Como garantir tarifas mais baixas e transportes com qualidade?

ônibus Europa

Ônibus na Europa, onde em várias cidades, o transporte coletivo não é apenas custeado como forma de mobilidade, mas como integrante de outras áreas essenciais, como saúde, renda e trabalho, educação e lazer. Na região, as tarifas cobrem apenas de 15% a 45% dos custos dos serviços. O restante vem das áreas que só cumprem seu papel devido à garantia da mobilidade das pessoas. O resultado é: serviços com qualidade e tarifas acessíveis. – Divulgação Milan City

Como garantir baixas tarifas acessíveis sem comprometer a qualidade dos transportes?
Em países desenvolvidos, os valores das passagens cobrem apenas parte dos custos do sistema. O restante é dividido por toda a sociedade, sendo o transporte encarado como integrante dos outros serviços básicos e não mais como acesso
ADAMO BAZANI – CBN
Nesta época do ano, mais uma vez a questão das tarifas de transportes públicos ganha espaço nos debates na mídia e no dia a dia das pessoas.
A verdade é que o assunto, propositadamente ou não, sempre foi tratado de forma superficial.
Quando se fala em tarifa, logo se pensa em lucro para empresários do setor de transportes. É certo que a lucratividade dos donos das companhias de ônibus e outros modais tem de ser levada em consideração. Afinal, sem retorno financeiro e segurança econômica uma empresa, pública ou estatal, não tem como investir nas melhorias necessárias para os passageiros.
Mas tarifa de transporte público é muito mais que financiamento da mobilidade e sim uma questão de justiça social.
Todos sabem que pelos transportes públicos, a população tem acesso a direitos como emprego e renda, saúde, educação e lazer.
No entanto, hoje especialistas garantem que o transporte público não deve ser encarado apenas como acesso a estes direitos, mas na formulação de políticas públicas, nações mais desenvolvidas consideram os transportes como parte dos outros direitos do cidadão.
E isso faz toda a diferença já que permite um financiamento mais justo por parte do Estado.
O transporte não dá acesso somente a educação, mas faz parte dela. O transporte não apenas leva trabalhadores onde há oportunidades, mas é integrante de políticas de geração de emprego e renda.
O transporte não só permite que as pessoas consigam chegar ao médico ou frequentar outros tratamentos de saúde, mas garante que tais serviços na área sejam oferecidos à população.
Hoje, nos modelos aplicados na maior parte das cidades brasileiras, são basicamente duas opções de financiamento dos transportes: ou o passageiro assume todos os custos sozinho, inclusive os das gratuidades, ou então os governos (municipal ou estadual) injetam diretamente dinheiro para subsídios nos sistemas.
Em modelos de financiamento de outros países, em especial na Europa, as aéreas da saúde, educação, emprego e renda e previdência têm recursos destinados aos transportes públicos proporcionalmente à serventia que o setor tem a estas áreas.
De início, pode parecer uma heresia, ainda mais num país como o Brasil, carente de serviços sociais adequados, que “saia dinheiro” da saúde e educação para os transportes.
Mas esta seria uma análise muito superficial. Na verdade, não sairia dinheiro destas áreas e muito menos se trata de tirar dinheiro de escola ou hospital para ônibus. Apenas haveria o financiamento de parte do deslocamento das pessoas para que os setores de saúde, emprego e renda, educação e lazer possam de fato integralmente cumprir seu papel.
Na Europa, por exemplo, na maior parte das cidades, as passagens pagas pelos usuários diretamente nos meios de transportes, só cobrem entre 15% e 45% dos custos dos sistemas de mobilidade.
O restante vem de políticas de financiamento vinculadas a outras áreas essenciais beneficiadas pelos transportes.
Veja que não são apenas subsídios, mas sim sistemas de custeio pelos quais todos possam contribuir de maneira justa para os transportes públicos, que trazem benefícios a toda sociedade, inclusive para quem não usa trens, metrô ou ônibus.
No final das contas, estas formas de financiamento acabam saindo mais interessantes para os cofres públicos que destinar de maneira errada vultuosas somas apenas para algumas áreas, deixando os passageiros assumirem os custos de sistemas de transportes públicos que não são eficientes como deveriam pela ausência de financiamento justo. E a ineficiência custa caro a todos.
Não adianta apenas reivindicar congelamento de tarifas ou reduções sem apontar formas de custeio: salários, combustível, lubrificantes, veículos novos têm preços que são reajustados, em boa parte das vezes, com índices superiores aos da inflação oficial.
Não é melhor que a saúde, a educação, a providência, a segurança já contem com recursos que financiem parte dos custos de deslocamentos da população para seus serviços do que depois os governos terem de mexer nos orçamentos para criar subsídios?
Com o transporte como parte integrante das políticas das demais áreas, não é necessário criar impostos, altos subsídios e já há uma previsão orçamentária transparente em cada uma destas áreas.
E há outra questão importante a ser debatida. Com o financiamento que o Governo Federal dá a indústria automobilística, seja por investimentos diretos ou por desonerações, e com o crescimento da renda de parte da população brasileira, muita gente tem migrado do transporte público para o transporte individual.
Sendo assim, já surgem dois desafios. Primeiro, com perda de passageiros, o transporte público não pode mais só depender de tarifas para seu custeio: ou o valor das tarifas sobe ainda mais ou a qualidade cai. E isso leva ao segundo desafio: se a tarifa aumentar ainda mais e qualidade diminuir, mais gente ainda vai deixar o transporte público. Forma-se uma verdadeira bola neve.
Como direito social e não apenas como serviço essencial, na linha dos avanços sobre este tema no Congresso, definitivamente o transporte público não deve ser custeado apenas pelas tarifas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Antônio Carlos capecce disse:

    Podemos baratear as passagens e aumentar a oferta de lugares nos onibus em média de 15% simplesmente tirando a cobrança embarcada dos ônibus. Carros com 12 metros ganham 2,5m2 com a retirada da catraca e conjunto cobrador.
    O serviço de transporte público deve ser rateado pela população no IPTU, que de forma democrática, distribui os custos para todos os moradores e principalmente proprietários de imóveis da cidade como já eh feito com a coleta de lixo, varrição, iluminação pública, etc
    Há tempos as tarifas deixaram de ser custo direto para os trabalhadores, que em sua esmagadora maioria são custeadas pelos empregadores com o vale transporte.
    Antonio Carlos capecce
    Adm. Empresas

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Vou responder a pergunra que o post, traz.

    Como garantir tarifas mais bsixas e transportes com qualidade ?

    R: PAGANDO E TRABALHANDO.

    Porem no Brasil ninguem quer fazer nenhumas das 2 coisas, nem pagar nem trabalhar.

    Tudo foi privatizado e ainda continua (aeroportos), poque o estado em 514 anos ainda nao aprendeu a fazer gestao.

    E no caso dos transportes publicos, tenho a impressao que estamos indo na contra mao, rodando em direcao da estatizacao.

    Deixo para reflexao algumas questoes:

    As concessionarias de rodovias nao tem lucro ?

    As concessionarias dos aeroportos nao tem lucro ?

    As petroliferas do pre sal nao terao lucro ?

    Por que empresa do buzao nao pode ter lucto ?

    Lembrem-se rodar na contra mao infringe o CTB Codigo de Transito Brasileiro, alem de prejudicar a populacao.

    SUGIRO QUE COMPREM UMA BUSSOLA PARA LOCALIZAREM UM NORTE PARA OS TRANSPORTES PUBLICOS.

    Att,

    Paulo Gil

    1. Davidson Souza disse:

      Me desculpe Paulo Gil, mas eu não entendi a sua resposta.
      Vc falou sobre os lucros e depois disse que rodar na contra mão infrige o CTB.
      O que isso tem a ver com a postagem do Ponto de Ônibus ? Ou isso foi uma metáfora ?!
      Abraços !!

      1. Paulo Gil disse:

        Davidson Souza, boa noite.

        Digamos que foi um trocadilho ou quase uma metafora.

        Eu quiz ressaltar a incoerencia da questao financeira dos transportes publicos, pois se dao concessoes os concessionarios tem como objetivo o lucro.

        Agora se querem fazer “caridade politica”, estatiza e pronto, pinta tudo de azul e creme e escreve CMTC.

        Espero ter sanado sua duvida e esclarecer que dependendo da inspiracao que o post me da eu gosto de dar uma apimentada nos meus comentarios.

        Att,

        Paulo Gil

    2. j disse:

      vi muitas coisas boas acabarem nos, apesar de tudo, #SAUDOSOS anos 90…a Educação Pública Estadual de SP, a Saúde Pública, o Transporte Público do Estado (Metrô de SP começou a se degradar pra valer em 1.992…) e da Prefeitura, quando a CMTC foi sucateada pela incompetência do governo da dna. Erundina e vendida a preços de banana pra iniciativa privada pelo sacana do sr. Maluf…A Segurança Pública, principalmente depois q a TUCANADA assumiu o governo do Estado e “amarrou” as mãos das polícias, principalmente da PM…se envolvendo com essa baboseira de “pastoral da criança e do adolescente, esse “E.C.A.” q não protege a ninguém de fato…o Brasil tá cheio de desgraçados pedófilos, traficantes nojentos de drogas, q empregam e pagam até bem os menores, e exploradores de crianças nos semáforos dessa vida…entre outras merdas…! e essa palhaçada de “Direitos Humanos” q se preocupa com o marginal e não com a sociedade q sustenta tudo…e depois daqueles episódios lamentáveis do maldito massacre da Casa de Detenção-Carandiru…e do maldito caso dos tais “Policiais Militares de Diadema-Favela Naval”, e a já pouquíssima paz q havia nos presídios e nas ruas…03 danceterias q além de serem locais icônicos e de referencia até pra fora desse país em som e iluminação e até de comportamento de jovens da época e tal… da vida noturna paulistana e da região metropolitana de SP, ainda ajudaram e muito no desenvolvimento das Zonas Leste e Sudeste da Cidade (Tatuapé, Vila Matilde e Mooca, respectivamente…) e outras duas em Santana, Zona Norte da Capital… enfim…a pior das perdas foi a vergonha na cara, da mídia, dos políticos, dos religiosos em geral, e da população q continua votando errado! Por isso desde 2.000 eu voto nulo e q se dane! não participo de nada…pois não vejo ninguém digno o suficiente pra governar as grandes cidades do Brasil, seus estados e a nação toda! Não me levem a mal…sou realista!

  3. Oswaldo Machado disse:

    Vale uma reflexão sobre o ônibus que ilustra a reportagem
    Muito se fala sobre a tarifa mas, e a qualidade do serviço?
    Que dia os gestores do serviço irão oferecer veículos como o da foto acima?
    De que adianta ter veículo com piso baixo se o que vende é chassi com motor dianteiro?
    No Brasil, chassi com motor dianteiro deveria se uma exceção mas, virou regra (coisa de país de terceiro mundo)

  4. j disse:

    Na Europa, q tem muitos milênios de história, as pessoas priorizam a qualidade de vida…principalmente em países como França, Itália e a Alemanha e outros germânicos…e no Reino Unido da GB. Aqui se prioriza o “…vamos ter lucros astronômicos e q se dane a população, o Poder Concedente, e a sociedade como um todo”…É Brasil…fz. o q?! Eu já escrevi isso nesse respeitável blog, mas devo escrever novamente, sem querer ofender nem a portugueses e descendentes diretos dos mesmos, nem a espanhóis, pois tmb eu sou filho de espanhóis, nascido aqui nessa lindíssima e porém sofrida Pátria, a quase 41 anos atrás… será q o nosso atraso não seria culpa da Colonização Ibérica? Será q Portugal não nos estagnou, enquanto ele próprio e a Espanha se estagnavam ? Na maldita Santa Inquisição, no Absolutismo, no Despotismo “ESCLARECIDO OU NÃO”…no maldito tráfico de escravos africanos, no sacaneamento e em casos como os da maioria das ex colônias espanholas, escravização tmb do indigena e sacanaeamento de suas culturas…Quando houve a revolução Industrial, na Inglaterra do séc. XVIII, Portugal, Espanha e de certa forma até a França, antes da Revolução Francesa, e dos dias do aloprado Napoleão Bonaparte…apesar de seus domínios territoriais ultramarinos, diversas colônias pelo Mundo afora, eram países FEUDAIS E SEMI-FEUDAIS ainda…atrasados e em plena Idade Moderna, quase contemporânea…Rídiculo! Como disse o ex prefeito de Bogotá, Colômbia, concebedor e implantador do TRANSMILÊNIO, um país ainda cheinho de problemas e mais pobre q o Brasil…um país cujo o governo em 1.983, veio a público, HUMILDEMENTE E COM OMBRIDADE! E disse abertamente a FIFA, a CONMEBOL, e a Imprensa em geral, q não poderia sediar a Copa do Mundo FIFA – 1.986, deixando-a ser sediada pelo tmb sofrido México, devido aos seus inúmeros problemas e violências todas ligadas e decorrentes da pobreza do país e do maldito tráfico de drogas, em especial a maldita Cocaína…”…as decisões sobre transportes públicos na Cidade de São Paulo-SP, são mais políticas do q técnicas…” Isso explica p q São Paulo-SP e região metropolitana tem tantos e tantos problemas de mobilidade urbana, greves do sistema, vandalismos devido a fúria da população, o q não justifica, quebrar e queimar nada resolve…só piora…e os vandalismos dos “rolezeiros” q quando não estão saqueando um shopping ou hipermercado estão por aí…queimando ônibus urbanos de empresas e de cooperados da vida…quando esses não cumprem suas obrigações com os senhores do outro lado da muralha das cadeias da região Sudeste e Sul do Brasil…é assim q a banda infelizmente toca por aqui! só não vê quem não quer!! Quando vamos deixar de ser motivos de chacota e fábula e piada dos outros povos da Terra, principalmente dos norte – americanos e britânicos? Quando o Brasil…vai deixar de ser Brasil…e ser mais B R A S I L ? Desculpem-me as palavras meio duras, e a minha indignação…Eu tmb pertenço aquela geração q acreditava no futuro do Brasil, q o Brasil seria o “País do Futuro” e tal…mas isso acabou quando em 1.993…soubemos da palhaçada da queda do traste do Collor, q a mídia o fez e o tirou, bem como aqueles nojentos “Anões do Orçamento”…Enfim nos já #saudosos anos 90 muitas coisas se definiram nesse país, pra ruim e pra melhor…Só os “cegos” e alienados é q não viram…mas um dos termômetros q mede o grau de desenvolvimento de uma nação civilizada e decente é seu serviço público oferecido a população! precisamos de governantes q governem para o povo e não pros seus próprios umbigos! E os umbigos e egos enormes de seus “amiguinhos” e aliados…chega de viver na merda! chega de ser “colônia” ou “feudo” dos outros…SÉCULO XXI já está aí, estamos em 2.014 da Era Cristã, e como escreveu Paulo Gil, 514 anos, de História Oficial documentada…e extremamente mal contada…desde q o Cabral aqui chegou meio “perdido”…acorda Brasil!! O transporte público deve ter prioridade SEMPRE, bem como saúde, educação, segurança pública, e programas q erradiquem a fome e as malditas drogas lícitas e ilícitas! Se liga! país da “ostentação”!

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