Cresce a importância das cooperativas de ônibus em São Paulo

cooperativas

Ônibus de cooperativas transportam em média mais pessoas por veículo que os carros das empresas. Números mostram aspectos positivos, como preferência pelas cooperativas, e negativos, como diminuição da frota disponível no sistema local.

Cresce importância das cooperativas nos transportes da Capital Paulista
Média de passageiros transportados por veículos aumentou, mas número de micro-ônibus diminuiu, assim como remuneração por pessoas atendidas também é menor para as cooperativas
ADAMO BAZANI – CBN
Nos últimos dez anos, a importância das cooperativas de transportes de passageiros em São Paulo aumentou, de acordo com dados da SPTrans – São Paulo Transportes, gerenciadora do sistema da Capital Paulista.
Segundo o órgão gestor, no ano de 2012, em média por veículo, as cooperativas transportaram mais pessoas que os ônibus das empresas do sistema de concessão, conforme revelou reportagem dos colegas Fabiana Cambricoli e Rafael Italiani no jornal Agora São Paulo, e que o Blog Ponto de Ônibus/Canal do Ônibus tomou a liberdade para acrescentar mais dados, outros números e outros contextos relacionados aos levantamentos da SPTrans e dos colegas.
Em 2012, a frota de cooperativas transportou 211 mil 754 passageiros por veículo enquanto as empresas de ônibus transportaram em média 183 mil 156 passageiros por carro.
Em números absolutos, no entanto, as companhias ainda atendem mais pessoas. Dos 2 bilhões 916 milhões 954 mil 960 atendimentos no ano passado, 1 bilhão 647 milhões 064 mil 166 foram por parte das viações no sistema estrutural e 1 bilhão 269 milhões 890 mil 794 foram atendimentos no sistema local, das cooperativas.
Vale ressaltar que os números não podem ser analisados isoladamente. Isso porque, na maior parte das vezes, quem usa os serviços das cooperativas também usa na mesma viagem os ônibus das empresas, já que o objetivo principal do sistema local é levar as pessoas até as linhas de ônibus maiores, corredores de ônibus, estações de trens da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e estações do Metrô.
No entanto, apesar de ganhar importância nos serviços da Capital Paulista, as cooperativas recebem por passageiro, remuneração bem menor que das empresas de ônibus. Em média, o sistema de permissão (cooperativas) ganha R$ 1,41 por passageiro enquanto o sistema de concessão (empresas) recebe R$ 2,40, em média também.
A SPTrans justifica a diferença alegando que os custos das empresas são maiores e que as viações têm encargos, inclusive trabalhistas, que as cooperativas não possuem.
Para a SPTrans, o tipo de veículo operado pelas cooperativas, geralmente ônibus de pequeno porte e as linhas menores resultam em gastos menores em comparação às viações.
MAS O QUE EXPLICA ESSE CRESCIMENTO NO NÚMERO DE PASSAGEIROS TRANSPORTADOS POR VEÍCULO DAS COOPERATIVAS?
Existem fatos positivos e negativos que em geral são:
1) Muitas pessoas optam pela agilidade e flexibilidade que os ônibus de pequeno porte possuem (FATO POSITIVO)
2) O número de veículos e cooperativas de 2003 para 2012 caiu de 8 mil 7911 micro-ônibus para 5 mil 997 carros. Isso significa aumento da lotação em cada carro e diminuição do conforto, já que menos veículos estão transportando mais pessoas. (FATO NEGATIVO)
3) O porte dos veículos de cooperativas tem aumentado. Algumas possuem ônibus convencionais que podem atender 75 pessoas (FATO POSITIVO)
4) A extinção de muitas linhas de ônibus de longa distância que ligavam extremos de periferias até a região central (O LADO POSITIVO OU O LADO NEGATIVO DEPENDE DE CADA CASO. Por causa do trânsito, linhas muito longas hoje não são consideradas mais soluções de mobilidade. Entretanto, muitas destas linhas não foram cobertas pelas integrações entre cooperativas e empresas de ônibus e algumas poderiam continuar existindo).
5) Concentração dos serviços nas mãos de poucas cooperativas. Algumas delas possuem mais de uma garagem e frota muito superior a muita empresa. (SE É POSITIVO OU NEGATIVO, DEPENDE DE CADA CASO. Ao mesmo tempo que a concentração pode tirar o caráter de cooperativismo com donos de vários veículos numa mesma cooperativa, elas ganham estrutura operacional, de frota e de garagem semelhante à das viações.
6) Número de viagens: com uma reestruturação dos serviços em 2009, as linhas de cooperativas (com exceções, é claro) tendem a ser mais curtas. Assim, os veículos conseguem fazer mais viagens e transportar mais pessoas (FATO POSITIVO, pois este deve ser o papel de fato de um sistema local).
7) Informalização. Estima-se que quase 20 mil pessoas que atuam em cooperativas atual de maneira informal, sem direitos trabalhistas (FATO NEGATIVO CUJA SITUAÇÃO PRECISA SER REVERTIDA)

OS NÚMEROS:

Desde 2009, a média de passageiros transportado por veículo pelas cooperativas é maior que os atendimentos por ônibus das empresas. Mas desde 2003, quando o sistema foi legalizado pelo secretário de transportes Jilmar Tatto na gestão da prefeita Marta Suplicy, a frota das cooperativas vem caindo quase todos os anos. Hoje, na gestão de Fernando Haddad, Jilmar Tatto é novamente titular da pasta. Sua relação com as cooperativas sempre foi muito próxima.

2003 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 791
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 6 mil 502
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 110 mil 859
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 34 mil 910

2004 –

NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 591
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 6 mil 477
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 132 mil 104
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 83 mil 776

2005 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 397
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 5 mil 993
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 184 mil 715
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 160 mil 940

2006 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 356
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 6 mil 405
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 187 mil 828
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 170 mil 431

2007 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 539
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 6 mil 372
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 186 mil 258
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 179 mil 144

2008 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 835
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 5 mil 880
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 196 mil 295
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 187 mil 345

2009 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 917
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 5 mil 979
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 191 mil 643
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 193 mil 031

2010 –

NÚMERO DE ÔNIBUS: 9 mil
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 6 mil 003
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 190 mil 330
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 200 mil 391

2011 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 900
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 6 mil 008
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 192 mil 145
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 204 mil 852

2012 –
NÚMERO DE ÔNIBUS: 8 mil 975
NÚMERO DE “LOTAÇÕES”: 5 mil 997
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS: 183 mil 517
MÉDIA DE PASSAGEIROS POR “LOTAÇÕES”: 211 mil 754

O RAIO X DA FROTA DE 2012:
O número mostra um crescimento no número de veículos de maior porte nas cooperativas.

MICRO-ÔNIBUS (Capacidade para 21 passageiros)
Empresas de Ônibus: 28 veículos
Cooperativas de Transportes: 02 veículos

MINIÔNIBUS (Capacidade para 40 passageiros):
Empresas de Ônibus: nenhum
Cooperativas de Transportes: 3 mil 988 veículos

MIDIÔNIBUS – MICRÃO (Capacidade para 53 passageiros)
Empresas de Ônibus: 25 veículos
Cooperativas de Transportes: 1 mil 106 veículos

ÔNIBUS BÁSICO (Capacidade para 75 passageiros)
Empresas de Ônibus: 3 mil 389 veículos
Cooperativas de Transportes: 891 veículos

ÔNIBUS PADRON (Capacidade entre 83 passageiros e 110 passageiros – no caso de veículos de 15 metros)
Empresas de Ônibus: 3 mil 774 veículos
Cooperativas de Transportes: nenhum

ÔNIBUS PADRON ELÉTRICO HÍBRIDO (Capacidade para 90 passageiros)
Empresas de Ônibus: 13 veículos
Cooperativas de Transportes: nenhum

ÔNIBUS ELÉTRICOS COM FIAÇÃO DE REDE AÉREA – TRÓLEBUS (Capacidade para 88 passageiros e 110 passageiros no caso dos veículos de 15 metros):
Empresas de Ônibus: 190 veículos
Cooperativas de Transportes: nenhum

ÔNIBUS ARTICULADOS (Capacidade para 120 e 170 passageiros)
Empresas de Ônibus: 1 mil 315 veículos
Cooperativas de Transportes: nenhum

ÔNIBUS BIARTICULADOS (Capacidade entre 190 e 270 passageiros)
Empresas de Ônibus: 259 veículos
Cooperativas de Transportes: nenhum

Vale ressaltar que o número de veículos pode variar de acordo com as renovações e frota e a capacidade de cada tipo de ônibus também varia de acordo com a configuração interna
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Esses Profissionais das Cooperatvivas não têm cesta básica, vale-refeição, registro em carteira, convênio médico, etc. Outra coisa, pois Eu vejo e troco idéia com alguns desses companheiros, eles são EXPLORADOS e ESCRAVISADOS. Issi, aquele FDP do C… Jilmar Tatto, não vê. Nas periferías, os microônibus extremamentes LOTADOS, são desconfortáveis, tanto para os Passageiros, como para o Cobrador que trabalha em pé. Quando o Motorista trabalha sozinho, ele é xingado e desrespeitado pelo usuário, devido a demora pela dupla função. Os Motoristas de Empresas de ônibus e de cooperativas não se respeitam, não se toleram, devido a falta de uma fiscalização digna e a falta de incentivo, tanto das empresas, quanto as cooperativas, e principalmente, a São Paulo Transporte – SPTrans. E Eu posso dizer isso, pois vejo isso todos os dias, pois, além de Busólogo, sou Cobrador de Trólebus, veículo muito DISCRIMINADO e por muitas vezes fechado pelos colegas citados. Aproveitando a DEIXA, Adamo, as Pessoas da Cidade Tiradentes e São Mateus pedem SOCORRO. Fora, Novo Horizonte. Muito Obrigado.

  2. Luizinho disse:

    A questão é que eles não respeitam o direito de conforto (se é que existe) dos passageiros, pq pensam e a lotação, o micrão ou o ônibus é como um coração de mãe: sem cabe mais um! muitos passageiros passam raiva com cooperativas, não quero generalizar mas a maioria o serviço é muito ruim. Bom e uso frequentemente a linha 5752 que liga a Vl Missionária ao Conceição, que antes era operada pela Viação Metropolitana e desde 2011, e infelizmente, pela Cooperlider, sendo que antes era uma frota composta por ônibus, e agora é mista de ônibus no total de 6 e os demais são midiônibus, ou seja, micrão. o serviço prestado comparado com a VIM é de deixar a desejar, sem contar que uma linha que rodava até um Caio Millennium agora majoritariamente rodando os nanicos Svelto midi (lentos por causa do fraco motor e desconfortáveis devido aos vários solavancos) motoristas socam gente até não poder mais, enrolam bastante durante o trajeto, prejudicando o tempo do passageiro. A viagem entre os bairros em velocidade normal, dura em torno de 40 minutos, sempre foi assim com a antiga Paratodos, mas agora com essa cooperativa o tempo varia muito, de costume deles é fazer o trajeto em torno de 1 hora! É um absurdo – Claro que esse é apenas um de muitos exemplos dos maus serviços das cooperativas.

  3. Jussara disse:

    Falar do tráfico de drogas e lavagem de dinheiro nada, né… Cooperativa em SP é só uma forma de poder paralelo.

    1. ler matérias anteriores sobre o tema aqui mesmo no Blog, por favor

      1. Jussara disse:

        linkar as matérias anteriores aqui neste mesmo artigo, por favor

        jornalistas precisam se adatptar à dinâmica dos blogs… assim você perde chance de divulgar seus próprios conteúdos :)

      2. Boa sugestão. Obrigado.
        Mas enquanto nos adaptamos, usar o motor de busca

  4. David disse:

    Mas é obvio que o n° de passageiros transportados por estas cooperativas crescem, eles tem praticamente o monopólio do transporte nas periferias, fazendo do passageiro refém de suas mazelas com a prefeitura e SPTrans passando a mão na cabeça dos mesmos.

    Apenas repetindo algumas das mazelas que as cooperativas aprontam:

    -Motoristas e cobradores mal trajados e sem identificação.
    -Total falta de postura profissional principalmente dos motoristas, tanto na apresentação quanto na linguagem obcena, além de falarem (alguns constantemente) no celular enquanto dirigem, já presenciei algumas vezes o absurdo de alguns motoristas colocarem a cabeça para fora do veículo para mexer com mulheres, sendo que um deles quase perdeu o controle do veículo em uma curva e em outra ocasião outro motorista parou o carro fora do ponto, abriu a porta dianteira e ficou assediando uma adolescente.
    -A rendição é feita no meio da rua durante o percurso, óbvio que alguns aproveitam para bater um papinho atrasando a viagem.
    -É muito comum, principalmente na linha Unisa Campos 1 X Term. Sto Amaro nas ruas estreitas do trajeto eles emparelharem dois ônibus e ficarem batendo papo interrompendo completamente o trânsito.
    -Imprudência, excessos de velocidade, avanço de sinal vermelho e manobras arriscadas.
    -Não parar em alguns pontos para embarque, principalmente nos últimos horários.
    -O fato de alguns motoristas “privilegiados” não cumprirem a quantidade de viagens e recolherem seus ônibus para a garagem a bel prazer deixando a linha desfalcada, acarretando atrasos e saturando os poucos motoristas/cobradores sérios com jornadas que passam das 12 horas.

  5. Afonso disse:

    Adamo, vale lembrar que pelo valor que é repassado para as Cooperativas fica impossivel trabalharmos na formalidade, com excessão dos tributos trabalhistas, o que não é real, porque quando um funcionário faz uma reclamação trabalhista, pagamos os seus direitos e até o que não é de direito, do restante temos as mesmas despesas que uma Empresa, nem por isso deixamos de operar com respeito, haja visto que, carregamos em media mais passageiros porque nossos veículos rodam o dia inteiro, e as Empresas recolhem seus veículos fora do horario de pico, logicamente nossos veiculos permanecem o tempo integral em suas linhas, essa é uma das diferenças de nossos destaque. Se realmente recebermos uma tarifa mais justa com certeza prestaremos um serviços de muito mais qualidade.
    Abraços,

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