Ônibus em Ribeirão Preto. Greve entra no terceiro dia prejudicando mais uma vez cerca de 100 mil passageiros. Sindicato dos trabalhadores luta para caixinha pela dupla função.
Terceiro dia de Greve em Ribeirão Preto com promessa metade da frota na rua
Nova reunião entre trabalhadores e empresas ocorre nesta quinta-feira
ADAMO BAZANI – CBN
A greve de motoristas e cobradores de ônibus de Ribeirão Preto, no Interior Paulista, entra no terceiro dia. São prejudicados diariamente cerca de 100 mil passageiros do município e da região.
Diferentemente dos dois primeiros dias, o Sindicato dos Empregados das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Ribeirão Preto –Seturp tenta cumprir decisão judicial de colocar 50% da frota dos ônibus em circulação.
Por causa da greve e do descumprimento da ordem do Tribunal Regional do Trabalho, o passageiro de Ribeirão Preto sente na pele e no bolso os transtornos da paralisação.
Os serviços de mototáxis e até lotações clandestinas chegam a cobrar até R$ 40 dependendo do trajeto.
Amanhã, quinta-feira, deve ser realizada uma nova audiência no TRT.
As empresas, reunidas no Consórcio Pró-Urbano, ofereceram aos funcionários reajuste salarial de 9%, vale alimentação no valor de R$ 470, participação nos lucros reais (PLR) de R$ 269 incorporados ao salário até maio do próximo ano, além de manutenção do prêmio por acúmulo de função de cobrador até 2014.
Os motoristas querem que a caixinha para dirigir e cobrar ao mesmo tempo seja incorporada aos salários, o que as empresas não querem. As companhias têm receio de problemas judiciais com a incorporação, já que a legalidade da prática é discutida, e os motoristas temem que com o tempo, o prêmio seja extinto.
O que causa estranheza é o fato de um sindicato dos trabalhadores negociar a dupla função, já que se trata de uma prática que além de tirar postos de trabalho dos cobradores, coloca em risco a vida e a saúde do motorista, que fica mais estressado e tem de dividir sua atenção entre manipular dinheiro e bilhetes e estar ligado no trânsito, além de interferir na segurança dos passageiros e das demais pessoas que estão ao redor do ônibus.
Os motoristas e cobradores ainda querem a proposta inicial elaborada pelo próprio sindicato, que é de aumento salarial de 17% (7% de reposição da inflação e 10%.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.