Ônibus municipal de São Paulo. Secretário de transportes, Jilmar Tatto admitiu que concorrência pública sobre os serviços de ônibus na Capital Paulista só deve ocorrer no ano que vem e que “não dá para fazer a licitação do jeito que está”. Tatto chegou a apresentar uma proposta de licitação em 2013, que poderia concentrar ainda mais os serviços e beneficiar base de apoio eleitoral à família do secretário formada por “cooperativas de lotação”. Depois de manifestações, Jimar Tatto mudou o discurso sobre a licitação dos serviços. Foto: Adamo Bazani.
Tatto admite atraso na licitação do sistema de transportes da Capital Paulista
Prefeito Fernando Haddad já havia sinalizado para a possibilidade de concorrência pública não ser realizada neste ano
ADAMO BAZANI – CBN
O secretário municipal de transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, admitiu que a licitação do sistema de ônibus da cidade não deve ser realizada neste ano.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também já tinha sinalizado a possibilidade de a concorrência pública só ocorrer em 2015.
Segundo Jilmar Tatto, a empresa que vai realizar auditoria nos custos do sistema da capital paulista e no processo de licitação ainda não foi contratada.
Após a contratação, a companhia vai ter seis meses para dar um parecer sobre a tarifa da cidade de São Paulo.
“Não dá para fazer a licitação do jeito que está”, afirmou Tatto, segundo a Agência Estado.
A fala do secretário de transportes é bastante contraditória em comparação ao discurso adotado no ano passado por Tatto, que chegou, em audiência pública, a apresentar um modelo de licitação.
Assim como ocorreu em 2003, quando foi concluída a disputa cujos contratos venceram no ano passado e foram prorrogados, o sistema fica dividido em dois: concessão do subssistema estrutural, relativo às empresas de ônibus, e permissão do subssisistema local, referente às cooperativas de transporte.
Os serviços das empresas de ônibus seriam controlados apenas por três SPEs – Sociedades de Propósito Específico. Cada SPE poderia ter várias companhias de ônibus associadas. Na época, a crítica ao modelo foi em relação à possibilidade de concentração ainda maior dos serviços, hoje predominantemente operado pelo grupo de José Ruas Vaz, Belarmino de Ascenção Marta e a família Saraiva.
Já com as cooperativas ocorreria o oposto. Dos atuais oito lotes, o número poderia passar para onze ou treze, de acordo com a quantidade de garagens.
O modelo foi classificado como estratégia política. Apesar do número de cooperados diminuir num primeiro momento, a maior quantidade de lotes poderia render retorno até mesmo em eleições futuras na cidade e estado. Parte da base eleitoral da família Tatto e do PT – Partido dos Trabalhadores é constituída por representantes de cooperativas de “lotações” de São Paulo.
A suspensão da licitação dos dois sistemas que deveria ocorrer no ano passado também é vista como uma ação política e não técnica. Isso porque a Prefeitura de São Paulo só desistiu de fazer a licitação e fazer o estudo sobre as tarifas após a série de manifestações de junho de 2013.
Agora, após a decisão, a prefeitura adotou uma postura mais técnica.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes