Cidades do ABC querem corredores de ônibus municipais interligados

Andrea Brisida

Andrea Brisida, coordenadora do Grupo de Trabalho de Mobilidade, do Consórcio Intermunicipal do ABC, explica que obras voltadas ao transporte público trazem mais benefícios futuros que ampliação de vias. Uma das prioridades é criar espaços preferenciais de ônibus no eixo Sudeste, entre São Caetano do Sul, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires. Foto: Antônio Moreira.

Cidades do ABC querem corredores de ônibus integrados
Sete prefeitos da região devem entregar ao Governo Federal em 15 dias lista com 116 intenções de obras para a mobilidade urbana no ABC Paulista
ADAMO BAZANI – CBN
As cidades do ABC Paulista devem ter corredores de ônibus interligados para aumentar a velocidade operacional do transporte coletivo da região, que hoje é considerada baixa e que não permite que o transporte público consiga convencer o proprietário do automóvel a deixar o carro em casa.
A integração de corredores municipais e criação de espaços preferenciais para ônibus de caráter intermunicipal fazem parte dos estudos das sete cidades da região sobre mobilidade urbana.
A ligação entre os futuros corredores municipais de São Bernardo do Campo com os de Diadema e a criação de espaços preferenciais no eixo entre São Caetano do Sul, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires estão nos planos. No entanto, a maior parte das propostas não tem datas e especificações técnicas definidas.
Nesta segunda-feira, dia 04 de março de 2013, os prefeitos se reuniram no Consórcio Intermunicipal do ABC e após reuniões e estudos das pastas municipais de transportes que atuaram em conjunto, listaram um pacote de 116 possíveis obras que devem atender 16 eixos principais da região.
Nem todas estas obras se referem ao transporte coletivo. Há intervenções simples como adequações geométricas de vias até mais complexas como novas avenidas e viadutos.
Em aproximadamente 15 dias, a lista deve ser entregue à equipe da Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, para que a região consiga liberação de recursos federais para algumas destas propostas de obras.
O prefeito de São Bernardo do Campo e presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, Luiz Marinho, disse que nem todas as obras propostas receberão financiamento do Governo Federal, mas que a partir da aprovação das obras, será possível definir as prioridades. A partir deste momento, ele acredita que será possível estabelecer convênios com o Governo Federal dentro de um prazo de 90 dias. Mas as obras só devem sair do papel em 2014.
Ele estima que entre as intervenções viárias e de transportes coletivos, o pacote de obras deve custar entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões.
“Não podemos dizer que temos um projeto ainda. A equipe técnica contratada está trabalhando. Nós demandamos olhando as sete cidades. Hoje podemos chamar de pré-estudo para ser complementado para virar um plano de mobilidade regional de intervenções viárias e de intervenções para o transporte coletivo” – disse Marinho se referindo ao fato de que as propostas só devem virar planos depois de o Governo Federal definir o quando deve liberar de recursos para a região.
“Se você for analisar que o Governo Federal tem R$ 38 bilhões disponíveis agora para a mobilidade em todo o País, R$ 10 bilhões só para o ABC é algo ousado. Mas querermos mostrar ao Governo Federal o tamanho problema da mobilidade na região” – complementou Marinho.
O Consórcio também pretende apresentar as propostas ao Governo do Estado para também ter a contrapartida estadual nas intervenções de mobilidade.
CORREDORES DE ÔNIBUS DEVEM SER INTEGRADOS NO ABC PAULISTA:

Luiz Marinho

Prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, que também é presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, disse que corredores de ônibus municipais vão se comunicar entre cidades diferentes. Foto: Antonio Moreira.

Mesmo desenvolvendo corredores municipais, as cidades estudam a possibilidade de integrar estes espaços com corredores de municípios vizinhos.
Entre as propostas estão a comunicação de corredores de São Bernardo do Campo com Diadema e a criação de espaços prioritários para os ônibus no chamado eixo Sudeste entre São Caetano do Sul, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires.
A coordenadora do GT (Grupo de Trabalho de Mobilidade) do Consórcio, Andrea Brisida, diz que obras viárias são importantes, mas destaca que somente o investimento em transporte público é que vai permitir uma melhoria no ir e vir das pessoas para o futuro.
“Na verdade, todas as obras que priorizam o transporte coletivo visam o futuro. Hoje todo nosso sistema viário está saturado. Não há via que se faça que dê contra do aumento da frota. Os prefeitos já começaram a perceber que o foco está no transporte público. Apesar de ser um grande pacotão de obras viárias (a lista das 116 intervenções aprovada pelos prefeitos nesta segunda-feira) ele não perde a priorização do transporte coletivo. A bifurcação da linha 18 (monotrilho, formando um “Y”passando pela região do Córrego Taioca, sendo interligado ao Terminal de Ônibus de Vila Luzita) já visa o futuro. Repactuar com o Estado a necessidade do Expresso ABC – Guarulhos e do Expresso ABC, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) também precisa ser reforçado. Um dos corredores mais importantes que nós elencamos como eixo é o Corredor Sudeste, que é a ligação desde o limite de São Caetano do Sul com São Paulo, vindo pela Dom Pedro II, Perimetral (Santo André), Avenida João Ramalho, Avenida Capitão João (Mauá) até a Avenida Humberto de Campos (Ribeirão Pires). Todo este eixo é o principal de Transporte Coletivo da Região do ABC. O tipo de priorização, ainda não conseguimos detalhar. Pode ser um corredor de ônibus, faixas preferenciais em horários de pico. Depende do detalhamento de cada trecho destes projetos. Esse viário tem características diferentes em cada trecho. Mas a gente identificou que é um eixo prioritário de transporte coletivo sim.” – explicou a coordenadora do GT – Grupo de Trabalho de Mobilidade do Consórcio Intermunicipal do ABC, Andrea Brisida.
Ela também disse que o Consórcio aguarda as definições sobre a licitação da área 5 da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, corresponde aos serviços de ônibus intermunicipais do ABC Paulista, o único lote da Grande São Paulo que não opera de acordo com a lei e ainda tem contratos de permissão precária e não de concessão. A proposta principal quanto a área 5 é eliminar as sobreposições de linhas municipais com intermunicipais de ônibus.
O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, disse que espaços para ônibus da cidade serão ligados às vias para transporte coletivo de Diadema.
“Os corredores das cidades se integrarão. Por exemplo, o corredor Leste/Oeste de São Bernardo do Campo vai até dentro do Terminal de Diadema. Então este corredor estará conectado a outros corredores de Diadema. Assim será com outras cidades. Essas intervenções de divisas (propostas pelo Consórcio) vão ajudar na ligação de corredores municipais. Exemplo, essa intervenção da Lauro Gomes com São Caetano do Sul dando sequencia da Guido Aliberti, do lado de São Paulo, que não existe. A Lauro Gomes segue até a divisa com São Paulo e dá sequencia na marginal na regiã., no lado de São Caetano e do outro lado do rio até a Avenida Goiás” – contou Marinho que revelou também que Santo André já realiza um estudo para a implantação de corredores municipais de ônibus e que Mauá vai também iniciar estudos para corredores de ônibus do sistema da cidade, hoje servido pela Viação Cidade de Mauá e Leblon Transporte de Passageiros.
Entre as obras viárias, Luiz Marinho citou a duplicação da Rodovia Índio Tibiriçá e Caminho do Mar, eliminação de cruzamentos livres na Avenida do Estado e a extensão da Lauro Gomes, que pode vir a cruzar a Avenida Pereira Barreto.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

4 comentários em Cidades do ABC querem corredores de ônibus municipais interligados

  1. não vai adiantar nada em fazer corredores com ônibus velhos ou mesmo novo,mas,de motor dianteiro,isso vai incentivar ainda mais as pessoas a utilizarem os carros.

  2. Oque parece é que os chefes de executivos estão mais focados no dinheiro que tem destinado do que nos projetos, irão inventar tudo quanto é projeto vagabundo para arrecadar recursos isso é oque parece , e nada sera feito, continuaremos nas mesmas.
    Esperar pela licitação da área 5 ? interligar corredores ? não entendo , pois vemos que os próprios empresários boicitam a licitação,com desculpas esfarradas e sem nexo, como é que irão fazer para resolver este impasse de 4 tentativas ? com relação a integrações estamos vendo ai empresas brigando por R$1,00, como se pode falar de integrações aqui ou lá vendo essas disputas nada amistosas ,outro fato de descaso com as integrações são as linhas intermunicipais que atendem o terminal Sacomã, onde desde sua criação as linhas foram encurtadas e mantidos os valores da antiga distância ,e ainda tem até hoje a questão problemática da intregração entre o ABC e SP ,esses são apenas uns dos problemas que o traporte do ABC enfreta , e parece que agora tudo ira mudar sera mesmo ? parece que agora eles vão esquecer o passado e fazer um novo futuro,até parece que vamos acreditar nessas farsas,

  3. Sergio Santo André // 5 de Março de 2013 às 13:10 // Responder

    Vejam só, com toda essa grana, quem será beneficiado num corredor São Caetano / Santo André / MAUÁ ??? Com certeza ele já deve estar afiando suas garras para por a mão nessa grana toda, não é mesmo titio Balta ??????

  4. É mais um papel que vai ficar parado na mesa de algum burocrata do governo federal.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: