Táxi só pode entrar em corredores de ônibus se tiver transportando passageiros, mas prefeitura estuda possibilidade de proibir a circulação destes veículos nos espaços do transporte público. SPTrans diz que pretende ampliar a oferta de transportes, mas aumento da frota de ônibus não é prioridade. Foto: Adamo Bazani
SPTrans quer aumentar oferta de transportes com reorganização de linhas e não com crescimento de frota
Prefeitura não descarta proibir circulação de táxis e restringir os ônibus intermunicipais em corredores
ADAMO BAZANI – CBN
A SPTrans, São Paulo Transportes, informou, pela assessoria de imprensa nesta quarta-feira, dia 25 de setembro, que planeja ampliar a oferta de transportes por ônibus com a reorganização de linhas e aumento da velocidade dos veículos.
A gerenciadora do sistema disse que a ampliação da frota de ônibus e micro-ônibus não é prioridade da administração.
Para a SPTrans, o foco é que a atual frota ganhe eficiência.
Levantamento com base nos dados da SPTrans, na comparação entre os meses de março e agosto mostra que a proporcionalmente o número de passageiros cresceu 6,88 vezes mais em comparação com a quantidade de ônibus disponíveis no sistema.
A SPTrans confirma os dados, mas diz que não houve alteração na frota à disposição, que sempre é de 15 mil veículos e nega crescimento desproporcional do número de passageiros sobre a quantidade de ônibus.
As variações entre um mês e outro se referem à frota cadastrada, de acordo com a SPTrans, e não à frota operante. Assim, números diferentes aos 15 mil, que aparecem nos relatórios são referentes às adequações das empresas, que ao longo da operação realizam compras e vendas de veículos, em processos de renovação.
Assim, de acordo com a SPTrans, a frota atende às variações do número de passageiros que aumenta ou diminui de acordo com cada mês.
A empresa usou como exemplo o mês de agosto deste ano e o mesmo mês do ano passado.
Neste mês de agosto, os ônibus em São Paulo transportaram 260 milhões 860 mil e 248 passageiros. Já em agosto do ano passado, foram atendidos 268 milhões 12 mil e 40 passageiros. A inauguração de novas estações de metrô foi um dos motivos apontados pela SPTrans para a diminuição no número de passageiros dos ônibus.
Ainda segundo a gestora, aumento de frota sem reorganização de linhas pode sobrecarregar o sistema de transportes sem trazer benefícios.
PREFEITURA PODE TIRAR TÁXIS DOS CORREDORES DE ÔNIBUS:
A Prefeitura de São Paulo não descarta a possibilidade de proibir a circulação de táxis e limitar os ônibus intermunicipais, gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, nos corredores exclusivos da cidade, que ficam à esquerda do tráfego. Nas faixas, que ficam à direita, os táxis já não podem circular, mas os intermunicipais são permitidos. Também são permitidos os ônibus de fretamento somente nas faixas da Marginal do Rio Pinheiros e da Marginal do Rio Tietê, desde que não realizem embarques e desembarques.
Estudo da SPTrans de 2011 mostra que a entrada e saída dos táxis nos corredores são interferências que diminuem a velocidade dos ônibus, reduzindo a eficiência dos transportes coletivos.
Segundo o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, hoje a média de velocidade nos corredores em São Paulo é de 14 quilômetros por hora, índice que considera baixo.
Essa velocidade seria um dos motivos para a demora dos ônibus e lotação nos pontos e nos veículos.
O tempo dos semáforos em cruzamentos, que não priorizam a passagem dos ônibus, também é outro fator a ser estudado para dar mais eficiência aos corredores exclusivos.
A SPTrans também quer diminuir a quantidade de linhas de ônibus municipais de corredores. Segundo a gestora, algumas linhas subaproveitam os corredores de ônibus, percorrendo pequenos trechos dos espaços.
Outra medida polêmica que é estudada pela prefeitura é a diminuição de linhas de ônibus intermunicipais, gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos nos corredores de ônibus.
A saída destes ônibus dos corredores poderia aumentar a velocidade dos serviços municipais, mas deixaria mais demorada a viagem de pessoas que vem de cidades vizinhas.
O secretário de transportes, Jilmar Tatto, em entrevista coletiva não mencionou dois pontos: os ônibus municipais que usam corredores intermunicipais e a qualificação dos atuais corredores.
Tatto criticou os ônibus intermunicipais que circulam nos corredores da Prefeitura.
Mas o Corredor Diadema – Estação Berrini, na zona Sul, para o transporte intermunicipal, hoje recebe ônibus municipais que, a exemplo dos táxis, entram e saem do espaço dedicado ao Sistema Metra de Transportes, do serviço Corredor ABD.
A movimentação dos ônibus municipais reduziria a velocidade dos veículos do sistema Metra, de acordo com a operadora metropolitana.
Além de medidas como a restrição de outros veículos nos corredores municipais já existentes, são apontadas como essenciais obras de qualificação, como criação de mais pontos de ultrapassagem, para evitar longas filas nas paradas, e a implantação de estações que permitem o pré-embarque, que é a possibilidade de pagar a passagem antes da chegada dos ônibus, o que diminuiria a demora nas paradas, influenciando no aumento da velocidade operacional.
VIAS DO CENTRO DEVEM TER VELOCIDADE REDUZIDA PARA 40 QUILÔMETROS POR HORA:
As ruas e avenidas do centro histórico de São Paulo devem ter velocidade máxima permitida de 40 quilômetros por hora.
A redução deve ser imposta depois de concluído o conjunto de corredores de ônibus que vão circundar a região central, como Avenida Ipiranga, Avenida São Luís, Avenida Rangel Pestana, Avenida Mercúrio e Avenida Senador Queirós.
Nestas vias delimitadoras, a velocidade permitida deve ser entre 50 quilômetros por hora e 60 quilômetros por hora. As ruas e avenidas compreendidas entre este círculo de vias é que devem ter velocidade restrita a 40 quilômetros por hora.
Para o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, o objetivo da redução é aumentar a segurança de ciclistas e pedestres no centro da cidade.
SÃO PAULO TERÁ MAIS RADARES:
O número de radares também deve ser ampliado na cidade de São Paulo.
A colocação de mais equipamentos deve ser feita por aditivos contratuais para a contratação das empresas que vão instalar os radares.
Velocidade nas vias, rodízio e invasão de faixas de ônibus serão as principais infrações que devem ser flagradas pelos equipamentos.
A cidade deve ter também 200 radares específicos para detectar desrespeito aos espaços dos ônibus nas faixas exclusivas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes