Paulistano quer mais prioridade ao transporte público na cidade

ônibus

Ônibus em São Paulo. Mobilidade urbana recebeu nota baixa em pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope. Mas a população não apenas reclama. Mais consciente, cobra mais soluções para os deslocamentos na cidade e exige mais investimentos e prioridade para o transporte público. Foto: Adamo Bazani.

Paulistano quer prioridade ao transporte público revela pesquisa da Rede Nossa São Paulo
A mobilidade na cidade recebeu nota 3,9, considera baixa. Entrevistados querem corredores de ônibus e expansão do metrô
ADAMO BAZANI – CBN
Prestes a completar 460 anos, São Paulo é querida não só pelos seus moradores, mas devido ao seu caráter acolhedor, é admirada pelo país inteiro. Mas a poderia ser uma cidade melhor em diversos aspectos.
A 5ª edição do IRBEM (Índices de Referência de Bem-Estar no Município) divulgada nesta terça-feira, dia 21 de janeiro de 2014, revela que de 0 a 10, os paulistanos deram nota 4,8 para a qualidade de vida na cidade. O índice ficou abaixo da média de escala que é de nota 5,5.
O nível de insatisfação, no entanto, não significa que o paulistano só sabe reclamar da situação da cidade.
Hoje a maioria da população tem a consciência do que pode ser mudado.
Exemplos disso são os indicadores referentes à mobilidade urbana na pesquisa que ouviu 1 mil 512 pessoas com idades a partir dos 16 anos, entre os dias 03 e 23 de dezembro de 2013.
O trânsito e a falta de mobilidade urbana são grandes motivos de insatisfação dos moradores da maior cidade da América Latina, recebendo nota 3,9, muito baixa.
De acordo com o levantamento da Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope, apesar de reclamar da pontualidade dos ônibus, que recebeu nota 4, e do tempo de espera nos pontos, com nota 3,9; o paulistano sabe que somente a prioridade ao transporte coletivo no espaço urbano e nas políticas públicas é que pode melhorar o “ir e vir” das pessoas e consequentemente a qualidade de vida na cidade.
Provas disso são os anseios por uma maior rede de metrô e mais espaços para o transporte público em geral, com soluções como os corredores de ônibus.
O tamanho da rede de metrô em São Paulo recebeu nota 4,9. Inferior aos 5,9 da primeira edição da pesquisa em 2009.
A prioridade dada ao transporte coletivo no sistema viário ganhou nota 4,1, a segunda pior da série histórica da pesquisa.
Isso demonstra a consciência do paulistano para que os investimentos em transportes públicos sejam rápidos e façam parte das políticas públicas da cidade e não apenas se resumam a ações pontuais.
De acordo com especialistas em mobilidade urbana, uma rede de metrô conjugada com um sistema amplo de corredores e faixas de ônibus faz com que as diferentes demandas em cada região da cidade sejam atendidas de maneira adequada e acima de tudo, respeitando o dinheiro público e a capacidade de investimentos da cidade.
O tempo de deslocamento em São Paulo é um dos aspectos que receberam uma das menores notas no item mobilidade: 3,7.
Este tempo não é satisfatório pelo excesso de veículos que fazem a cidade literalmente parar em alguns eixos, como as marginais dos rios Pinheiros e Tietê, Radial Leste, Estrada do M Boi Mirim e o Corredor Norte/Sul.
E o poder público precisa de fato agilizar as ações em prol da prioridade ao transporte público, uma das principais maneiras para enfrentar o problema. As soluções para diminuir o transito na cidade receberam a pior nota na pesquisa desde 2009: 3,8. Ou seja, estas soluções não são tomadas na quantidade e no perfil necessários para São Paulo.
Outro aspecto dentro da mobilidade urbana é em relação aos ônibus fretados. Parte da população que não usaria num primeiro momento o transporte público optaria por este meio de deslocamento.
A restrição aos ônibus fretados não agrada a população. A medida recebeu também a pior nota da série histórica: 4,0.
Hoje o cidadão tem consciência que mobilidade urbana é muito mais que transporte de pessoas, mas é garantir a qualidade de vida.
Os congestionamentos em São Paulo geram custos anuais na ordem de R$ 50 bilhões de acordo com estudo realizado pelo economista Marcos Cintra, da Fundação Getúlio Vargas.
É dinheiro gasto em infraestrutura para receber um número cada vez maior de veículos, perdido pela falta de produtividade de trabalhadores e empresas, custos com combustíveis queimando à toa nos congestionamentos e na área da saúde. De acordo com o professor e médico Paulo Saldiva, em estudo pelo instituto de poluição atmosférica da USP – Universidade de São Paulo, aproximadamente quatro mil pessoas morrem na cidade por ano por problemas de saúde gerados ou agravados pela poluição atmosférica.
Hoje na cidade, o excesso de veículos representa 80% das emissões de poluentes no ar.
Além do dinheiro e da saúde, as pessoas perdem o prazer com a vida por causa da falta de mobilidade urbana.
Em vez de estarem presos nos congestionamentos, os cidadãos poderiam fazer um curso para aumentarem as oportunidades de crescimento, poderiam estar com a família, praticando esportes, se divertindo ou descansando. Não é exagero, mas muitas pessoas na cidade perdem horas de sono por causa do tempo de deslocamento ampliado pelo excesso de veículos.
Mais uma vez a população dá o recado.
É claro que muitos dos que pedem mais mobilidade ainda têm a cultura do deslocamento pelo transporte individual, mas quando estas pessoas verem quando os sistemas de transportes públicos se tornarem mais vantajosos, a cultura vai aos poucos se transformando.
Mas é hora de agir de maneira mais intensa.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

4 comentários em Paulistano quer mais prioridade ao transporte público na cidade

  1. Amigos, boa noite.

    Resultado Previsivelllllllllllllll.

    O tranporte publico nao precisa de prioridade.

    Precisa e de gestao dinamica, tecnica e inteligente, so isso.

    Att,

    Paulo Gil

  2. FORA EMPRESAS DE MENTIRINHAS LEBLON NA AREA 4 DE SP JÁ // 21 de janeiro de 2014 às 23:57 // Responder

    Se vc quer reclamar menos do transporte publico em São Paulo deixe a sua assinatura e ajude a LEBLON a concorrer a licitação de São Paulo http://www.avaaz.org/po/petition/Prefeito_Fernando_Haddad_Credenciamento_do_Grupo_LEBLON_no_sistema_de_transporte_de_Sao_Paulo/?copy

  3. Olá, boa a noite a todos!
    É difícil de entender o que vem acontecendo com a política da SPTrans aqui em São Paulo.
    Enquanto todos procuram reduzir seus custos a SPTrans corre na mão contrária.
    Cooperativas foram criadas para ajudar e organizar os profissionais de determinada área e também poderem concorrer em licitações/concorrências como ocorreu aqui em Sampa.
    Com alguns atropelos e conivências de Órgãos Judiciais as cooperativas que são permissionárias do transporte público assinaram o contrato com a Prefeitura e concordaram em receber uma remuneração menor do que as pagas para as empresas de ônibus, eles no caso são concessionários..
    A SPTrans esta exigindo dos cooperados vinculados as cooperativas que se transformem em empresas para terem suas remunerações majoradas ao mesmo patamar das pagas empresas de ônibus , ora, se estão com dificuldades para honrar os compromissos acordados com os valores anteriores por que elevar os custos das remunerações pago `as cooperativas?
    Alega-se a necessidade da mudança para que os funcionários que dirigem e cobram nos micro possam ser registrados para terem seus direitos garantidos.
    Acredito que os operadores dos micros devam ser cooperados e não funcionários do cooperados, preservando assim a remuneração e garantido também o equilíbrio dos custos da SPTrans.
    A ideia das cooperativas foi preservar o serviço oferecido pelos antigos perueiros que na época só podiam ser proprietários de um único veículo hoje no entanto tem cooperados com até 10 micros com um monte de funcionários.
    Também acredito que os custos com destes funcionários devam ser absorvidos pelos cooperados não pela população que será prejudicada com uma tarifa majorada ou repasses indevidos de subsídios.
    Tenho propostas para ajudar, se alguém se interessar, estou a disposição.
    Em tempo e quanto ao Ministério Público, quando também irão se preocupar com a ação de influências indesejáveis na Administração das cooperativas ou se limitaram a cuidar dos funcionários sem carteira assinada que operam os micros?

  4. Rolland T. Flackphayser // 22 de janeiro de 2014 às 06:25 // Responder

    A desonestidade intelectual da ONG Rede Nossa São Paulo é de tal ordem que a imprensa que dá curso às suas fantasias e trapaças metodológicas se torna corresponsável e copatrocinadora das vigarices. Não é difícil demonstrar o que digo. Ao contrário: é até muito fácil. Mais: os não petistas que tentaram se aproximar da turma receberam o beijo da morte. Foi o caso do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que achou que poderia brincar de transparência com Oded Grajew, o que é uma contradição em termos. Quebrou a cara. Tudo bem! Agora ele é um aliado dos petistas — não sem antes ter sua gestão transformada em picadinho. Vamos lá.

    No fim de 2007 e início de 2008, a Nossa São Paulo vendeu às rádios e aos jornais a mentira de que a Prefeitura de São Paulo investia mais nas áreas ricas da cidade do que nas pobres. Escrevi vários textos desmontando a farsa. Um deles está aqui. Os Gilbertos Dimensteins da vida falavam pelos cotovelos a respeito. Era mentira. Em que consistia o truque de Grajew? Analisava apenas o emprego da verba de Subprefeituras, destinada à zeladoria. Ocorre que a verba das Subprefeituras correspondia a apenas 4% do Orçamento da cidade. Era natural que bairros com mais aparelhos urbanos consumissem mais. Na conta, não entravam a construção de hospital, de AMAs, de CEUs, o asfaltamento de ruas, nada… Vale dizer: as contas da Nossa São Paulo ignoravam o que era, de fato, investimento.

    Sim, a Prefeitura, então, forneceu àquele tipo de jornalismo que se praticava os dados corretos. Mas era só o “outro lado”. A turma babava vermelho nas rádios e depois usava os bons números como mera desculpa oficial.

    Kassab quebrou a cara
    Eleito em 2008, contra a vontade da Nossa São Paulo, que fez campanha para Marta Suplicy (e, em 2012, para Fernando Haddad), Gilberto Kassab fez uma grande, uma monumental besteira: aceitou um desafio da Nossa São Paulo e estabeleceu 223 metas de governo. Foi uma de suas perdições.

    Vamos ver. De saída, é bom considerar que meta não é promessa. Ainda que fosse… Uma pauta com 223 itens traz coisas mais importantes e menos, certo? Uma meta não cumprida integralmente não quer dizer 0% de cumprimento. Kassab deve ter achado que estava ganhando, assim, um “aliado do lado de lá”. Errado! Estava apenas pondo a corda no pescoço.

    Qual foi a conta que Grajew e seus bravos fizeram? Consideraram “metas cumpridas” apenas as obras 100% concluídas. Ao fim do mandato, a ONG considerou que ele realizou apenas 55,1% do prometido. Vejamos o caso das creches: como o objetivo era zerar o déficit, então descumprido está. Quando José Serra assumiu a Prefeitura, em 2005, havia 60 mil vagas. Em oito anos, criaram-se outras 150 mil — duas vezes e meia a mais. Dane-se! Não cumpriu!

    De Haddad…
    E Fernando Haddad? Pôs as metas no papel? Ele não é doido nem nada. A Nossa São Paulo não cobrou isso dele. “Meta” e “cumprimento de promessa” são coisas que se exigem “da direita” (hoje, Kassab, como todos os políticos brasileiros, é de “centro-esquerda”…). Daqueles que se dizem de esquerda, devem-se cobrar bons sentimentos, bom coração e “engajamento no processo” (seja lá que zorra isso queira dizer)…

    É o caso de um tal “Arco do Futuro”, uma miragem prometida pelo prefeito petista, que tem a ver, assim, com o… futuro, entenderam? Entre na Internet e tente saber o que isso significa de prático, de concreto, de coisas que podem ser cobradas. Impossível.

    Mas Haddad já é tratado, antes de concluir o primeiro mês de governo, como um prefeito verdadeiramente revolucionário. Dia desses, li no jornal o que foi chamado pelo repórter de um “pacote bilionário” de investimentos, coisa que teria sido tentada antes por cinco administrações e nunca antes realizada.

    Lá pelo quarto ou quinto parágrafo, éramos informados de que a pacote dependia ainda da obtenção de recursos, de desapropriações, de algumas licenças e coisa e tal… E daí? Importavam o título e lead. A submissão de amplos setores do jornalismo paulistano ao prefeito é constrangedora. Haddad não precisa de assessoria de imprensa. Ela até pode atrapalhar o serviço. O post anterior deixa claro que ele é considerado uma referência até para debater segurança pública.

    A farsa da “herança maldita”
    Haddad é o mais lulista das estrelas petistas. Como se viu, não se constrange em reunir 10 de seus secretários para receber uma aula do Apedeuta sobre governança. Também o seu aparelho de marketing mimetiza o de Lula.

    Embora ele evite a crítica direta a Kassab, de quem é, agora, um aliado — e o ex-prefeito é que deve saber a dor e a delícia de ser destruído e reabilitado por petistas —, reparem que o Prefeito Coxinha atua como se, antes dele, nada houvesse na cidade; como se as gestões anteriores (com a provável exceção da de Marta) jamais tivessem feito qualquer investimento em saúde, educação, transportes, moradia, infraestrutura, desenvolvimento econômico… E esses setores da imprensa compram o seu discurso porque a, rigor, já estão ideologicamente vendidos.

    É uma pena eu não saber desenhar. Ou criaria o “Supercoxinha”, um super-herói que tem sempre uma máxima acaciana e politicamente correta para descrever, mas jamais para resolver, os problemas difíceis da cidade.
    Por Reinaldo Azevedo

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