A iniciativa de Cuiabá e o fiasco das padronizações de pintura de ônibus

ônibus

Ônibus circulam adesivados com obras de arte em Cuiabá e levantam a seguinte discussão: quem ganha com as padronizações das pinturas. Foto: Divulgação da Prefeitura

Arte sobre rodas
Ônibus de Cuiabá circulam adesivados com obras de artistas plásticos
ADAMO BAZANI – CBN
Para aqueles que defendem as frias, sem graça, feias e até mesmo com viés político padronização de pintura no transporte coletivo, vai um exemplo de que ônibus colorido não é poluição visual.
Muito pelo contrário, muitas empresas têm pintura que são verdadeiras obras de arte. Muitas urbanas têm se substituir sua identidade e seu padrão visual tradicional por linhas e cores que mais remetem a partidos políticos dos administradores de momento e que mais procuram exaltar o nome de uma prefeitura ou governo, que do prestador de serviço que realmente opera o transporte.
Isso acaba nivelando a qualidade dos serviços por baixo. A empresa que presta um bom serviço não se diferencia e a má empresa se esconde atrás das linhas e tintas padronizadas.
E uma iniciativa em Cuiabá, no Mato Grosso, prova que as latarias de ônibus podem trazer sim mais vida e alegria a uma cidade e sua população.
Nesta semana começaram a circular alguns ônibus do sistema municipal adesivados com as obras dos artistas plásticos Clóvis Irigaray, Elias de Paula, José Pereira, Vicente de Paula, Zeilton Mattos, Adir Sodré e Babu 78.
É uma forma de apresentar arte à população que não tem acesso a este tipo de manifestação cultural e promover os artistas locais.
Levar arte da pintura e do grafite para a população não é novo no mundo. A prática já é presente no metrô de Nova Iorque desde os anos de 1970, por exemplo.
E no Mato Grosso deve vir mais novidade por aí. Além dos ônibus municipais, os metropolitanos também devem receber manifestações artísticas.
Padronização de pintura de ônibus nem sempre significa uma cidade organizada. Pelo contrário, pode tirar do passageiro o direito de saber quem o está transportando e acima de tudo, tirar um pouco das cores das cidades que já são cinzentas.
Fora que as padronizações de pintura não deixam de ser campanhas partidárias enrustidas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

9 comentários em A iniciativa de Cuiabá e o fiasco das padronizações de pintura de ônibus

  1. Amigos, bom dia.

    Bom, o centro oeste é o futuro do país.

    E principalmente pelo desprendimento, em implantar ótimas ideias.

    É isso ai tem, de pensar fora da caixa, afinal:

    “INOVAR É FAZER DIFERENTE”

    PARABÉNS CUIABÁ !

    ALÉM DO BUZÃO SER PARA TODOS, BUZÃO TAMBÉM É CULTURA.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção essa é a nossa Paixão”

  2. Ah, eu até gosto da padronização. Principalmente ela sendo como é feita em Belo Horizonte, sem viés político, exaltando os pontos turísticos da cidade e com cores separando os tipos de linhas.
    Acho que ‘despadronizar’ e deixar cada empresa com sua pintura só serve pros busólogos apreciarem e tirar fotos. Como efeito prático, é discutível. Ao menos assim, a pintura dos ônibus pode ter serventia.
    Mas concordo que o uso político das pinturas é lamentável.

  3. Marcos Pimentel Bicalho // 27 de setembro de 2013 às 15:10 // Responder

    Discordo de você, Adamo. A padronização tem um significado simbólico: o transporte é ( ou devia ser) um serviço público da coletividade, sob responsabilidade da Prefeitura, e não apenas um negócio, administrado por cada empresa, a seu bel prazer. Diferente de outros produtos comerciais, o passageiro raramente pode escolher quem vai transportá-lo, porque a rede de linhas não é, nem deve ser, concorrencial, com cada operador disputando nas ruas o seu “cliente”. Se fosse assim, o transporte poderia ser desregulamentado, o que não deu certo em nenhum lugar do mundo.
    Concordo com sua crítica ao uso da padronização como campanha política. Infelizmente há muitos exemplos disto, mas, quando bem feito, o transporte público é uma das caras da cidade. Funciona assim em Londres, em Curitiba, em Belo Horizonte. Diversas cidades, inclusive no ABC, viveram experiências que considero positivas de padronização; e algumas, de fato, foram desconstruídas por motivação política.
    Penso que isto é um problema da nossa frágil cultura política e de cidadania, não um “pecado” intrínseco do instrumento.
    Por fim, é verdade que a padronização leva a uma monotonia visual e não dá espaço para manifestações criativas como o exemplo que você cita. Mas essa criatividade é bastante questionável. Observamos em muitas cidades as experiências de envelopamento dos ônibus que criaram outdoors ambulantes. Nesse aspecto, eu prefiro o exemplo da “Cidade Limpa”.

  4. Adamo, te escuto todos os dias na CBN SP, mas sou aqui de Cuiabá! Fiquei surpreso e curti a matéria. Obrigado por divulgar nossa cidade!

  5. Sou contra pintura unica, pois o servico por onibus e um servico concedido. Por este motivo a empresa deve aparecer. s
    Com pintura unica fiscalizar uma empresa vira dilema e da espaco pra que mau concessionario nao seja punido pelos mau servicos prestados. Pelos argumentos dos comentaristas, parece que o servico e operado por empresas estatais e que as empresas de onibus sao prestadoras de servico terceirizado, mas nao e essa a realidade. Logo quem tem que aparecer o concessionario. A funcao do poder concedente e organizar e fiscalizar o servico rodoviario somente, porem isso exclui usar a frota privada como outdoor politico.

  6. Uma alternativa é fazer como São José dos Campos: A pintura nova até tem uma alusão a administração municipal, mas pelo menos cada empresa tem uma cor diferente…

  7. helder do amaral oliveira // 29 de setembro de 2013 às 01:04 // Responder

    Sou contra a píntura única que esconde a má fiscalização do Poder Público e sem falar na confusão que causa no passageiro que não conhecendo o lugar ou sendo de idade ou tendo problemas visuais poderá pegar errado a sua condução e parar em local diferente do que é o seu real destino . A Associação de Usuários de Transportes Coletivos de Âmbito Nacional-AUTCAN, ONG que defende o direito dos usuários de transportes presidida pelo advogado Waldir Cardoso também é contra a identidade visual única das empresas por parte do sistema de fardamento imposto pelas autoridades e inclusive algumas pinturas de empresas se tornaram verdadeiros ícones copiadas devido a beleza de seu layout
    Cito por exemplo:
    A Viação Brasília de Niterói -RJ tinha sua identidade visual lembrando a fachada lateral do Palácio do Planalto projetada por Oscar Niemeyer e chegou a ganhar um prêmio.
    A pintura da Viação Cometa anterior à compra pelo Grupo JCA (controlador da Auto Viação 1001) , considerada “clássica” e que imortalizou os modelos CMA Flecha Azul e Ciferal Dinossauro e Ciferal Papo Amarelo e Ciferal Lider e Ciferal Flecha de Prata foram copiadas por diversas empresas inclusive pela própria Viação 1001 que tinha a pintura identica e que originou o sonho de Jelson da Costa Antunes em comprar a Cometa pela beleza de sua identidade visual
    A pintura da Viação Mauá Limitada de São Gonçalo -RJ foi copiada pelas empresas Viação Atibaia-São Paulo de Atibaia -SP e Viação Santa Ana de Campos dos Goytacazes-RJ , muitos pensando que seriam a mesma empresa , o que não era .
    Algumas pinturas de empresas recebiam apelidos carinhosos e curiosos , como “Tomatão” ou “Ferrari de Pobre” que era o apelido da pintura vermelha dos ônibus da Viação Vila Isabel de carros convencionais ou “Molho de pizza” que era a pintura vermelha com faixa amarela semelhante as bisnagas de molho de tomate e de mostarda
    A empresa Viação Amigos Unidos do Rio de Janeiro -RJ chegou a ter a pintura apelidada de “Sorvetão” por conta deste ser creme e marrom lembrando o sorvete de creme com chocolate
    A extinta empresa Expresso Alcântara Limitada de São Gonçalo-RJ por ser em preto e branco recebera o apelido de “Botafoguinho” em alusão ao famoso clube de futebol Botafogo que suas cores são preto e branco
    A CTC-RJ na gestão Chagas Freitas e Moreira Franco assim como a extinta Viação Nova Cidade de São Gonçalo-RJ tinha sua pintura toda em azul , sendo apelidadads de “azulões”.

  8. Boa tarde Adamo. Mais uma vez venho à sua coluna para defender a padronização por empresa, seja ela pública ou privada. Porque isto remete a um simples instituto do marketing/comunicação que reza que “a programação visual de uma empresa é o meio pelo qual ela se internaliza na mente do público-alvo”. Ou seja, padronizar por empresa significa interagir com o consumidor final, no caso específico, a empresa de ônibus interagindo com seus públicos de relacionamento. Quando esta padronização por empresa é bloqueada pelo gestor público, este interfere nesse processo e, afinal, prejudica o público-alvo (e até onde sei isso não é atributo do gestor público, pelo contrário, este deve sempre pensar no bem estar do cidadão). É como se o gestor público determinasse a todos os Bancos, a todos os postos de combustível, por exemplo, uma cor única para todos. O marketing de comunicação visual seria abalado, propiciando uma “socialização” da comunicação, o que nem de longe é interessante para a economia de mercado (não sou privatista – entendo que o gestor deve controlar, sim, a operação, para não haver abusos). Penso que as empresas de ônibus devem ter padronização própria, determinada e escolhida pelo empresário, que melhor decide, inclusive em relação ao custo envolvido. Além disso, é mais barato usar padronização por empresa, é melhor para o passageiro, que enxerga o ônibus que vai para sua cidade, sua região, seu bairro mais rapidamente, até porque invariavelmente no mínimo 2 empresas normalmente cobrem os trajetos centro-bairro. Ou mesmo porque é mais fácil identificar a empresa entre várias. E o empresário gasta menos com combustível, freios e pneus. E o gestor público pode exercer sua função maior, que é controlar a operação, sem ser confundido com o operador, que por sinal é o que ocorre hoje em dia (exemplo: muitas vezes reclama-se do gestor, quando o problema está nesta ou naquela empresa – o gestor leva a fama de um problema que ele não deu causa). Pensando em colorido urbano, os ônibus das várias empresas trafegando pelas maiores cidades promove um colorido adicional ao cinza urbano, saindo do cinza tradicional que encontramos nas cidades. Último exemplo: Em São Paulo, no passado (não é saudosismo, é constatação), quem ficava na Avenida Paulista aguardava seu ônibus tranquilamente, pois se ia para os lados do Aeroporto, bastava aguardar os carros vermelhos, azuis e brancos da TUPI. Se ia para a Vila Mariana, poderia aguardar, além da TUPI, os carros amarelos da TRANSCOLAPA ou os verdes e brancos da SANTA CRUZ. Perguntam-me: e se a cidade só tiver uma empresa. Normalmente, isso não deve acontecer, até porque a concorrência, de longe, é sadia. Mas, se isso ocorrer, e pode ocorrer em cidades pequenas, guardo minha coerência: pintura única para toda a frota. Abraços. Mario Custódio

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