TRANSPÚBLICO 2013: Alto Padrão em Alta

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Neobus com o modelo New Road N 10 comemora o crescimento numa faixa de mercado promissora: a de ônibus de alto padrão. Modelo foi lançado em 29 de novembro do ano passado: mais de 200 unidades foram vendidas e para este ano serão ao menos mais 300. Mercado exterior também é meta. Foto: Adamo Bazani

TRANSPÚBLICO 2013: Alto Padrão em Alta
Neobus e Irizar planejam crescimento. Comil comemora vendas de Campinione LD e Campinone DD e Marcopolo lidera com Geração Sete. No Brasil, Irizar vai desenvolver urbano monobloco elétrico
ADAMO BAZANI – CBN
O Brasil vive realidades de transportes diferentes.
Na questão da mobilidade urbana, mesmo com toda a propaganda do Governo Federal sobre PACs e outros investimentos, pouco a comemorar: 2 mil novas composições de trens e 1500 quilômetros de corredores de ônibus para os próximos anos não podem ser desprezados, mas convenhamos, só foram planejados porque o Brasil foi escolhido para sediar Copa e Olimpíadas e serão insuficientes para as dimensões e necessidades do País.
Tanto é que as indústrias continuam a investir em ônibus de motor dianteiro (mais qualificados, é verdade) e micro-ônibus (não só para alimentadores de BRT, mas para continuarem servindo em bairros sem estrutura e que, mesmo populosos, não oferecem trafegabilidade para um ônibus convencional).
O setor de fretamento, com novas obras e perspectiva de crescimento de alguns setores (por enquanto a economia brasileira ainda está freada e com inflação) também faz com que as indústrias se mobilizem. No ano passado, a Marcopolo lançou o Audacce, neste ano a Caio reformulou o Solar e na Transpublico 2013, feira de transportes e mobilidade que terminou ontem no Transamerica Expo, na zona Sul de São Paulo, um dos pontos altos foi o lançamento do Versatile God (TODOS OS DETALHES DESTES ASSUNTOS VOCÊ CONFERE EM PUBLICAÇÕES ANTERIORES AQUI NESTA MESMA PÁGINA DA INTERNET).
Outro segmento, no entanto, que faz as empresas fabricantes apostarem é o de ônibus de alto padrão. Em números absolutos, a quantidade destes veículos parece ser pequena, mas eles têm alto valor agregado. Um topo de linha pode variar entre R$ 750 mil a R$ 1,2 milhão. No País, as concorrências que as empresas de ônibus de longa distância sofrem fazem com que elas pensem em transportes mais qualificados, o que exige não só ônibus mais novos, porém mais modernos, mais confortáveis e com design mais requintado. O passageiro pode não saber de cor e salteado o nome dos modelos, mas tem sendo de estética e sabe diferenciar um modelo novo e bonito até mesmo de um novo que não passa a sensação de modernidade.
E a concorrência vem de cima e de baixo. Hoje empresas de ônibus de média e longa distância disputam entre elas (um concorrência que ainda não é tão forte pela concentração de mercado e certos acordos entre algumas, é verdade), disputam contra o avião (que não possui no Brasil um bom serviço, mas tem em alguns horários e promoções tarifas competitivas, além de o tempo de viagem ser muito menor) e contra um antigo vilão, do qual as ações de combate do poder público são ainda ineficazes, que é transporte clandestino (os ônibus são velhos, não possuem segurança, o passageiro não têm respaldo legal, mas por não pagarem impostos e investirem, as tarifas são mais baixas).
Assim, o material rodante (ônibus) é um dos trunfos das empresas de ônibus, além claro, de outros fatores, como melhor atendimento operacional, SACs – Serviços de Atendimento ao Cliente, vendas de passagens pela internet, ônibus com acesso a internet grátis, serviço de bordo, entre outras ofertas que há uma década não eram sequer imaginadas em ônibus rodoviários.
Mas para a indústria, a venda de ônibus de alto padrão não se limita ao mercado interno (que está às voltas de uma licitação dos serviços pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que deveria sair em 2008, mas o desentendimento entre empresas e Governo Federal é grande). Outros países, em especial os latino-americanos têm serviços com ônibus DD – Double Decker (de dois andares) ou de luxo com um andar, muito presentes na rotina dos transportes rodoviários. E estes mercados também são foco da indústria brasileira.
A Neobus é uma das empresas que comemora o sucesso prematuro do New Road N 10, o primeiro veículo de alto padrão rodoviário da fabricante de carrocerias. Antes a empresa só produzia o Neobus Spectrum Road.
O ônibus foi lançado oficialmente em 29 de novembro do ano passado e já tem duzentas unidades vendidas para cerca de 30 empresas brasileiras. O New Road N 10 também conquista o mercado exterior. A Neobus destacou a venda de uma só vez de trinta unidades para a empresa COAT, do Uruguai.
Há duas versões: New Road 360 e New Road 380, com inovações como estepe numa “gaveta” na parte anterior do ônibus, o que facilita a troca de pneus, computador de bordo com tela sensível ao toque que passa em tempo real dados de operação do veículo para o motorista, inclusive de eventuais problemas, e para os passageiros, poltronas com mais ergonomia, iluminação gradual de Led e que muda até de cores, sistemas de TV e som individuais, entre outras características.
E a Neobus pretende aumentar sua participação no segmento neste ano.
“Projetamos para 2013 mais 300 unidades vendidas. O produto foi muito bem aceito e queremos manter um contato direto com as empresas que optarem pelo Neobus New Road N 10. Sempre depois da compra, entramos em contato após algumas semanas ou alguns meses com o cliente e queremos saber de sua opinião, suas sugestões, e o retorno tem sido muito positivo. A Neobus sempre foi uma inovadora, trouxemos para o mercado em primeiro lugar o micro-ônibus com maior capacidade, depois, viemos com o midi (micrão) que foi inédito no mercado e atende justamente às necessidades de locais que possuem maior demanda, mas que ainda não oferecem condições de tráfego para ônibus maiores. A primeira empresa a colocar ônibus de padrão para BRT (Bus Rapid Transit – sistema de transporte que conta com corredores exclusivos modernos) foi a Neobus com o Mega BRT, que já tem mais de 1500 unidades circulando pelo país, e com o New Road N 10 não inauguramos um novo segmento, mas trazemos novos conceitos para ele” – disse à reportagem o responsável pelo marketing da Neobus, Renato Miotto.
Outra empresa especializada em ônibus rodoviários é a Irizar.
A empresa projeta para este ano crescimento de vendas de 25%.
“Esperamos produzir 850 unidades este ano e comercializar cerca de mil ônibus, alguns a ser entregues para o início do próximo ano. E o carro-chefe da marca hoje é o I6, que representa 75% de nossas vendas” – disse à reportagem o Diretor-Geral da Irizar, Axier Etxezarreta Aiertza.
“O clamor da mobilidade não é só urbano. As pessoas querem ser melhor transportadas em suas viagens de médias e longas distâncias. Elas pegam tarifas nem sempre baratas e têm o direito do melhor. A Irizar está sempre atenda a estas necessidades de mercado. Hoje as empresas precisam rapidamente reagir à concorrência e às mudanças que a própria natureza do serviço impõe. E a indústria brasileira está preparada para este momento cada vez mais dinâmico” – disse à reportagem o gerente nacional de venda, João Paulo da Cunha Ranalli.
O Irizar i6 não é o modelo de mais alto padrão da empresa, ficando este posto ao cargo do Irizar PB. Ele se posiciona num nível de acabamento superior ao Century.
Mas o ônibus, dependendo da configuração, apresenta sofisticação e inovações estéticas e funcionais que o tornam competitivo ao segmento de rodoviários de luxo.
As poltronas são largas e a área de envidraçamento é uma das maiores da categoria, aumentando a visibilidade de motorista e de passageiros, inclusive para contemplarem atrações turísticas e belezas naturais, das quais o Brasil é rico, durante a viagem.
O isolamento do motor é maior, o que diminui o ruído interno. Mesma função atribuída ao porta-pacotes rígido. O ônibus segue os padrões de estrutura de carroceria europeus R 66.02, que conferem, segundo a empresa, mais segurança e resistência.
A Irizar também anunciou o centro de desenvolvimento de pesquisas aqui no Brasil. Mas o papel do departamento será mundial. Tanto é que o Brasil contribuirá para o desenvolvimento de um ônibus urbano, totalmente elétrico e monobloco – quando chassi, carroceria e motor formam um bloco só, sendo integrados desde a produção.
Mas os brasileiros não devem aguardar urbanos da espanhola Irizar tão cedo. Este projeto é para a Europa.
“A entrada da Irizar no segmento de urbanos vai depender do mercado. Antes vamos focar no crescimento e no aperfeiçoamento dos produtos rodoviários. Hoje não vemos mercado no Brasil, por enquanto, que já é atendido por muitas marcas e modelos” – disse à reportagem o gerente nacional de vendas da Irizar, João Paulo da Cunha Ranalli.
A Irizar lançou a nova identidade da marca, que, segundo a empresa, é um símbolo que não rompe com as características antigas do anterior, mas que remete a mais sofisticação e apelo ecológico, mostrando a evolução do ônibus, que hoje é menos poluente, e sua contribuição à redução de emissões de poluentes ao poder transportar número de passageiros equivalente a vários carros.

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Comil Campione DD, outro modelo de luxo no mercado, faz a encarroçadora se animar com o aumento da participação no segmento de alto padrão tanto no Brasil como no exterior. Foto: Adamo Bazani.

A Comil, outra fabricante do setor, exibiu mais uma vez o modelo topo de linha da empresa o Campione DD, que foi lançado em 2011.
Já a Marcopolo comemora a liderança no segmento de alto padrão com o Paradiso 1600 LD e o Paradiso 1800 DD.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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