Se bem planejado e operado, BRT pode ter capacidade próxima do Metrô, dizem estudos internacionais

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Se bem planejados e operados, sistemas de BRT podem ter capacidade de transportes semelhantes a de metrôs, de acordo com medições de institutos internacionais de estudos de mobilidade. Até mesmo corredores mais antigos podem ser modernizados e oferecerem mais qualidade e rapidez aos passageiros. Modelos como os corredores de Curitiba e o Metropolitano ABD são usados ainda como base para novos projetos em todo o mundo. Foto: Adamo Bazani

Capacidade de BRT pode se igualar a de Metrô, dizem especialistas internacionais
Cerca de 150 cidades em todo o mundo realizam atualmente obras que apostam na solução por corredores de ônibus
ADAMO BAZANI – CBN
O Metrô pesado sem dúvida é um dos mais eficientes meios de transportes urbanos. Por ser totalmente segregado em sua circulação, consegue desenvolver boa velocidade, ter composições de grande porte a transportar altas demandas de passageiros, além de não poluir por ser de tração elétrica.
É certo que toda a cidade sonha em ter um metrô. Mas quando se fala em metrô, é necessário separá-lo de outros modais urbanos, como VLT – Veículo Leve sobre Trilhos ou Monotrilho que, apesar de não serem meios de transportes de fácil implantação e de baixo custo, não possuem a capacidade e a eficiência do metrô pesado. Mas, por desconhecimento ou estratégia de marketing político, muita gente tem chamado estes modais de metrô ou metrô leve, induzindo a população a entender de maneira errada qual o meio de transporte que pode vir a atendê-la de fato.
O metrô pesado, no entanto, nem sempre é possível ser implantado em toda a extensão de uma cidade. E os motivos são vários: os custos de construção podem ser entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões, as obras, por serem complexas, são demoradas e algumas regiões não oferecem condições geográficas (como inclinações e qualidade do solo) que possibilitem a implantação de um sistema de metrô de verdade.
E é justamente na modernização dos serviços de ônibus que as cidades em todos os continentes têm encontrado soluções rápidas e a custos que respeitem os cofres públicos para os problemas de mobilidade de seus cidadãos. O valor de um quilômemtro de corredor de ônibus pode variar entre US$ 10 milhões e US$ 25 milhões.
O Institute for Transportation Development Policy (ITDP), que atua em diversas cidades do mundo colaborando para políticas de transportes, considera o BRT (Sistema de Ônibus Rápidos) como um dos oito princípios de mobilidade para criação de cidades mais amigáveis ao meio ambiente e aos seus moradores, trabalhadores ou visitantes.
De acordo com o C 40, grupo que reúne soluções para as maiores cidades do mundo com objetivo de trazer ganhos climáticos e de bem estar para os cidadãos, atualmente cerca de 150 municípios em diversos países têm realizado obras para criação e ampliação de corredores de ônibus, totalizando mais de quatro mil ações diretas e indiretas.
O custo considerado lúcido para implantação, a rapidez frente a urgência das cidades e a capacidade de atendimento são fatores que têm pesado positivamente para a escolha do BRT, mesmo em locais onde os serviços ferroviários são abundantes.
De acordo relatório do C 40, na China as autoridades deixaram projetos de monotrilho em favor dos corredores de BRT usando a experiência de técnicos brasileiros. Na província de Ghuangzou o sistema atende até 45 mil passageiros/hora nos horários de pico, demanda equivalente a suportada pelo metrô. São 12 províncias chinesas investindo em ônibus. Cidades européias e norte-americanas também implantam projetos de corredores de ônibus. Pela flexibilidade menor de operação das linhas e criação de serviços complementares mais facilmente, outros modais não têm conseguido os êxitos do BRT de se aproximar do metrô, de acordo com os estudos das entidades intenacionais.
E não é só o C 40 e o ITDP que veem vantagens na modernização dos sistemas de ônibus.
A Embarq, entidade com sede em Washington, que reúne especialistas e estudiosos que auxiliam governos e empresas no desenvolvimento e implantação de soluções sustentáveis para os problemas de transporte e mobilidade, aponta um dado importante:
Se bem planejado e operado, contando com preferência real no espaço público e a elaboração de uma rede de linhas alimentadoras e troncais, a capacidade de transportes de um BRT pode se aproximar de um metrô pesado.
De acordo com medições da Embarq e do C 40, a capacidade de transporte de sistemas como o Transmilênio, na Colômbia, chegou a 51 mil passageiros por hora-sentido. “Um recorde que supera 95% dos metrôs do planeta, perdendo apenas para Hong Kong, Seoul e Tókio”
No Brasil, a maior parte dos projetos que contam com verbas do PAC da Mobilidade Urbana é formada por BRTs. Até 2014, devem ser inaugurados 250 quilômetros de corredores de ônibus rápidos em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
No Rio, o BRT TransOeste, que liga a Barra da Tijuca à Santa Cruz, reduziu em mais da metade o tempo de deslocamento do carioca e, depois de intervenções da prefeitura, os serviços devem ser aperfeiçoados.
Os sistemas de Curitiba e o Metropolitano do ABD, na Capital Paulista e na região do ABC, foram modelos para a implantação de diversos corredores em vários países e ainda hoje atraem técnicos de todo o mundo.
Não se trata de rivalizar o ônibus com outros modais, mas respeitar o dinheiro público na escolha de uma obra e melhorar a vida das pessoas é acima de tudo uma ação de respeito ao cidadão.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em Se bem planejado e operado, BRT pode ter capacidade próxima do Metrô, dizem estudos internacionais

  1. Vale lembrar que a flexibilidade e a versatilidade são itens de grande importância num corredor bem planejado que ao longo do tempo poderá ensejar mudanças em beneficio das sazonalidades que ocorrem nas metropoles de grandes populações.
    Outra posssibilidade é a operação 24 horas, além da criação de várias alternativas de itinerários como o caso do corredor operado pela Metra.

  2. Melhor dizendo, o correto é poder conetar váriações de corredores auxiliares interligando-se ao corredor principal, permitindo a criação de várias alternativas de itinerários, que no caso das metroferrovias seriam ramais, com viabilização muito mais complexas.
    Caso a Pref. de São Paulo dê continuidade aos planos, o Corredor Radial Leste abrirá novos corredores a sua direita, sentido bairro, alcançando os terminais Carrão, São Mateus, Cidade Tiradentes entre outros, coisa que o desmembramento da linha 3 não permitiria fazer, já que está no limite de intervalo entre os trens.

  3. O corredor da metra tem que ser remodelado: paradas a cada 500m , muitos semáforos , pessoas que não sabem usar o cartão BOM , falta área para ultrapassagem, linhas expressas , …

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