Donisete Braga diz que não tem preferência por empresas de ônibus
Prefeito diz que Administração Municipal não tem influência sobre disputa Judicial entre Leblon e Estrela de Mauá
ADAMO BAZANI – CBN
O prefeito de Mauá, Donisete Braga, respondeu ao Editorial do Blog Ponto de Ônibus sobre suas declarações publicadas pelo Diário do Grande ABC. A reportagem diz que Donisete quer que a Viação Estrela de Mauá fique na cidade. David Barioni Neto, hoje presidente da companhia de ônibus que está impedida de operar pela Justiça, demonstrou a intenção de levar os veículos parados na garagem do pátio da Princesinha, no Jardim Zaíra 4, para o Rio de Janeiro depois de uma suposta tentativa de assalto. Na mesma matéria, o jornal diz que Donisete Braga afirmou que se a Leblon e a Viação Cidade de Mauá, operadoras municipais, tivessem o mesmo padrão da Estrela de Mauá, os transportes na cidade seriam melhores.
Como é dever jornalístico deste espaço de dar voz a todas as partes, o Blog Ponto de Ônibus reproduz a nota na íntegra e abaixo, segue o Editorial original:
Nota oficial
Em resposta ao texto “Editorial: Donisete Braga, agora sabemos de que lado ele está!”, publicado no Blog nesta sexta-feira, 19/4, o prefeito de Mauá informa que é meta desta administração oferecer aos usuários um transporte público de qualidade, conforto, seguro e ágil, inclusive com integração por meio do bilhete único, para trens e metrô.
Diferentemente do expressado no texto do jornalista Adamo Bazani, a administração não tem interesse específico por este ou aquele prestador do serviço e vem exigindo de todos eles, desde primeiro de janeiro passado, as melhorias estabelecidas no contrato para um serviço de qualidade condizente com a tarifa cobrada.
Ainda em busca de qualidade no transporte público a prefeitura determinou à secretaria de Mobilidade Urbana uma série de vistorias nos ônibus que compõem a frota do transporte coletivo da cidade. A medida é permanente e está sendo realizada, inclusive nas garangens das empresas, com o intuito de garantir a qualidade na prestação do serviço e a segurança dos passageiros.
Atualmente as 49 linhas de ônibus do município são atendidas por 229 veículos (139 da Cidade de Mauá e 90 da Leblon). Cinco veículos da viação Cidade de Mauá foram retirados de circulação, quatro deles estão passando por manutenção e devem passar por novas vistorias nos próximos dias e um deles voltou a rodar. A inspeção é realizada por fiscais, mecânicos e eletricistas da Prefeitura.
Quanto ao imbróglio envolvendo as empresas Leblon e Estrela de Mauá, é de responsabilidade da Justiça, no qual a Administração Municipal não tem influência. Qualquer medida que a Prefeitura venha tomar será respaldada judicialmente e em prol dos passageiros.Quanto à ocorrencia na empresa Estrela de Mauá, é caso de polícia e cabe a ela investigar. No mais, é papel da Prefeitura não só atrair, mas também manter as empresas na cidade, pois geram renda para os trabalhadores e receita para a prefeitura.
PREFEITURA MUNICIPAL DE MAUÁ
EDITORIAL ORIGINAL DE 19 DE ABRIL DE 2013:
Donisete Braga assume parcialidade para a Estrela de Mauá
Prefeito fala em padrão de uma empresa que não opera e tem frota insuficiente de ônibus
ADAMO BAZANI – CBN
A declaração do prefeito de Mauá, Doniste Braga, ao jornal Diário de Ronan Maria Pinto, empresário parente e parceiro de Baltazar José de Sousa, e grande incentivador de David Barioni Neto, foi a assinatura de um atestado de parcialidade do poder público.
Ele disse que quer impedir a saída da Viação Estrela de Mauá da cidade e ainda teve a coragem de afirmar que a se a Leblon (lote 02) e a Viação Cidade de Mauá (lote 01) tivessem o padrão da Estrela de Mauá, os transportes seriam melhores no município.
“Para nós, não nos interessa que nenhuma empresa saia do município. Vou aguardar contato por parte da Estrela e tentar buscar solução para essa situação”, comenta o chefe do Executivo. “Se as outras duas companhias (Leblon e Cidade de Mauá) mantivessem o mesmo padrão da Estrela, o transporte público seria melhor”,
Padrão do que? A empresa não opera por ordem da Justiça, que padrão é esse? Melhores manobras na garagem? Padrão de como melhor enfileirar os ônibus?
Ônibus novos? Ora, a Leblon começou a operar com todos os ônibus novos há dois anos e a Viação Cidade de Mauá, de Baltazar José de Sousa, que quer a volta do monopólio de maneira velada, também comprou ônibus novo?
Ora, que Padrão então?
Além disso, a Estrela de Mauá tem 84 ônibus. Número insuficiente tanto para o lote 01 ou lote 02. Seria padrão de falta de ônibus?
Quando a Estrela operou sem ordem judicial por pouco mais de uma semana em Mauá, apresentou ônibus quebrados, irregularidades nos horários e até ônibus entalados nas vias.
A declaração foi feita depois da suposta ameaça de David Barioni Neto, em deixar a cidade indo buscar segurança justo no Rio de Janeiro depois de uma má explicada tentativa de assalto no pátio da Princesinha, cuja parte do terreno é ocupada pela garagem da Estrela.
Há suspeita de que o atentado foi fogo amigo e uma tentativa desesperada de chamar a atenção para a Estrela de Mauá e colocá-la como vítima depois das sucessivas derrotas da empresa fundada por Baltazar e hoje presidida por Barioni.
A suposta tentativa de assalto ocorreu bem no dia que os funcionários da Estrela, os que mais sofrem com esta situação, receberiam seus pagamentos atrasados. Nada foi levado da garagem, mas mesmo assim, os trabalhadores não receberam ainda.
Seria um pretexto para não pagar estes trabalhadores que não recebem posicionamentos claros da chefia e só vivem à base de especulação?
Na fuga, os supostos assaltantes atiraram na sala da diretoria. Uma atitude nada comum para assaltantes de verdade, que frustrados, querem deixar o local do crime para que não haja pistas.
A disputa entre Leblon e Estrela de Mauá continua na Justiça e é a Justiça quem deve decidir, apesar de já se manifestar várias vezes favoravelmente à Leblon.
A Estrela chegou na semana passada a entrar com uma liminar com informações erradas para confundir a Justiça, o que foi repudiado pelo Ministério Público.
Agora uma cena de parcialidade dessa de um comandante público é no mínimo vergonhosa e carece explicação. Mas já fica nítido com que a prefeitura de Mauá tem compromisso.
Agora outra pergunta. Será que Donisete é busólogo e gosta tanto de uma empresa de ônibus assim ou ele deve favores e é pressionado?
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.