Empresas de ônibus culpam a imprensa por “incentivar” ataques a coletivos em São Paulo

ônibus

Jornalistas registram momento em que ônibus estava queimando. Para viações, imprensa incentiva ataques ao noticiar as ações criminosas, mas quando o assunto foi investir, donos de ônibus e lotações recuaram e disseram que a proposta da PM para a colocação de câmeras de segurança nos veículos seria cara e de pouca eficácia. PM descarta sugestão para que policiais façam interlocução com jornalistas quando ocorrerem as ações criminosas.

Empresas rejeitam câmeras para combater série de ataques a ônibus e responsabilizam imprensa por incentivar as ações
Em reunião com o promotor de Justiça Saad Mazloum, representantes de cooperativas e viações querem que PM destaque um interlocutor para os jornalistas. Corporação descartou a possibilidade de interlocução
ADAMO BAZANI – CBN
Para as empresas e cooperativas de transportes coletivos da cidade de São Paulo é culpa da imprensa o incentivo aos ataques aos veículos, que neste ano, já somam mais de 40 somente na Capital Paulista.
Em reunião com o promotor de Justiça do Patrimônio Público, Saad Mazloum, que em 2008 abriu um inquérito para apurar a qualidade dos transportes da cidade e denunciou o Consórcio Leste 4 por maus serviços e suspeita de desvios de recursos, os representantes dos sempre tão “escondidos” donos de ônibus disseram que quando os jornalistas noticiam os ataques acabam “incentivando” outras ações e dão “visibilidade” aos criminosos que incendiaram os coletivos.
As empresas dizem que se referem às coberturas chamadas por elas de “sensacionalistas”.
Mas quando o assunto foi mexer no bolso, os donos de viações e de lotações se eximiram. Eles afirmaram que não devem instalar câmeras de segurança, já que a medida seria “pouco eficaz” e extremamente cara para equipar os 15 mil ônibus e micro-ônibus municipais de São Paulo.
A instalação dos equipamentos foi sugestão da própria Polícia Militar.
Ainda em relação à imprensa, as companhias de ônibus querem que a PM sempre destaque um interlocutor para os jornalistas quando acontecerem novos ataques.
O objetivo é fazer com que este policial fale das ações preventivas, medidas de combate aos incêndios e de segurança para desestimular os atos criminosos.
O comandante-geral da PM de São Paulo, Benedito Meira, rechaçou a ideia dos empresários e dos perueiros e disse que este papel de interlocução não cabe à Polícia Militar.
Ele entende que alguns tipos de coberturas jornalísticas podem incentivar as ações criminosas, mas que a imprensa deve ser livre.
Os empresários de ônibus se esqueceram, no entanto, que foi a preocupação da imprensa em divulgar os incêndios que acabou ajudando na abertura de portas para eles mesmos cobrarem de maneira mais enfática as autoridades para que este problema seja resolvido.
A informação sobre um ataque a ônibus é utilidade pública. Pode prevenir o cidadão comum a não ir para determinado bairro logo em seguida ao ataque e buscar formas alternativas para se deslocar. Também ajuda o passageiro em caso de paralisações de trabalhadores do setor em protesto legítimo contra a violência e até mesmo quando as linhas são encurtadas, muitas vezes, por ordem velada da própria empresa de ônibus que teme destruição de mais patrimônio. Cada ônibus custa em média R$ 500 mil, sendo que modelos articulados e biarticulados têm valores que giram em torno de R$ 1 milhão.
É certo que a imprensa não deve “glamourizar” o bandido e as ações criminosas. Mas ela não deve jogar para “baixo do tapete” uma realidade que é problema de polícia, mas não só de segurança e envolve áreas como educação, infraestrutura, saúde e melhor geração de oportunidades de emprego e renda. Afinal, muitos ataques são ordenados pelo crime organizado, mas outros são promovidos por vândalos ou criminosos que agem isoladamente e têm como pano de fundo ou oportunidades de ação, as várias manifestações para a melhoria da qualidade de vida.
As empresas querem também mais policiamento preventivo e que as ações de incêndio a ônibus sejam tipificadas em crimes cujas penas são maiores, como formação de quadrilha ou bando e tentativa de homicídio, dependendo do caso.
Agora, se as empresas acham que terá pouco efeito a instalação de câmeras, mais inútil ainda é tentar determinar como a imprensa deve se portar. Afinal, os donos de empresas precisam fazer mais sua parte, como treinar o motorista e cobrador melhor de como deve agir em caso de ataques e dar mais amparo aos profissionais de transportes que sofrem as ações criminosas, muitos dos quais, acabam quase sem respaldo humano da viação e não conseguem mais ter uma vida normal.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

7 comentários em Empresas de ônibus culpam a imprensa por “incentivar” ataques a coletivos em São Paulo

  1. professor pardal revoltado // 14 de Fevereiro de 2014 às 18:09 // Responder

    Na verdade os empresários de ônibus estão é caçando PÊLO EM OVOS.

  2. Se a máfia das empresas de ônibus ESCONDIDAS dentro dos malditos consórcios “abençoados” pela prefeitura do PT desde 2003 quando surgiram no chamado sistema interligado estrutural e local pensa assim da mídia através de seus competentes jornalistas, eu fico pensando o que pensam os sérios empresários de ônibus do resto do País !
    Se o prefeito Haddad não fizer uma licitação de transportes limpa e justa (a primeira na história de uma grande cidade!) e nesta licitação NÃO convidar empresas da região Sul do Brasil que são as melhores entre todo o território nacional, lamento dizer mas: ele, Haddad NÃO se reelegerá nas eleições de outubro de 2016 e NÃO conseguirá realizar o seu sonho em outubro de 2018 de candidatar-se ao Governo de SP pelo PT para destroçar os 24 anos de poder do ninho tucano !!! HADDAD precisa estar ao lado do povo e fazer uma licitação de transporte limpa com contratos EMPRESA POR EMPRESA (sem esse negócio de consórcios, SPEs etc…) E quanto as cooperativas elas devem estar vinculadas aos serviços alimentadores e dentro das comunidades de suas respectivas áreas! CHEGA DE MICROS & MICRÕES passarem pelo centro ou bairros centrais de São Paulo !!!

    • Marcos Nascimento, boa noite.

      Um complemento.

      A licitacao e publica, as empresas do sul ou de qualquer regiao nao precisam ser convidadas.

      Agora, dependendo do edital, so nos restara SPE-1; 2 e 3.

      Abcs,

      Paulo Gil

  3. Amigos, boa noite.

    A questao e complexa e envolve inteligencia na area de seguranca publica.

    Agora, culpar a impressa essa foi demais.

    Sera que a culpa nao e da Petrobras que produz prudutos inflamaveis ???

    E uma saida pela esquerda a la leao da montanha.

    Att,

    Paulo Gil

  4. Interessante quando se noticia um empresário dono de um pequeno comércio(padaria,supermercado,etc) ser entrevistado e dizer que esta cansado de ser assaltado, da falta de segurança e que pretende(se possivel) vender o comercio ou mudar de ramo.
    No caso dos empresários de ônibus não se escuta ninguêm se queixando, ninguem querendo vender empresas,afinal o segmento é lucrativo .
    Não se justifica esse vandalismo mas, estamos no Brasil, onde o errado é certo (o exemplo vem dos politicos)

  5. Rolland T. Flackphayser // 15 de Fevereiro de 2014 às 05:15 // Responder

    A imprensa realmente vêm passando a mão na cabeça desses terroristas dos Black Blocs ao chamá-los simplesmente de “manifestantes” e que o ônibus pegando fogo é sinal de protesto quando na verdade é puro crime, vandalismo e, como já dito antes, terrorismo.

  6. Ewerton Santos Lourenço (PNE Guarulhos) // 17 de Fevereiro de 2014 às 10:59 // Responder

    Como o Paulo Gil disse:
    A Imprensa tem o dever de manter a População informada e ela faz apenas o seu papel; na minha opinião: Muitas dessas ações são sim feitas pelo o Crime Organizado e alguns péssimos profissionais que atuam em Cooperativas. Nunca vi carros de Cooperativas da Z.L. áreas 2, 3; 4 e 5 ter seus carros sido queimados por vandalos, tem trabalho de sobra ao invés de ficar impedindo os colegas de trabalho trabalhar; deixa os trabalhar Já que ninguém é obrigado a ir de lotação!?!?!? Os próprios Donos de Cooperativa são os culpados por isso, quem manda ficar permitindo que os “aviãozinhos” irem para os rolezinhos tirar a tranquilidade da população!!!

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