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Haddad descarta aumento de tarifas de ônibus em 2014 e disse acreditar em tarifa-zero

Ônibus em São Paulo. Prefeito Fernando Haddad diz que é difícil incentivar o transporte público porque isso incomoda quem está acostumado a se deslocar de carro. Haddad também declarou que acredita ser possível que haja tarifa-zero e descartou aumento do valor da passagem municipal neste ano. Foto: Adamo Bazani

Haddad diz que priorizar transporte coletivo é difícil porque incomoda quem anda de carro
Em entrevista ao El Pais/Brasil, prefeito admitiu que não houve aumento no número de passageiros de ônibus, o que para ele é um ganho já que não foi registrada queda significativa. Haddad disse que tecnicamente é possível tarifa zero e que não planeja reajuste do valor das passagens em 2014
ADAMO BAZANI – CBN
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que o maior desafio para priorizar o transporte público não se refere a questões técnicas, como encontrar soluções no espaço urbano, como criação de corredores ou faixas exclusivas para ônibus.
Para ele o maior entrave é a questão cultural.
Em entrevista ao jornal El Pais, versão Brasil, o prefeito de São Paulo disse que a prioridade ao transporte público incomoda quem está acostumado a andar somente de transporte individual.
“A questão da mobilidade é clássica no mundo inteiro. Todo mundo sabe que deve priorizar o transporte público, mas tomar a decisão de priorizá-lo é difícil porque incomoda aqueles que estão comodamente utilizando o transporte individual.”
Ele admitiu se não fossem as manifestações de junho, o ritmo de implantação de faixas exclusivas para ônibus, considerada um dos destaques da administração, seria bem menor.
“Já tínhamos anunciado na campanha que faríamos, mas impulsionados pelas manifestações de junho, fizemos em seis meses o que faríamos em quatro anos [com o aumento das faixas exclusivas de ônibus], o que resultou em um incremento na velocidade do ônibus, superior a verificada em Nova York e Paris, que tomaram a mesma decisão.”
Quando ao fato de as faixas não terem aumentado significativamente o número de passageiros usando o transporte público, indicando que as pessoas que se deslocam de carro não deixaram os meios individuais de transporte, Haddad minimizou e disse que ao menos não houve queda expressiva na quantidade de pessoas que usam ônibus.
“Mas deixou de cair (o número de passageiros). Vinha caindo consideravelmente. Essa mudança não se faz em meses”.
Haddad também afirmou que o fato de as faixas de ônibus serem aprovadas por mais de 90% da população não significa necessariamente que as pessoas iriam aprovar seu governo, que teve números semelhantes a prefeitos como Gilberto Kassab e Celso Pitta, de uma maneira geral, mal avaliados pela população.
“O apoio à medida [implementação das faixas] foi medido por dois institutos de pesquisa, e está na casa dos 90%. Uma coisa é aprovar a medida, outra coisa é aprovar o político. Estamos num ano muito atípico do ponto de vista de aprovação aos governantes, de maneira geral. A aprovação da nossa reforma educacional é na casa dos 90%. De mobilidade, 90%. Se perguntarem sobre as medidas para combate à corrupção, certamente vai ser de 100%. E isso tudo pode não se refletir em apoio político”.
Haddad também declarou que só com perseverança é possível enfrentar o problema de mobilidade em São Paulo, que segundo ele, é arraigado, e convencer as pessoas a deixarem o carro em casa.
“É a perseverança. O trânsito em São Paulo piorou menos em 2013 do que em 2012, quando não se investiu um centavo em transporte público. O trânsito aumentou 11% de 2011 para 2012, sem uma faixa, sem um corredor. E de 2012 para 2013, 7%. Óbvio que é uma mudança de cultura, talvez geracional. No meu tempo, o presente de quem entrava na faculdade era um carro. Outro dia, meu filho me disse que pensava em se desfazer do carro, em função dos custos associados. Paga-se muito mais de seguro de carro em São Paulo do que de IPTU.”
TARIFA ZERO:
Haddad disse que é possível aumentar subsídios aos transportes coletivos para que se chegue à tarifa zero. Para ele, no entanto, o fato é difícil num primeiro momento e seria necessário encontrar fontes de financiamento.
“El País: É possível ter tarifa zero no transporte público?
Fenando Haddad: Vamos fazer uma pergunta diferente: é possível aumentar o subsídio à tarifa até o ponto de chegar a 100%? A minha opinião é que sim, se tiver uma fonte de financiamento.
EP: Que seria…
FH: A municipalização da CIDE. Se os prefeitos forem autorizados a tributar a gasolina para subsidiar a tarifa, você poderia avançar no subsídio e diminuir o preço da tarifa no bolso do trabalhador.
EP: Vai ter aumento de ônibus em 2014?
FH: Não está planejado.
EP: Isso é não?
FH: Isso é não.
Haddad também falou sobre aumento do IPTU, combate à corrupção e os problemas de educação e saúde da cidade.
A entrevista na íntegra você pode conferir em:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/03/politica/1388787506_411833.html
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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