Sindicato dos Motoristas de Ônibus quer Polícia nas eleições

ônibus

Por causa de briga sindical, já houve assassinatos, tiroteio, tumultos e terminais fechados. Entidade movimenta muito dinheiro. Foto: Uol

Sindicato dos Motoristas de SP quer acompanhamento da Polícia nas Eleições
Jorginho em entrevista coletiva confirma que representação sindical é cercada de violência
ADAMO BAZANI – CBN
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo – Sindmotoristas- vai enviar ofícios para a Polícia Militar, Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Secretaria Municipal dos Transportes, Ministério da Justiça e para o gabinete do Governador Geraldo Alckmin para que as eleições previstas para os dias 25 e 26 de julho sejam acompanhadas por forças de segurança.
Por causa das eleições, que deveriam ocorrer nos dias 10 e 11 de julho, o passageiro e os trabalhadores sofreram.
Na manhã do dia 10, a ala de oposição fechou 16 terminais de ônibus afetando 500 linhas e 750 passageiros.
À noite, a sede do sindicato, na Liberdade, região central de São Paulo, virou uma verdadeira Praça de Guerra, com bombas, tiros e pancadaria.
O atual presidente do Sindimotoristas Isao Hosogi, o Jorginho, confirmou em entrevista pela manhã desta sexta-feira que as disputas sindicais são violentas. Ele contabilizou nos últimos anos, cerca de 20 assassinatos de diretores.
Jorginho é presidente da entidade desde 2004. Ele também quer o acompanhamento da imprensa e do Ministério Público Estadual no processo de eleições.

BRIGA SINDICAL ENVOLVE MILHÕES DE REAIS:

Definitivamente a briga pelo controle do Sindimotoristas – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo não tem como principais motivos questões ideológicas ou a sede pela representatividade de uma categoria.
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus em São Paulo movimenta por ano milhões de recursos.
Mas reportagem do jornal O Estado de São Paulo relembra uma série de denúncias sobre movimentações ilegais de muito dinheiro por parte da atual diretoria do Sindicato e da ala de oposição.
Presidente do Sindicato desde 2004, Isao Hosogi, o Jorginho, é acusado pelos adversários de desviar R$ 500 mil por mês de contratos de planos de saúde, compras de cestas básicas e convênios com farmácias, mercados e outros estabelecimentos. Assassinatos de sindicalistas e de motoristas nas portas das garagens foram atribuídos a esta denúncia.
Jorginho teria, segundo a oposição, uma casa de alto padrão em Itanhaém e outra em Ilha Bela, no Litoral de São Paulo, além de um patrimônio de R$ 16 milhões.
Já a situação acusa os oposicionistas de diversas irregularidades e envolvimento em vários crimes.
Um dos “cabeças” de chapa de oposição, “Valdevan Noventa” há cerca de cinco meses, antes de romper com Jorginho, era diretor justamente de finanças do sindicato.
Ele foi investigado por suspeita de “lavar” dinheiro do tráfico de drogas da favela do “Paraisópolis” em lotações da cidade de Taboão da Serra.
O vice dele, Edivaldo Santiago, que esteve à frente de uma das maiores greves de ônibus da cidade de São Paulo, era parceiro de Jorginho. Ele também é suspeito de enriquecimento ilícito.
Há ainda poucas investigações sobre a atuação de sindicalistas.
Também há suspeitas de relacionamentos irregulares, onde o dinheiro fala alto, entre o Sindicato e funcionários de diversos escalões da SPTrans, da Secretaria Municipal de Transportes e até de empresas de ônibus.
A “caixinha” de R$ 5 mil para pretendentes a vagas em diversas funções na Via Sul Transportes, envolvendo membros do sindicato, nunca foi levada a sério pelas autoridades responsáveis por investigações.
Nos últimos dois anos, há registros de pelo menos 19 mortes com suspeitas de envolvimento direto em questões do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus.
Pelo imposto sindical, a receita é de R$ 1,4 bilhão.
Nos últimos dois dias, o Sindmotoristas (oposição e situaçção) protagonizou cenas lamentáveis.
Na noite desta quarta-feira, a retirada de urnas na sede da entidade, na Liberdade, região central de São Paulo, foi marcada por tiroteio, bombas e muita agressão.
Na manhã do mesmo dia, a briga sindical prejudicou os passageiros. A ala de oposição fechou 16 terminais de ônibus, prejudicou cerca de 500 linhas e 750 mil passageiros.
Todas estas cenas, podem esconder uma verdadeira indústria que movimenta mais dinheiro do que muitas empresas que não gozam dos privilégios fiscais concedidos aos sindicatos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: