50 anos de trólebus em Santos

ônibus

Trólebus Italiano chegando a Santos, no Brasil. Sistema do Litoral Paulista completa 50 anos. Foto: Trólebus Brasileiros

Com frota reduzida, trólebus em Santos completam 50 anos
Hoje é o menor sistema de ônibus elétricos dos três que existem no Brasil
ADAMO BAZANI – CBN
Hoje não tem mais desculpa para uma cidade deixar de investir em sistemas de trólebus.
Presente em diversas regiões no mundo, o trólebus se modernizou. Os veículos possuem alavancas pneumáticas que diminuem a possibilidade de elas se soltarem da rede aérea, baterias armazenadoras que dão autonomia aos trólebus em caso de falta de energia elétrica, têm nível de nacionalização das peças que os deixam mais baratos tanto na aquisição como na manutenção e podem operar com sistemas de correntes elétricas mais avançados.
Mesmo assim, não há investimentos neste tipo de transporte limpo e de fácil implantação.
Os atuais sistemas são o de São Paulo, que deveria ser melhor operado segundo ranking da SPTrans ( ver no link: http://blogpontodeonibus.wordpress.com/2013/08/12/servicos-de-onibus-pioraram-em-sao-paulo-diz-iqt-da-sptrans/ ), do Corredor ABD, servindo o ABC Paulista e que teve avaliação superior à do Metrô, e o menor de todos, o de Santos, no Litoral, com apenas seis veículos na linha 20.
E este sistema completa hoje, 12 de agosto, 50 anos.
Os primeiros veículos eram da Itália e chegaram de Navio. O chassi dos trólebus era da Fiat, com carroceria Marelli e equipamentos elétricos Pistoiesi.
O início das operações foi com cinco veículos, mas em 1976 já havia 50 trólebus prestando serviços pelo SMTC – Serviço Municipal de Transportes Coletivos, quando a rede aérea chegou a 76 quilômetros.
Cheia de dívidas, o SMTC foi extinto e os serviços assumidos pela CSTC – Companhia Santista de Transportes Coletivos.
Mas com a política nacionalista de incentivo às montadoras de veículos instaladas no País, a importação de peças para estes trólebus se tornava cada vez mais difícil.
Em 1979, apenas 25 ônibus elétricos operavam pela CSTC.
Não era mais possível adquirir trólebus com facilidade. Importar era caro e o Brasil ainda não tinha escala deste tipo de veículo.
Uma das grandes responsáveis pelos trólebus não desaparecerem do País foi a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, da Capital Paulista, que em 1978, com o Plano Sistran, desenvolveu novas tecnologias e sistemas. Mas depois do fim do mandato de Olavo Setúbal na prefeitura de São Paulo, o plano foi lentamente descontinuado.

ônibus

Apenas seis unidades operam no sistema do Litoral. Veículos estão mais modernos e a indústria brasileira provou que pode fabricar trólebus de qualidade reconhecida até no exterior, mas faltam políticas públicas para este tipo de transporte que se modernizou. Foto: Trólebus Brasileiros

Em 1980 a CSTC de Santos começou a reformar os trólebus italianos, aumentando o número de peças nacionais, quando era possível. Em 1982, a companhia chegou a montar dois trólebus em sua garagem com equipamento da Villares, carroceria Marcopolo e chassi Scania.
Compra de veículos novos só mesmo em 1988, quando foram adquiridas seis unidades de chassi/carroceria Mafersa com equipamento da Villares.
A rede foi diminuindo com a falta de interesse em investimentos, mesmo com os trólebus durando três vezes mais que um ônibus comum, tendo um bom custo operacional e não emitindo nenhum poluente em sua operação.
No final dos anos de 1990, a CSTC vira apenas gerenciadora do sistema até ser extinta em 2006.
Hoje apenas os seis últimos trólebus operam pela Viação Piracicabana na linha 20 Circular, que liga o Gonzaga ao Centro Histórico. Os Mafersa foram reformados e hoje possuem equipamentos da Eletra.
Santos é mais um exemplo de que o transporte coletivo limpo nunca recebeu a devida atenção do poder público, com exceções de algumas gestões.
Atualmente, a indústria oferece tecnologias que poluem menos, como ônibus híbridos e com diesel mais limpo. Mas certamente, se o sistema de trólebus em todo o país não fosse descontinuado, pela demanda e escala, hoje os ônibus elétricos seriam bem mais modernos e o Brasil não precisaria correr “atrás do prejuízo” da falta de mobilidade e do excesso de poluição.
O Corredor ABD, operado pela Metra, é um exemplo de que o trólebus é um veículo atual e o sistema que dá certo no País. A Eletra, empresa brasileira de tração limpa para ônibus,m chega até exportar soluções. Basta que o transporte público receba prioridade.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

6 comentários em 50 anos de trólebus em Santos

  1. Já Já! A @rstnoar vai comparar o tempo gasto pelo carro e uma linha de ônibus no Corredor Norte-Sul http://migre.me/fIUV7

  2. Foi na gestão da Marta Suplicy e Jilmar Tatto, que os trólebus em São Paulo, quase que desapareceram. Sou Cobrador de trólebeus e me orgulho disso.

  3. Boa tarde Ádamo,

    Apenas uma pequena retificação. A CSTC realmente montou dois trólebus no início dos anos 80 (mais precisamente 1982 com equipamentos sobressalentes dos antigos Fiat e chassis Scania/Santa Matilde).

    Entretanto, também nesta época houve a aquisição de novos veículos, sendo 1 Marcopolo com carroceria similar ao Nimbus Haragano chassis Scania, tração e parte elétrica Inepar/Ansaldo (protótipo adquirido em 1979) e outros 6 ou 10 (não tenho a quantidade exata) Marcopolos San Remo Scania, com tração e parte elétrica Brown Boveri/Ansaldo, similares aos de Araraquara, adquiridos em 1983.

    Abraço.

  4. Amigos, boa noite.

    Linda foto do Buzão elétrico no navio.

    Parabéns ao autor.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção essa é a nossa Paixão!

  5. Hello, I am an Italian trolleybus enthusiast. i am in search of pictures of prototype 600 and other trolleybuses with Ansaldo control. Someone can help me? Thanks

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: