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SPTrans diz que vai cortar 400 linhas. Mas isso é suficiente para deixar o sistema com mais eficência?

Ônibus de cooperativa na região da Avenida Paulista, cena que não deve mais ser vista se depender da SPTrans. Gerenciadora quer cortar 400 linhas do sistema. Ligações locais serão a maioria. Especialistas dizem que não basta cortar linhas sem oferecer estrutura para os transportes. Foto: Adamo Bazani.

SPTrans quer tirar 400 linhas do sistema da Capital Paulista
Redução seria de 31% e quantidade de ligações cairia de 1305 para aproximadamente 900
ADAMO BAZANI – CBN
Mesmo com as manifestações populares, com a desaprovação da população e com pedido de explicações elaborado pelo Ministério Público Estadual, a SPTrans insiste na política de redução, extinção ou seccionamento de linhas.
Na tarde desta sexta-feira, dia 25 de outubro, a diretora de planejamento da São Paulo Transportes, Ana Odila Paiva Souza, disse que até o final da gestão do prefeito Fernando Haddad, o número de linhas na Capital Paulista será reduzida em 31%, passando das atuais 1 mil 305 linhas para cerca de 900 ligações.
Deste total, 380 linhas seriam do sistema estrutural, que fazem trajetos de maiores distância ligando regiões diferentes da cidade, passando pelo centro, e 520 seriam linhas bairro a bairro, o que deve aumentar a atuação de cooperativas no sistema.
Segundo Ana Odila Paiva Souza, a proposta é baseada em estudos de administrações anteriores que mostram que para ser mais eficiente e ter menores custos, o sistema municipal de ônibus deve ser racionalizado. Para ela, hoje há muitas sobreposições de linhas e os ônibus perdem tempo em longas filas de coletivos, mesmo nos corredores.
A racionalização, de acordo com Odila, facilitaria o embarque e desembarque e tornaria os corredores de ônibus mais úteis que, em alguns trechos, são “subaproveitados” por linhas que percorrem apenas partes dos espaços exclusivos.
Ela disse que haverá uma rejeição por causa da necessidade de adaptação dos passageiros, mas que o sistema tronco-alimentado prova que é mais eficiente e que, mesmo com a troca de ônibus, o tempo de viagem deve diminuir.
Para oferecer estrutura ao sistema tronco-alimentado, a prefeitura promete concluir até 2016, 14 terminais de ônibus, que serviriam para as integrações.
A SPTrans realiza o quinto estudo para isso somente neste ano. Mesmo com os estudos em andamento, ao menos 80 linhas de ônibus municipais foram alteradas.
Especialistas dizem que não basta levar em conta a simples sobreposição de linhas para fazer cortes. Há linhas sobrepostas em boa parte do itinerário, mas que são necessárias num mesmo corredor por causa do perfil de origem e destino.
Além disso, a reorganização do sistema não pode se limitar a corte de linhas. Os ônibus troncais devem ganhar corredores exclusivos de fato, que são mais eficientes que as faixas, para terem melhor desempenho. Serão necessárias intervenções viárias, mesmo que simples como proibição de estacionamentos e alteração em cruzamentos e curvas, para que os ônibus ganhem freqüência e confiabilidade. Hoje a periferia apresenta problemas de trânsito tão grandes como nas áreas centrais.
O simples corte de linhas pode trazer desconforto sem a estrutura básica para os transportes coletivos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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