gratuidade, mas oferecer benefícios com o dinheiro dos passageiros somente não é justo. Cria distorções. O fato é que vários beneficiados com as gratuidades têm mais condições de pagar as passagens que muitos passageiros que hoje assumem sozinhos os custos dos transportes.
No Estado de São Paulo, não somente na Capital, houve uma redução nos emplacamentos, com 758,2 mil novos registros em 2013 contra 779,5 mil registros em 2012, queda de 2,72%, explicada pela acomodação dos números, já que em anos anteriores, diversas regiões do Estado registraram altas expressivas na frota. O Estado de São Paulo tem 26 milhões de veículos registrados
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.


Não vejo perspectiva de mudanças em curto período de tempo. Todas as esferas de governo se beneficiam com a industria automobilística. O federal através da arrecadação de IPI por exemplo. Mesmo com a redução do imposto acaba-se arrecadando mais, já que onde todos pagam menos, a arrecadação tende a ser maior, inclusive com o aumento das vendas de veículos. Os estaduais com arrecadação de IPVA, concessão de rodovias (as empresas acabam pagando parte dos recursos do pedágio ao Estado e este se livra da manutenção e demais obrigações. Até viaturas para a PMR as concessionárias fornecem) e multas de transito e finalmente municipal com a indústria da multa, que caso alguem ainda não acredite que ela existe, recomendo a leitura deste artigo, http://autoentusiastas.blogspot.com.br/2013/12/multa-industria-que-nao-existe.html muito bem embasado, com dados tirados de documentos oficiais.
Gostei das observações que você fez , é bem por ai .
Sr Luis Nunez , parabéns pelo comentário e sugestão de leitura e complemento informando ao Brasil que aqui na região Sul e especialmente no pequeno e apertado Estado de SC que no mapa está no meio dos dois gigantes RS e PR, a indústria de multas vai de vento em popa e por isso é que temos grandes obras viárias aqui e dificilmente alguém perde mais do que um ou dois minutos nas rodovias pois existem viadutos em quase todos os cruzamentos e as estradas parecem ser de primeiro mundo com muitos bur… digo reparos que constantemente são feitos hehehe….
Infelizmente quisera que isso fosse realidade mas não é! Não tem dinheiro nem para reparos nas estradas e arrecadam milhões de reais por mês com multas e taxas de tudo quanto é tipo! Fico pensando quantas pessoas da política catarinense dependem destes recursos para sabe-se lá o que fazerem uso deles em outras áreas que não a da mobilidade, dos transportes e da infraestrutura em geral.
A questão do aumento do uso do carro particular está ocorrendo em todo o País e até cidades outrora tranquilas e pacatas hoje em dia estão entupidas de carros e em pelo menos 2.000 dessas cidades nem existe transporte coletivo urbano pois as prefeituras nunca se preocuparam com as necessidades mínimas de sua população. O Brasil tem cidades com 50 mil habitantes que ainda NÃO tem transporte urbano, pesquisem e comprovem.
Segundo o governo federal existe transporte urbano em 3.113 das 5.665 cidades do Brasil porém nestes dados estão cidades que tem ônibus urbanos mas eles NÃO fazem linhas urbanas pois são reservados exclusivamente ao transporte escolar e infelizmente acabaram entrando na conta dp governo federal que nem conhece o País nessa questão confundindo transporte urbano/municipal com transporte escolar. Em pelo menos 2000 cidades do Brasil não há nem mesmo um transporte escolar decente!
Então a questão é que a frota de carros mais crescer mais e mais e a níveis insuportáveis e as cidades em sua maioria irão ficar literalmente paradas pois as obras viárias advindas de multas, taxas e outras formas de arrecadação são todas desviadas para pagar outros compromissos ou quem sabe ajudar a construir a mansão do vereador ou deputado que more aí na sua cidade!
Amigos, boa noite.
O post nos informa:
“Há cidades que as taxas de carros de passeio por habitantes são até mais expressivas que na Capital Paulista, mas o comportamento da população é diferente.”
Exceto Curitiba (não sei se atualmente ainda pode ser considerada), no Brasil, quais cidades são essas, alguém pode me informar ?
Após a leitura do texto qual levanta muitas interrogações, levanto uma questão para reflexão e gostaria que outras pessoas pudessem contribuir quanto a reflexão.
Pelo menos eu desconheço, que haja um trabalho técnico quanto ao Buzão de Sampa.
Lembrando que parece que ninguém sabe de nada, pois senão não tinham contratado a consultoria.
Necessitamos de um trabalho técnico, onde se diga TECNICAMENTE o que se tem de fazer, eu sou um apaixonado e dou meus palpites do buzão, mas não sou técnico na área.
Por exemplo cortar a cidade em “x” eixos RETOS, com corredores sem semáforos e depois fazer a distribuição RETAS das alimentadoras e assim sucessivamente.
Não importa se vai custar “n” zilhão de dólares, mas o importante é saber o que tem de ser feito, mas de maneira técnica, profissional e com competência.
Parece que tudo é feito amadoristicamente, vejam a linha 4 Amarela do metro em “S”, as escadas que saem das plataformas, o fluxo cruzado de pessoas, até parece que o projeto não foi feito por engenheiros e sim por cirurgiões (aqui nada ofensivo aos profissionais, somente comparando a disparidade como se a linha fosse feita por outra categoria profissional – e é o que de fato parece).
O buzão com DEGRÁU ALTO INTERNO, outra anomalia das encarroçadoras e de quem aprovou esta porcaria.
É inacreditável o número de erros crassos e a forma como o buzão é tratado.
Conforto interno de buzão urbano ?
Bom, isso nem se fala então NÃO EXISTE.
E o buzão rodoviário com o símbolo dos PNE´s que um cadeirante tem de subir no colo do “piloto”.
Cade a porta e o elevador ?
Será que a ANTT sabe onde está ?
Isso tudo não passa de uma brincadeira de muito mal gosto.
Agora tenham a santa paciência, desse jeito ainda falam em atrair usuário do carro individual para o buzão, só pode ser piada e PIADA DE EXTREMO MAL GOSTO.
Bom, enquanto não for feito transporte com qualidade técnica, esqueçam, só vai piorar a cada dia afinal isso é exponencial , a região metropolitana de Sampa tem uma população quase na casa dos 21 milhões de habitantes e isso não pode ser tratado de forma amadora.
Se alguém conhecer um link onde haja um trabalho realmente técnico sobre o buzão de Sampa, por favor post o link para eu ler.
Outro dia passei na Anhaia Melo e o AEROTREM está parado, a estação fica do lado da sala de São Pedro lá perto do céu, agora eu pergunto:
Já que o espaço está todo tomado, a estação do AEROTREM não podia ser no solo, ou pelo menos mais baixa.
No Expresso Tiradentes, não dá para assentar uma linha de bonde, metro ou algo com maior capacidade e velocidade?
Alguém já viu o Terminal do Buzão do Butantã o tanto que o projeto é mal feito, ângulos de entrada e saída a 90 graus, o micrinho para sair do Terminal come faixa, apertado um LIXO de projeto, lamentável.
Outro dia tinha um Mondego articulado com o rabo de fora (kkkkkkkkkkkkk), gente esse terminal mal dá para acomodar um Apachezinho Baleadaço e Muito Encardidaço, os caras enfiam Mondego articulado, tá loko!
Agora fala sério, se nem terminal sabem projetar que dirá o resto e tem mais, há muita falta de criatividade.
Bom é isso.
Entendo que com esse volume populacional e se persistir a falta de aplicação de técnica no buzão de Sampa, nada irá melhorar nunca.
Novas ideias, critica e sugestões serão bem vindas, no intuito de que alguma hora façam um trabalho TÉCNICO.
Att,
Paulo Gil