Urbs, em Curitiba, acumula prejuízo de R$ 100 milhões

Publicado em: 23 de janeiro de 2013

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Gerenciadora do sistema de transportes de Curitiba e região Metropolitana acumula déficits de R$ 100 milhões. De acordo com o presidente da autarquia, Roberto Gregório da Silva Júnior, manutenção dos subsídios do Governo Estadual é fundamental para a continuidade das integrações, mas ele ressalta que as empresas devem fazer a sua parte, sendo transparentes nas planilhas de custos e conseguindo ganhos de produtividade, com formas de operação mais modernas.

Urbs acumula prejuízo de R$ 100 milhões, mas esforços são para manter integração com região metropolitana
Novo presidente da gerenciadora do sistema de transportes de Curitiba tem grandes desafios, como equilibrar financeiramente os serviços e manter a integração entre os ônibus da Capital da região metropolitana
ADAMO BAZANI – CBN
(Com informações do jornal “A Gazeta do Povo”)
Integração entre os ônibus da Capital Paranaense e os da Região Metropolitana e a própria viabilidade econômica do sistema de transportes, que é considerado modelo mundial de qualidade, estão ameaçadas caso a situação financeira da Urbs (Urbanização Curitiba S.A.) e das empresas de ônibus não chegue a uma solução, mesmo que parcial.
O novo presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Júnior, professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná, disse em entrevista ao Jornal “Gazeta do Povo” que a autarquia acumula déficits de R$ 100 milhões. Só nos últimos cinco anos, os prejuízos foram de R$ 11,3 milhões. Criada em 1963, a gerenciadora completa 50 anos agora em 2013.
Roberto Gregório da Silva Júnior ressaltou a necessidade de manutenção dos subsídios do Governo do Estado do Paraná para o sistema de ônibus, principalmente para a manutenção da integração e da mesma tarifa entre os serviços da capital e das cidades que formam a RIT – Rede Integrada de Transporte.
Mas se o governador Carlos Alberto Richa (Beto Richa) interromper ou diminuir os subsídios, a Urbs deve tentar outro modelo tarifário para a conexão entre a Capital e a Região Metropolitana.
“Rede integrada com tarifa única é uma conquista da sociedade que nós devemos fazer todo o esforço para manter. Essa é a diretriz que estamos perseguindo, por isso a gente quer esgotar de todas as maneiras possíveis, todas as conversas, entendimentos de forma a construir soluções conjuntas em prol desse benefício. Estão sendo realizados estudos para identificar novos possíveis modelos de tarifa” – disse à Gazeta do Povo.
Roberto Gregório também comentou o pedido feito pelo Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana de reajuste para uma tarifa no valor de R$ 3,10.
Ele disse que precisa de mais dados por parte das companhias de ônibus para discutir o valor.
Sobre o questionamento, em juízo, das empresas de ônibus sobre as planilhas de custos do sistema, o presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Júnior, propõe uma trégua jurídica para uma discussão mais aberta e transparente das ações, inclusive com a publicação dos dados de custos das empresas para que todos tenham acesso.
Ainda sobre a possibilidade de o Governo do Estado não continuar com os subsídios para a integração com a região metropolitana, Gregório lembra que existe uma questão judicial, de agosto do ano passado quando a Urbs alterou a tarifa técnica. Foi estabelecido que se o sistema não conseguisse se manter apenas com o dinheiro recebido pelas catracas, a diferença seria coberta pela Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, que é uma autarquia estadual.
O novo presidente da Urbs ainda falou na necessidade de ganhos de produtividade, até mesmo com o uso de novos tipos de pneus e formas de operação, para deixar os transportes mais baratos para as empresas, poder público e acima de tudo, para a população.
Segue a íntegra da entrevista do presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Júnior, ao jornal “Gazeta do Povo”
Qual sua avaliação sobre a situação que encontrou na Urbs?
Devemos chegar, no exercício de 2012, a cerca de R$ 100 milhões em prejuízos acumulados, mas ainda não temos esses números definidos. A Urbs opera com um fluxo de caixa problemático porque a margem de contribuição é negativa nos diversos serviços e operações que faz. A empresa não tem conseguido arrecadar o suficiente para suas atividades. Há um desequilíbrio entre receitas e custos. Como medida emergencial e imediata, estamos trabalhando em um projeto de reestruturação organizacional e de caracterização mais precisa de quais são as operações que a Urbs tem que se dedicar.
Quais operações devem ter prioridade?
Temos um negócio mais concentrado, que é o transporte coletivo, mas também somos responsáveis pelo gerenciamento de estacionamento [Estar], locação de espaços e a administração da Rodoferroviária. Temos que potencializar algumas receitas para que a Urbs possa efetivamente prestar o serviço de qualidade que a sociedade espera dela. Para fazer isso, vamos trabalhar no tripé inovação-qualidade-sustentabilidade.
Qual é o custo real do transporte em Curitiba? Chega aos R$ 3,10 anunciados pelo Sindicato das Empresas de Ônibus (Setransp)?
A gente trabalha com fatos e dados, e, por enquanto, não temos esses dados. Eles [o Setransp] lançaram uma nota e mandaram uma carta para a Urbs. Já pedi um estudo, temos uma série de questionamentos, mas não recebi nenhuma resposta ainda.
De quanto será o reajuste da tarifa em fevereiro?
Há duas variáveis importantes: subsídio e reajuste. Os demais fatores são frutos de um edital de licitação. Qualquer questionamento que implique na alteração dessas regras não pode ser feito de forma unilateral. Para a negociação com os trabalhadores do transporte coletivo, por força do contrato de concessão, o teto [de reajuste] é o INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor]. Qualquer valor acima demanda uma decisão em juízo. E tem a questão do acordo judicial em que a Urbs fez uma alteração na tarifa técnica em agosto do ano passado. Em função disso, foi acertado que, caso o convênio do subsídio com o governo estadual não fosse mantido, a responsabilidade do pagamento dessa diferença seria da Comec [Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, que é um órgão do governo do estado].
O Setransp questiona as planilhas de custo com duas ações na Justiça contra a Urbs. Por que essas planilhas não são amplamente divulgadas? Qual é a situação real das contas?
No nosso entendimento, as ações são improcedentes, mas estamos abertos para discutir e analisar. Propus uma trégua, inclusive judicial, para que a gente possa analisar as questões com a devida serenidade que o assunto exige. Se eles falam que estão tendo prejuízo, é importante saber que até hoje não recebemos os padrões de contabilidade que o próprio edital estabeleceu para fazer uma aferição da real situação econômica-financeira das empresas. O que a gente tem são notícias isoladas, depoimentos. A palavra de ordem aqui é transparência total: recebendo essas informações e sendo público, vamos divulgar para que não só o poder concedente trate do assunto, mas a sociedade tenha condições de acompanhar.
Houve alguma revisão de como a planilha de gastos é calculada?
Em função da segurança jurídica, a gente procura manter exatamente as condições que foram pactuadas no edital, e não estamos falando de um passado tão distante – é coisa de três anos atrás. Vamos discutir questões de ganho de produtividade, que podem ser obtidos com uma nova tecnologia de pneus, que duram mais; de consumo de combustível, que não é tão elevado; de otimização na própria locação de mão de obra. Se o transporte for mais barato e de melhor qualidade, ele tende a ser melhor utilizado. É bom para todo mundo.
Como podemos saber se os itens previstos no edital de licitação estão sendo cumpridos? Os indicadores de qualidade, que gerariam multas em caso de descumprimento, nunca foram divulgados?
Vamos começar a publicar isso. Nós pretendemos colocar essa questão na mesa, porque um serviço público tem de seguir o que chamamos de atributos do serviço adequado. Tem uma série de parâmetros de qualidade que precisa efetivamente ser implantada e isso tem sido tratado de forma muito periférica.
Sem subsídio do governo estadual, é viável manter o transporte metropolitano integrado por uma tarifa única?
Rede integrada com tarifa única é uma conquista da sociedade que nós devemos fazer todo o esforço para manter. Essa é a diretriz que estamos perseguindo, por isso a gente quer esgotar de todas as maneiras possíveis, todas as conversas, entendimentos de forma a construir soluções conjuntas em prol desse benefício. Estão sendo realizados estudos para identificar novos possíveis modelos de tarifa.
Há previsão do impacto que o fim da dupla função (motorista que atua como cobrador ao mesmo tempo) causará na tarifa?
Os pareceres técnicos que vi na Urbs foram contrários e fui informado que o sindicato das empresas ajuizou uma ação com antecipação de tutela dessa questão. Acredito que nos próximos dias podemos ter alguma definição sobre esse assunto em caráter preliminar.
Há anos o sistema de Curitiba registra queda no número de usuários. Como reverter essa situação?
Preço e qualidade tendem a estimular a recuperação do usuário de transporte coletivo. Qual o problema que acontece hoje: em horários de pico, o trânsito em Curitiba tem diminuído sua velocidade média e, consequentemente, diminui a do transporte coletivo, apesar das vias expressas, porque em alguns pontos temos cruzamentos, situações particulares. Vamos trabalhar no estudo de faixas exclusivas, ampliação dessas faixas, de forma a garantir um padrão mínimo de velocidade do transporte coletivo. De outro lado, melhorias nos embarques para dar mais agilidade.
Texto inicial: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Entrevista: Jornal Gazeta do Povo.

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite

    Só há 2 únicas soluções?

    1) Sr. Jaime Lenner, volta!

    2) Aumente a passagem para R$ 3,30.

    Afinal já tem de computador o aumento do Diesel ,que esta chegando atrasado igual ao Buzão de Sampa.

    O resto é pura teoria teórica.

    Atingir um déficit de R$ 100 milhões com um “negócio da China” (transporte coletivo) – com cliente a partir das 3:30 da madruga, sem moda, sem cor, sem estilo e com pagamento à vista, não é incompetência não, é crime mesmo.

    Lembrem-se; matemática não é milagre nem política.

    2 + 2 = 4

    Att,

    Paulo Gil

  2. Apolônio disse:

    Enquanto a URBS continuar querendo transporte de primeiro mundo (onde os subsídios para o transporte coletivo são fortíssimos) com preço de passagem de interior do Brasil, infelizmente Curitiba deixará de ser modelo. Por mais mercenárias que pareçam as empresas, é obvio que manter um sistema modelo tem seu custo e se isto é importante para a administração pública, ou ela desonera, ou subsidia, ou infelizmente sobe a passagem.

    Lamentavelmente.

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