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Haddad: “Corredor só deve ser para ônibus, na minha opinião”

A jornalista Fabíola Cidral e o professor Fernando Abrucio conversaram com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele disse que licitação para a contratação das empresas que vão fazer auditoria nos contratos com as companhias de ônibus está em fase final. Haddad participou do CBN – São Paulo, produzido pela jornalista Gabriela Gonçalves.

Haddad: Corredor de ônibus só deve ser para o transporte público e não para táxis
Prefeito disse também que está nas últimas etapas licitação para auditoria internacional dos contratos das empresas e cooperativas de ônibus e garantiu que meta de corredores será cumprida
ADAMO BAZANI – CBN
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse na manhã desta quarta-feira, dia 22 de janeiro de 2014, que o Ministério Público entrou na discussão “com todo o direito” sobre a proibição dos táxis nos corredores de ônibus. Ele afirmou que estudos mostram uma discrepância. Em alguns pontos o táxi causa um impacto muito negativo na velocidade dos ônibus, mas em outros, não atrapalham tanto.
No entanto, Haddad declarou abertamente ser contra o uso dos corredores por outros veículo.
“Na minha opinião, corredor de ônibus deveria ser só para ônibus, no caso à esquerda. Nas faixas tenho minhas dúvidas. Mas corredor deveria ser apenas para ônibus. Algumas cidades admitem táxis nas faixas, como Paris, outras não, como Nova Iorque. Mas em nenhuma delas os táxis andam nos corredores” – disse Haddad.
Apesar de sua opinião, ele disse que a questão não está definida e ainda depende de mais discussões.
Ele participou do programa CBN São Paulo, da Rádio CBN, apresentado por Fabíola Cidral e produzido pela jornalista Gabriela Gonçalves. Também fez parte da entrevista o professor Fernando Abrucio, da FGV – Fundação Getúlio Vargas.
O prefeito de São Paulo também disse que está na fase final a licitação para a realização da auditoria sobre os contratos com as empresas de transportes coletivos na cidade.
Haddad confirmou que são quatro empresas de abrangência internacional que vão fazer análises nos contratos das viações: FGV – Fundação Getúlio Vargas, Deloitte, KPMG e a Ernst & Young.
A prefeitura, segundo ele, não teria condições de fazer uma auditoria minuciosa, por isso a contratação destas empresas.
Com a auditoria, segundo Haddad, será possível rever os custos do sistema e criar uma política tarifária. Os trabalhos devem ajudar na elaboração de um novo edital de licitação.
A licitação dos serviços de ônibus por empresas e cooperativas na cidade deveria ocorrer no ano passado, mas foi cancelado depois da série de manifestações em junho em prol de melhorias no transporte coletivo e contra o valor das passagens.
Haddad destacou que com a política de implantação de faixas de ônibus (hoje são 303,6 km), a velocidade do transporte coletivo aumentou em 46% na cidade de São Paulo. Ele relatou também que as reclamações em relação aos transportes públicos em 2013 caíram 35%.
O prefeito disse que há desafios na cidade ainda não superados, mas que na área dos transportes o balanço das evoluções até agora foi “bastante satisfatório”.
Ao responder a pergunta de um ouvinte se ele teria coragem de pegar um ônibus nos extremos da zona Leste ou da zona Sul de São Paulo nos horários de pico, Haddad mais uma vez exaltou as faixas de ônibus e citou o exemplo da Radial Leste.
“Outro dia vim de Itaquera de ônibus. Pela Radial Leste, agora em 46 minutos você chega ao parque Dom Pedro (Centro). Antes era bem mais” – disse Haddad.
“Muitos reclamam de faixa de ônibus, mas em várias cidades do mundo hoje as faixas estão presentes e com excelentes resultados”
Haddad disse estar preocupado com o caixa da prefeitura, com o não reajuste do IPTU proposto pelo executivo municipal, que pode prejudicar o ritmo das obras na cidade.
“Os custos aumentaram na cidade, nos serviços públicos, os salários dos motoristas, dos cobradores subiram … as coisas subiram acima da inflação” – disse ao se referir que o reajuste do IPTU pelo índice inflacionário não é suficiente.
Ele afirmou que no caso dos corredores de ônibus, o aumento do IPTU abaixo do que espera a prefeitura vai comprometer as desapropriações para os espaços exclusivos.
Ele disse que 50 km de corredores foram licitados, 37 km já tem obras iniciadas e 120 km estão sob verificação do Tribunal de Contas do Município.
Apesar da redução na arrecadação, ele pretende cumprir a meta de construção de corredores.

A entrevista completa pode ser ouvida em:

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-sao-paulo/2014/01/22/PARQUE-D-PEDRO-SERA-O-PROXIMO-FOCO-DE-ACAO-NO-COMBATE-AO-CRACK-DIZ-HADDAD.htm

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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