Motoristas e cobradores em assembleia na garagem da empresa Auto Ônibus Líder , em Manaus, ameaçam fazer greve. Não pagamento de horas extras e insatisfação com o Banco Caruana são os principais motivos. Instituição financeira também teve o nome citado na polêmica mudança dos transportes em Mauá, no ABC Paulista. Movimentos sociais dizem que ato da prefeitura permite o restabelecimento do monopólio do grupo ligado a Baltazar José de Sousa, que também conta com os serviços do banco e atuou em Manaus
Banco Caruana, que financia ônibus para o Grupo de Baltazar, é estopim de ameaça de greve em Manaus
Motorista e Cobradores denunciam que instituição financeira cobra taxas e faz descontos abusivos nos salários. Banco teve nome relacionado a polêmica mudança dos transportes de Mauá, no ABC Paulista
ADAMO BAZANI – CBN
A Justiça do Trabalho em Manaus determinou que ao menos 70% da frota de ônibus sejam colocados nas ruas nos horários de pico caso o sindicato dos rodoviários realize uma greve nesta segunda-feira, dia 10 de fevereiro de 2014.
Os trabalhadores pedem a atualização do banco de horas, a compensação de horas cumpridas e não pagas e a retirada do banco Caruana que presta serviços à empresa Líder Transportes, uma das concessionárias da capital do Amazonas.
O Banco Caruana é envolvido em outras polêmicas no setor de transportes. Em Mauá, na Grande São Paulo, a instituição que financia ônibus para o grupo de empresários ligado a Baltazar José de Sousa, que deteve o monopólio dos transportes na cidade por cerca de 30 anos, é apontada por representantes de movimentos sociais por estar supostamente relacionada à decisão do prefeito Donisete Braga em reformular os transportes na cidade e retirar a operadora Leblon Transporte de Passageiros do município.
Para os movimentos sociais, a mudança adotada pelo prefeito Donisete Braga é uma forma de restabelecer o monopólio de forma disfarçada ao grupo de empresários ligados a Baltazar.
De acordo com documentos apresentados na Câmara Municipal de Mauá em dezembro, pelo ativista Rafael Rodrigues, a família controladora do Caruana tem ligações com Baltazar e com a Suzantur, empresa contratada emergencialmente pela prefeitura de Mauá para assumir os transportes no lugar da Viação Cidade de Mauá, de Baltazar, que está em processo de recuperação judicial, e da Leblon, companhia paranaense da família Isaak.
A Viação Cidade de Mauá está em processo de recuperação judicial referente à empresa Soltur – Solimões Transportes e Turismo, de Baltazar, em Manaus, mesma cidade onde o Caruana presta serviços financeiros para empresas de ônibus.
O banco e a Suzantur negam relação e o prefeito Donisete Braga nega perseguição a empresas de ônibus e diz que quer melhorar a mobilidade na cidade.
Leblon e Viação Cidade de Mauá são acusadas de fazerem supostas consultas sem autorização a dados de bilhetagem eletrônica. O caso é contestado na Justiça e não é consenso nem mesmo no paço municipal. A procuradora da cidade, Thaís de Almeida Mianna, entendeu que não houve invasão ao sistema de bilhetagem controlado pela PK -9 e as consultas foram treinadas e autorizadas pelo paço. Ela recomendou a realização de uma nova sindicância, mas o prefeito Donisete Braga e o secretário de Mobilidade Urbana, Paulo Eugênio, ignoraram a recomendação.
Em Mauá, o Caruana realizava os pagamentos dos funcionários de Baltazar, desde a época da Viação Barão de Mauá e Viação Januária. Os funcionários tinham uma espécie de cartão de crédito do Caruana.
No Amazonas, os trabalhadores se queixam de taxas abusivas do Caruana e descontos não previstos em lei. A empresa de ônibus Líder, que conta com os serviços do banco de José Garcia Netto, o Netinho, nega conduta abusiva do Caruana.
Acompanhe reportagem do portal D24M – http://www.d24am.com/noticias/amazonas/liminar-obriga-que-70-da-frota-de-onibus-circule-na-segundafeira/105942
Banco Caruana teve o nome envolvido na polêmica mudança nos transportes de Mauá promovida pelo prefeito Donisete Braga e pelo secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio Pereira. Banco financia ônibus para empresas de grupos ligados a Baltazar José de Sousa que deteve o monopólio dos transportes por cerca de 30 anos na cidade. Banco financiou ônibus da Estrela de Mauá, fundada por Baltazar e de David Barione Neto, cujos ônibus agora operam pela emergencial Suzantur contratada pela administração de Donisete.
Manaus – Liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na última sexta-feira (7),em favor do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) obriga que as empresas do sistema de transporte coletivo de Manaus operem com 70% da frota, caso o Sindicato dos Rodoviários tente fechar garagens de empresas de ônibus nesta segunda-feira.
No documento, o desembargador do Trabalho da 11ª Região, David Alves de Melo, determinou que o Sindicato dos Rodoviários deve manter 70% dos trabalhadores em atividade durante os horário de pico, pela manhã, de 6h às 9h, e a tarde no intervalo de 17h às 20h. Para os demais horários, ele estabeleceu um percentual de 30%.
“Destacamos que a liminar estabelece que 70% de cada linha operem e não de cada empresa. Algumas lideranças dos rodoviários estão deturpando as informações, e estão querendo parar 70%, o que vai de encontro a liminar estabelecida pelo desembargador”, explica o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges.
Se a liminar for descumprida, o Sindicato dos Rodoviários poderá ser multado em R$ 50 mil por hora de paralisação. Além disso, os manifestantes devem ficar cerca de 50 metros longe das garagens.
O documento apresentado pelos rodoviários como pauta de greve é a compensação de horas aos trabalhadores, a atualização do banco de horas e a retirada de uma empresa de serviços financeiros, que presta serviço à empresa Líder Transportes.
“Eles querem adiantar a pauta da Convenção Coletiva que tem como data base até o dia 1º de maio para ser discutida. Em relação à empresa de serviços financeiros que atua na Líder, isso pode ser resolvido sem que haja greve. Não há fundamentos lógicos para uma greve. O transporte coletivo é um mecanismo essencial que garante o direito, de ir e vir, de trabalhadores e estudantes que dependem dele”, ressalta Borges.
Líder garante que funcionários recebem salário sem descontos
A Auto Ônibus Líder ressalta que as denúncias referentes ao Banco Caruana, que efetua o pagamento dos colaboradores da empresa, são infundadas. Nas últimas semanas o Sindicato dos Rodoviários especulou algumas informações de que o banco têm taxas abusivas, o que é contestado pela direção da empresa.
“Os salário dos trabalhadores são pagos em dia, e todo o valor depositado é sacado por eles, sem desconto algum. Nossa empresa não iria compactuar com esse tipo de situação, não é da nossa índole prejudicar o nosso colaborador. Essas informações que os rodoviários estão plantando não são verdades”, garante o diretor.
Ainda de acordo com diretor, caso as acusações contra a empresa e ao banco persistam, as devidas providências serão tomadas.