Primeiro dia útil de operação da Suzantur, em linhas da Leblon, foi marcado por desorganização e prejudicou a rotina dos passageiros. Ônibus ainda não foram adaptados para o sistema de Mauá e continuam com portas à esquerda. Passageiros deixados para trás nos pontos, escalas de horários irregulares e paradas inadequadas dentro do Terminal Central de Mauá foram alguns dos problemas.
Desorganização marca primeiro dia útil de operação da Suzantur em Mauá
Horários desregulados, paradas irregulares dentro do terminal central de Mauá, superlotação e ônibus inadequados prejudicaram os passageiros da cidade. Reclamações não faltaram.
ADAMO BAZANI – CBN
Os passageiros do sistema municipal de ônibus de Mauá enfrentaram problemas no primeiro dia útil de operação da empresa Suzantur, convocada pelo prefeito petista Donisete Braga para percorrer linhas de ônibus na cidade após o polêmico descredenciamento das empresas Viação Cidade de Mauá e Leblon Transporte de Passageiros.
Depois do quinto recurso jurídico contra a empresa Leblon que tinha um mandado de segurança para prestar serviços na cidade, Donisete Braga conseguiu com que o presidente do TJ-SP – Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, suspendesse os efeitos do mandado de segurança na segunda-feira, dia 18 de novembro.
No dia 20, a Suzantur começou a operar em cinco linhas da Leblon Transporte.
Como foi feriado, a demanda estava bem menor que habitualmente.
Mas nesta quinta-feira, dia 21 de novembro, primeiro dia útil de operação da companhia, os passageiros da cidade vivenciaram diversos transtornos.
A Suzantur chegou a operar entre os dias 19 de outubro de 08 de novembro em sete dias nas linhas da Viação Cidade de Mauá – VCM, do lote 01. Ela foi impedida pela Justiça do Amazonas que acompanha a recuperação judicial do grupo de Baltazar José de Sousa, do qual a VCM faz parte, que tenta escapar da falência. Além de impedir a circulação da Suzantur, o juiz Rosselberto Himenez, da 5ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus, determinou que os leitores do cartão de bilhetagem eletrônica fossem retirados das catracas da Suzantur, o que não foi obedecido pela prefeitura de Mauá e pela empresa de ônibus.
Nesta quinta-feira, a desorganização das operações da Suzantur atrapalhou a rotina dos passageiros.
Apesar de ficar parada entre os dias 08 e 20 de novembro, a empresa e a prefeitura não adaptaram os ônibus para a realidade dos transportes em Mauá. Os ônibus que estão na Suzantur são usados e pertenciam a empresa Oak Tree, que faliu na Capital Paulista.
Os veículos ainda seguem os padrões operacionais da SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora dos serviços na cidade de São Paulo.
O que desagradou os passageiros quando a Suzantur operou no lote 01 continua sem alterações: as portas à esquerda, que agora estão inoperantes e fazem passageiros se arriscarem viajando encostados nestas; as catracas no meio do ônibus, dificultando a circulação dentro dos veículos; apenas uma porta para embarque e outra para desembarque; a falta de acessibilidade para portadores de deficiências físicas em diversos veículos e até mesmo as cores laranja e branco, que são do Consórcio Sudoeste, do qual a Oak Tree fazia parte antes de entrar em falência.
Mas não foram apenas as características inadequadas dos ônibus para Mauá que trouxeram problemas aos passageiros.
Havia desorganização nas escalas de horários, com veículos da mesma linha circulando muito próximos um dos outros e depois deixando longos intervalos, ônibus estacionando longe das plataformas dentro do terminal central de Mauá, além de manobras irregulares. Superlotação também foi outro problema muito comum. Reclamações de passageiros, muitos deixados nos pontos, não faltaram:
A prefeitura de Mauá, em ofício na última terça-feira, dia 19 de novembro, determinou que a Leblon cedesse seis linhas para a empresa Suzantur. Mas à noite, recuou e desistiu da linha Zaíra 4. A linha é uma das de maior demanda da cidade e é operada pela Leblon com ônibus articulados acessíveis e com computador de bordo. A Suzantur não possui nenhum ônibus articulado, nem de configuração antiga.
A prefeitura de Mauá, para descredenciar a Viação Cidade de Mauá e a Leblon, alegou que as duas empresas invadiram o sistema de bilhetagem eletrônica, mas não provou que houve manipulação dos dados ou recursos.
A Leblon Transporte alegou que não houve invasão no sistema e sim consultas para as quais a própria prefeitura treinou e autorizou as empresas.
O argumento da empresa de transporte foi acatado pela corregedora geral do município, Thais de Almeida Miana, em 27 de junho. No parecer, a corregedora viu que havia inconsistências na sindicância aberta pela prefeitura de Mauá, “baseada mais em provas subjetivas e testemunhais” e indicou a necessidade de um novo procedimento. Mas o prefeito Donisete Braga ignorou e se recusou a fazer uma nova sindicância.
REDES SOCIAIS E CÂMARA DOS VEREADORES:
Em redes sociais, em grupos como “Política Sim, Patifaria Não”, “Grupo TRA”, “Maua Problem”, a atitude de Donisete Braga é alvo de críticas.
Petições públicas também têm sido realizadas.
Na Câmara, Donisete Braga também causou mal estar com as mudanças nos transportes. Os vereadores, inclusive os de situação, reclamam da falta de diálogo por parte do prefeito que, apesar de ter recebido requerimentos, ainda não se posicionou oficialmente aos legisladores.
Em entrevistas, Donisete Braga disse que quer implantar um novo modelo de transporte para a cidade e melhorar os serviços quanto à frota e intervalos.
Ele destacou que a cidade terá integração com os trens da CPTM e que recebeu verbas do Governo Federal para faixas e corredores de ônibus e reforma no terminal central.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes