Ícone do site Diário do Transporte

Após protestos, Governador do Rio de Janeiro congela tarifas de trem, metrô e barcas

Trem da SuperVia. Com popularidade baixa e depois das ondas de “roletaços”, Sérgio Cabral decide manter congeladas tarifas da SuperVia, do MetrôRio e das barcas. Concessionárias devem receber complementação de recursos. Em São Paulo, prefeito Fernando Haddad disse novamente que tarifa de ônibus na cidade vai ficar em R$ 3,00 no ano de 2014. Congelada desde janeiro de 2011, se fosse atualizada pela inflação, tarifa de ônibus seria de R$ 3,58. Subsídio para empresas de ônibus deve ser recorde histórico em 2014 na cidade de São Paulo.

Governo do Estado do Rio vai manter tarifas de transportes públicos
Em São Paulo, Fernando Haddad volta a descartar reajuste das passagens de ônibus municipais
ADAMO BAZANI – CBN
Depois da série de protestos nesta semana, com os chamados “roletaços”, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, informou por meio de nota, na tarde desta sexta-feira, dia 31 de janeiro, que vai congelar as tarifas dos trens da SuperVia, das barcas e do Metrô do Rio.
As passagens da SuperVia são de R$ 2,90. Das barcas, de R$ 3,10 e no metrô, as tarifas são de R$ 3,20.
O governo chegou a em dezembro anunciar que os trens a partir de 2 de fevereiro teriam passagem no valor de R$ 3,10, mas retrocedeu nesta sexta-feira.
Cabral disse que já determinou à Secretaria Estadual da Fazenda do Rio de Janeiro estudos para que as empresas concessionárias dos serviços sejam compensadas pelo congelamento das tarifas, ou seja, a população vai pagar de todo o jeito, mas em forma de desoneração fiscal ou subsídio uma vez que os custos para operar os transportes aumentaram.
A SuperVia é operada pela Odebrecht e o Metrô pela MetrôRio, da Invepar.
Já o congelamento do valor das passagens das barcas vai ser bancado pelo Fundo Estadual de Transporte, como previsto em lei estadual de 2011. Mas neste caso, a população paga também, já que parte do dinheiro que seria usado em investimentos vai agora para manter as tarifas no patamar onde estão.
Os “roletaços” ocorreram na terça-feira, dia 28 de janeiro, e na quinta-feira, dia 30 de janeiro, em especial na Central do Brasil, principal estação ferroviária do Rio de Janeiro. Os manifestantes, com frases de ordem, incentivavam os passageiros a pular as catracas e embarcarem sem pagar a passagem.
A atitude de Sérgio Cabral, no entanto, é vista como um oportunismo político.
O anúncio vem na mesma semana que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, autorizou em decreto de 30 de janeiro de 2014, o aumento de 9,09% no valor das passagens de ônibus municipais, que passam no dia 8 de fevereiro de R$ 2,75 para R$ 3,00. Seria um contraponto à decisão do município.
Além disso, a avaliação popular de Sérgio Cabral é considerada ruim. Pesquisa do Ibope, divulgada em dezembro, mostra que o governador tem 74% de rejeição e apenas 18% de avaliação positiva.
Com o aumento das passagens de ônibus municipais e o congelamento do sistema de trens, metrô e barcas, o valor das integrações deve ser alterado proporcionalmente ao reajuste dos ônibus e manutenção das tarifas dos outros modais.
SÃO PAULO MANTÉM PASSAGEM DE ÔNIBUS A R$ 3,00:
Conforme adiantou o Blog Ponto de Ônibus / Canal do Ônibus no final do ano passado, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, declarou nesta quinta-feira que vai manter o valor das passagens de ônibus municipais em R$ 3,00, neste ano de 2014.
Com isso, as empresas de ônibus, que tiveram aumento nos custos operacionais, com destaque para salários, lubrificantes, diesel e renovação de frota, devem receber neste ano um subsídio recorde de pouco mais de R$ 1,6 bilhão. Em 2013, o subsídio foi de R$ 1,1 bilhão.
No entanto, Haddad disse que vai encontrar dificuldades para financiar este congelamento. Segundo ele, o subsídio recorde tinha como uma das fontes o aumento do IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano – nos moldes como a prefeitura queria. Em alguns casos, o valor do IPTU poderia subir em torno de 30%. Mas depois de derrotas na Justiça, a prefeitura decidiu reajustar o IPTU com base nos índices inflacionários.
A prefeitura de São Paulo, no entanto, alega que este reajuste não é justo. Isso porque, o IPTU é baseado no preço dos imóveis, que teve nos últimos anos valorização maior que os índices inflacionários.
A passagem de ônibus municipal em São Paulo está congelada desde janeiro de 2011, época da gestão de Gilberto Kassab.
Se forem levados em consideração os índices de inflação, hoje, em vez de R$ 3,00, a tarifa de ônibus em São Paulo seria de R$ 3,58.
Mas se fossem considerados os itens das planilhas apresentadas pelas empresas, o valor poderia ser maior ainda já que itens de peso, como combustível, salário e aquisição de novos ônibus tiveram reajustes acima da inflação.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Sair da versão mobile