Eleição do Sindicato dos Motoristas adiada mais uma vez. Agora vai ter urna eletrônica

Publicado em: 24 de julho de 2013

ônibus

Eleição do Sindicato dos Motoristas de ônibus de São Paulo é adiada mais uma vez. Disputa eleitoral foi sentida na pele pela população com paralisação de terminais. Denúncias de corrupção e homicídios envolvem entidade. Foto Uol

Eleição no Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo é adiada mais uma vez
Decisão foi tomada depois de audiência no Tribunal Regional do Trabalho. Eleição terá urnas eletrônicas
ADAMO BAZANI – CBN
A conturbada eleição do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo, Sindmotoristas, entidade que movimenta altos recursos e pode ter relação com o assassinato de ao menos 16 pessoas por corrupção e disputa de poder, ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira, dia 24 de julho.
O pleito foi adiado pela segunda vez e deve ser realizado nos dias 29 e 30 de agosto.
A decisão desta vez foi pacífica e foi tomada em conjunto pela chapa de situação, liderada pelo atual presidente Isao Hosogi, o Jorginho, à frente da entidade desde 2004 e que tenta mais um mandado, e a chapa de oposição, cujo candidato é José Valdevan de Jesus Santos, Valdevan Noventa e o secretário de finanças é Edivaldo Santiago, sindicalista antigo no setor e que é considerado o verdadeiro cabeça da oposição.
O acordo ocorreu em reunião mediada pelo Tribunal Regional Eleitoral.
As eleições vão ser realizadas com urnas eletrônicas.
A votação deveria ocorrer nos dias 10 e 11 de julho. Mas a população sentiu na pele a disputa pelo poder da entidade que além de movimentar muito dinheiro com contribuições diretas, também possui diversos contratos com suspeitas de desvios de verbas atribuídas tanto a membros da oposição como da situação.
No dia 10, dezesseis terminais de ônibus da Capital Paulista foram fechados pela oposição na parte da manhã. Cerca de 400 linhas de ônibus foram afetadas prejudicando 750 mil passageiros. Na parte da noite, a sede do sindicato, na Rua Pirapitingui, região do bairro da Liberdade, virou uma praça de guerra durante a retirada das urnas. Houve tiroteio, bombas e agressões que resultaram em dez feridos.
As eleições que poderiam ocorrer entre estes dias 25 e 26 de julho também poderiam ser marcadas pela insegurança.
DENÚNCIAS ATINGEM OS DOIS LADOS DO SINDICATO:
Presidente do Sindicato desde 2004, Isao Hosogi, o Jorginho, é acusado pelos adversários de desviar R$ 500 mil por mês de contratos de planos de saúde, compras de cestas básicas e convênios com farmácias, mercados e outros estabelecimentos. Assassinatos de sindicalistas e de motoristas nas portas das garagens foram atribuídos a esta denúncia.
Jorginho teria, segundo a oposição, uma casa de alto padrão em Itanhaém e outra em Ilha Bela, no Litoral de São Paulo, além de um patrimônio de R$ 16 milhões.
Já a situação acusa os oposicionistas de diversas irregularidades e envolvimento em vários crimes.
Um dos “cabeças” de chapa de oposição, “Valdevan Noventa” há cerca de cinco meses, antes de romper com Jorginho, era diretor justamente de finanças do sindicato.
Ele foi investigado por suspeita de “lavar” dinheiro do tráfico de drogas da favela do “Paraisópolis” em lotações da cidade de Taboão da Serra.
O vice dele, Edivaldo Santiago, que esteve à frente de uma das maiores greves de ônibus da cidade de São Paulo, era parceiro de Jorginho. Ele também é suspeito de enriquecimento ilícito.
Há ainda poucas investigações sobre a atuação de sindicalistas.
Também há suspeitas de relacionamentos irregulares, onde o dinheiro fala alto, entre o Sindicato e funcionários de diversos escalões da SPTrans, da Secretaria Municipal de Transportes e até de empresas de ônibus.
A “caixinha” de R$ 5 mil para pretendentes a vagas em diversas funções na Via Sul Transportes, envolvendo membros do sindicato, nunca foi levada a sério pelas autoridades responsáveis por investigações.
Nos últimos dois anos, há registros de pelo menos 19 mortes com suspeitas de envolvimento direto em questões do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus.
Pelo imposto sindical, a receita é de R$ 1,4 bilhão.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Comentários

  1. Pedro disse:

    O mais triste e saber que qualquer chapa que vença, todos perdem, funcionários, população, agora pergunto qual o motivo desta omissão por parte da prefeitura em relação a tudo isso que ocorre, será rabo preso?

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