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“Cumpanhêrada” anencéfala incita o sexto dia de greve ilegal de ônibus em Porto Alegre – editorial

Ônibus da VAP – Viação Alto Petrópolis parados na garagem em Porto Alegre. Greve entra neste sábado no sexto dia. Desrespeito aos acordos trabalhistas, à lei, à população, rixas dentro do sindicato e vandalismo prejudicam passageiros, mas vão projetar novos “cumpanheiros” para a carreira sindical, que desde os anos 80, com o exemplo Lula, se tornou profissão que não exige muito trabalho, mas dá muito dinheiro. Sem sindicato não se faz justiça trabalhista, mas alguns sindicalistas, só querem projeção e usam grandes massas de manobra. Foto Uol.

Greve de ônibus entra no sexto dia em Porto Alegre
Motoristas e cobradores continuam desrespeitando acordo que suspendia o movimento
ADAMO BAZANI – CBN
Mais uma vez o fato se repete: racha por disputa de poder em sindicatos, membros insatisfeitos com a diretora e a população em geral que paga.
É o que vem ocorrendo em Porto Alegre, que neste sábado, dia 1º de fevereiro, registra o sexto dia consecutivo de greve de motoristas e cobradores de ônibus. Por dia útil, têm sido prejudicados mais de um milhão de passageiros.
É sabido que greve é um direito legítimo das categorias. Mas um direito não pode se sobrepor ao outro e nem a lei desrespeitada.
O direito de ir e vir dos moradores da capital gaúcha e das cidades vizinhas, que também dependem dos serviços de Porto Alegre, é ferido pelo fato de em nenhum dia desde segunda-feira, a frota mínima ter sido respeitada.
Na quinta-feira, dia 30 de janeiro, sindicato dos trabalhadores, empresas de ônibus e o TRT – Tribunal Regional do Trabalho entraram num acordo para suspender a greve e continuar as negociações.
Mas movida por alas de oposição e pela insatisfação com o sindicato, a massa trabalhadora ignorou o acordo.
Se há insatisfação dentro do sindicato, o que o passageiro tem a ver com isso?
Os opositores diziam que só aceitariam voltar durante as negociações se as passagens não fossem cobradas.
Mas isso não fez parte do acordo e foi um discurso oportunista dos “cumpanheiro” oposicionistas.
Sem sindicato não se faz representação trabalhista, mas em nome de sindicatos, muitos na história deste País ganharam muito e muito dinheiro além de projeção política nacional. É o caso de Luís Inácio Lula da Silva, que tem seus valores e méritos incontestáveis. Mas é incontestável também que o oportunismo sindical, em greves que nem sempre tinham um claro objetivo nos anos de 1980, renderam ao cumpanheiro-mor fama, carreira e fortuna.
Greve também se faz com organização e respeito. Nestes seis dias, até a conclusão deste texto, de acordo com a EPTC – Empresa Pública de Transporte e Circulação, 45 ônibus foram danificados, sendo que um deles foi alvo de uma bomba caseira. Só neste sábado, ao menos nove ônibus da VAP – Viação Alto Petrópolis foram depredados na Avenida Protásio Alves e Avenida Manoel Elias.
A Justiça determinou multa de R$ 100 mil ao sindicato pela greve que foi julgada ilegal. E daí? Dificilmente na história deste País um sindicato é multado, por isso dá-se o abuso. O perdão da multa acaba sendo parte das negociações para a volta dos trabalhadores.
Para não aumentar os danos à população, o pedido/ordem dos “companheiros” é seguido. E a Justiça fica refém de sindicalistas que mais pensam na autopromoção do que nos trabalhadores.
Aí, nas próximas eleições das chapas, estes mesmos sindicalistas se gabam e dizem: “Oia cumpanherada, nóis é que representa voceis. Lembram daquele dia da greve? A situação não feiz nada e nóis parou a cidade. Vote no fulano de tal para presidente” . Como se parar a cidade fosse algo bom. As cidades precisam de mobilidade.
A categoria pede 14% de reajuste salarial e as empresas de ônibus oferecerem 5,5%.
Depois vem a “cumpanheirada” e “recrama” que a mídia dá pouco destaque às reivindicações da categoria, que são justas, é verdade.
Mas desse jeito não dá!. Quem muda o foco da notícia não são os jornalistas, mas os próprios sindicalistas profissionais com estas atitudes anencéfalas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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