Leilão de 17 mil peças da Busscar deve render R$ 7 milhões

Busscar

Ônibus da Busscar. Empresa deve ter peças de reposição leiloadas na sexta-feira. Foto: Adamo Bazani

Leilão de 17 mil peças da Busscar pode arrecadar R$ 7 milhões
Serão oferecidas desde catracas eletrônicas até chapas e tubos para fabricação de carrocerias
ADAMO BAZANI – CBN
Com informações de Andréa Maciel – MISASI Comunicação
Depois de ofertas consideradas insatisfatórias pela Justiça, que suspendeu o primeiro leilão de peças da encarroçadora de ônibus Busscar, que ocorreu em 18 de outubro, nesta sexta-feira, dia 29 de novembro, será realizada mais uma tentativa de venda de parte dos equipamentos da empresa.
A diferença é que na primeira tentativa só foram aceitos lances presenciais. Agora os lances podem ser feitos pela internet, no site de leilões www.superbidjudicial.com.br, ou presencialmente, no salão do Tribunal do Júri da comarca de Joinville/SC.
A possibilidade deve aumentar o número de interessados, de acordo com a leiloeira nomeada pela justiça em 23 de outubro, Tatiane Santos Duarte.
A venda das peças é vista pelos credores da encarroçadora de ônibus, que teve falência decretada em setembro de 2012, como o primeiro passo para que as dívidas sejam honradas.
Ao Blog Ponto de Ônibus/Canal do Ônibus, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Oficinas e Indústrias Mecânicas de Joinville e Região, Evangelista dos Santos, disse que as dívidas trabalhistas da fabricante de carrocerias chegam a R$ 218 milhões e que será realizado um mutirão para analisar ações dos trabalhadores para serem encaminhadas à 5ª Vara de Justiça que analisa o caso.
As dívidas totais da Busscar, incluindo débitos com fornecedores, impostos em atraso e principalmente com bancos, chegam a R$ 1,6 bilhão.
No leilão previsto para esta sexta-feira, devem ser arrecadados aproximadamente R$ 7 milhões com a venda de peças de reposição de carrocerias. Entre os equipamentos estão catracas eletrônicas até painéis de vidro, além de tubos, barras, perfis e chapas em quantidades e tamanhos variados.
Antes de ter decretada a falência, a Busscar passou por um processo de recuperação judicial que durou 11 meses e contou com três assembleias de credores que não resultou em nenhum acordo.
EMPRESA FOI UMA DAS MAIORES ENCARROÇADORAS DE ÔNIBUS DO PAÍS:
A Busscar foi fundada em 1946 pela família Nielson, que mantinha o controle da empresa até a decisão judicial.
Antes o nome da empresa era o mesmo da família, Nielson, mas em 1990 adotou a razão social Busscar.
A empresa foi uma das maiores encarroçadoras de ônibus do País e lançou modelos ao longo da história que marcaram tendência no mercado de transporte coletivo, como as diversas gerações do Diplomata e do Urbanuss.
A Busscar Ônibus, maior empresa do Grupo, faturava no seu auge, em 2008, R$
685 milhões e empregava mais de cinco mil funcionários. Seu parque fabril tem capacidade para produzir 42 carrocerias por dia. Também fazem parte do Grupo Busscar a empresa Climabuss, especializada em climatização de ônibus, a Tecnofibras (ainda em operação), fabricante de peças para carroceria em plástico reforçado com fibra de vidro, e participações
minoritárias em outras empresas, entre elas a Busscar Colômbia, que tem operação independente, e Busscar México, que encerrou as atividades antes da falência da unidade brasileira.
A falência da Busscar é resultante de uma crise enfrentada pelo grupo no final de 2008. A família Nielson atribuiu às variações cambiais e ao aumento do preço de insumos as dificuldades das empresas. Já o sindicato e analistas econômicos apontam para erros administrativos e até suspeita de uso inadequado de recursos da encarroçadora.
Foi a segunda grande crise econômica da encarroçadora. Entre 2001 e 2003, a empresa contou com auxílio do BNDES para escapar da falência.
Endividamentos de 2003 e a não recuperação total da primeira crise também teriam agravado a situação que teve início em 2008.
A Busscar chegou a disputar liderança com a Marcopolo no segmento de rodoviários e com a Caio no mercado de ônibus urbanos.
Líder no segmento de ônibus urbanos, a Caio tem planos de conquistar mercado no segmento de ônibus rodoviários. A planta de Botucatu, no interior paulista, atende no limite a grande demanda de urbanos e o modelo rodoviário da empresa paulista, pertencente ao Grupo de José Ruas Vaz, o Caio Giro, é considerado um bom produto, mas defasado em relação aos modelos concorrentes como o Paradiso e o Viaggio, da Marcopolo, e o Campione, da Comil.
A Caio nunca escondeu o interesse pela Busscar.
Os leilões do parque fabril e da Climabuss devem ser realizados no primeiro semestre de 2014.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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